segunda-feira, 2 de abril de 2012

QUEM ÉS?


Quem és tu, Ser de Luz
que me abres as portas do imaginário?
Quem és tu, Anjo Azul
que me transportas no teu voo de felicidade?
Quem és tu, Maria Estrela
que me extasias quando fixo o Céu?

Sejas tu quem fores,
teu nome pouco importa...

Para mim serás sempre o farol,
serás quem me guia,
quem odora a minha vida,
quem me dá asas...

...Que me levam onde nunca fui,
mas onde estou...
...Que me trazem de onde sou,
mas onde nem sempre vou...

De Maria La-Salete Sá

BOLA DE CRISTAL



A minha bola de cristal
adivinha o futuro
em ecos de silêncio.

Florescem sonhos,
crescem rosas sem espinhos
no oásis-miragem
e no deserto-doirado da solidão
há lírios de Paz e hinos de Amor.

Abre-se a porta da minha ânsia
e fecho os olhos para não despertar...

Ah! Minha bola de cristal!
É belo o meu futuro
enquanto silêncio...

Ensurdece-me
ou abate montanhas

para que se calem os ecos...

De Maria La-Salete Sá

SAUDADE

Pedi à saudade
que me deixasse
e se afastasse.

Riu-se de mim,
ironizante...

E nesse instante
fez-se alegria.

Foi saudade-dor,
saudade-melodia,
canção constante,
saudade-amor.

De Maria La-Salete Sá

MENINA TRAQUINA



Menina traquina, de laços no cabelo,
olhos de amêndoa, sonhando as casinhas,
criando o teu mundo de fantasias,
braços cruzados a idealizar a vida...
Brincavas com a Joana, boneca de cartão,
e com o João,
menino careca, também de cartão.
Grande desilusão!
Deste-lhe banho, esqueceste-a na água,
lá se foi a Joana!
Ficou feita em papas a tua boneca!,
mas sobejava-te ainda o João careca!
Que lhe fizeste, menina traquina?
Foi-se um braço, foi-se uma perna...
Ficaram os calções, os vestidos da Joana
e meio João... O resto acabou-se!
Deitou-se ao lixo o farrapo de cartão!
Ficaste sozinha, sem Joana nem João!
Mas a tua cabecinha
sempre criou mundos lindos de fantasia...
Vieram mais bonecas
de plástico, de trapos, de meias.
Eram as tuas meninas, a tua alegria...

Um dia cresceste, deixaste as bonecas,
as casinhas, as plantas, as tuas couvinhas,
esqueceste as danças de roda,
a macaca, a bola e o pião...
Já não tinhas Joana nem João,
construíste outro universo,
outro mundo de gente adulta,
onde cresceste alheada na tua imaginação.
Sonhaste-o de paz e foi guerra,
construíste-o de amor e saiu revolta...
Foste iludida na teia da tua ilusão!
Que bom seria ser sempre criança,
ter nos olhos a luz da esperança,
ser menina traquina, sempre a sonhar,
mas ter na vida a força para amar!

Hoje, a menina que foste, a mulher que és,
esta que vive uma vida parada,
tem tanta saudade de quando chorou
a crueldade da Joana afogada
e do crescimento que idealizou...

De Maria La-Salete Sá

domingo, 1 de abril de 2012

DIA DE DILEMA

Hoje é dia de dilema,
dia de ser e não ser,
dia de não definir sentimentos.

Hoje é dia de confusão...

Não consigo perceber o que me vai na alma.
Será que quero?
Será que amo?
E o que quero e a quem amo?

Hoje é dia de indefinição...
...Ou não será o dia da loucura?

Talvez seja isso, talvez eu seja louca,
ou então uma das poucas pessoas
completamente saudáveis
no manicómio da vida...

Se houver alguém mais louco do que eu
pode dar o seu parecer...

Os loucos entendem-se bem
e a loucura é sã demência!

(1987)?

De Maria La-Salete Sá

MENINA-MULHER 2



Um dia - ainda menina -
sonhei um sonho lindo!
Seria mulher cheia de amor,
construtora de paz,
irradiando harmonia,
felicidade,
alegria...

Meu sonho perdeu-se
na noite dos tempos
e do meu pensamento
sobrou a dor...

A obreira da paz
perdeu a paz,
a felicidade e a harmonia,
ficou só na solidão
na carência, na nostalgia...

...Mas nunca parada,
nunca estagnada...
na construção da vida
com fé e esperança,
porque a mulher-criança
acreditou que um dia
a paz voltaria.

E a menina-mulher
é de novo amor,
é de novo alegria!

De Maria La-Salete Sá

MENINA-MULHER 1


Olhos cansados, rosto de menina-mulher,
criança crescida,
idade madura, mulher não amadurecida.
Com a ansiedade dos vinte anos
é veterana em desenganos...
Sonha acordada com contos de fadas,
a noite traz-lhe o desencanto da vida,
mas ela acredita
no amanhã, outro dia...

E sorri cansada,
cabeça estoirada
ante a perspectiva de nova alegria
(ou nova ironia).
Não perde a esperança (que já é perdida),
cresce na confiança (a descrença sentida),
e ela renasce a cada momento
criança-menina, mulher-sentimento.

De Maria La-Salete Sá