Estava ensolarado o dia quando o pensamento voou janela fora. Sorriu ao sol, dançou no vento e mergulhou no mar. Era um pensamento feliz, em total harmonia com tudo e com todos com quem se cruzava.
Era apenas um pensamento feito de poucas palavras, um pensamento pequeno, mas não haja dúvida, era realmente um pensamento feliz!
E porquê?, perguntar-se-ão. Pois, porquê?
Nem o pensamento sabia dizer porquê, porque nele apenas cabiam estas palavras: SOU LIVRE PARA VOAR E AMAR, as únicas palavras que o fizeram nascer.
Mas o pensamento também sabia, mesmo sem saber que sabia, que as palavras foram geradas por um sentimento, um sentimento grande de amor, de aceitação, de agradecimento... por isso era um pensamento feliz. E era só por isso que ele não sabia dizer, somente sabia viver a felicidade de ser livre para voar, para amar, para aceitar, para agradecer.
E é também por isso que, mesmo tendo a idade de todos os tempos, este pensamento não morre e se vai espalhando, dançando com o vento, sorrindo ao sol, mergulhando no mar, beijando os corações que toca.
De Maria La-Salete Sá
quarta-feira, 18 de abril de 2012
terça-feira, 10 de abril de 2012
JOANA E A FADA AZUL
Joana, uma menina de 9 anos, sempre gostou de desenhar, embora também sempre pensasse que os seus desenhos nunca ficavam como queria. Então fazia um, não gostava e rasgava, fazia outro, não gostava e rasgava... e assim sempre até achar que estava quase bem. Mas desta vez, cansada de tanto desenhar e rasgar o desenho da fada, olhou e pensou: “Vais ficar assim mesmo... não pareces bem uma fada, mas serás a minha fada...”
E continuou a olhar para o desenho, agora com outros pensamentos: “Vou pintar o teu vestido e os olhos de azul e terás cabelos pretos... vamos lá ver como ficas!”
Depois de toda pintada, com toques e retoques, Joana olhou o desenho e gostou tanto dele que pensou em emoldurá-lo para depois colocar na parede do seu quarto. E, se bem o pensou, melhor o fez! Aquele quadro, que agora mais parecia uma obra de um grande génio da pintura, fascinava-a.
À noite, antes de dormir, ficava uns momentos a olhar a fada e até parecia que ela queria falar, sobretudo quando se fixava mais no seu rosto.
E, com estes pensamentos, adormecia. Mas nem a dormir a fada deixava de estar presente. Tão presente que todas as noites tinha o mesmo sonho.
“Joana! Joana! Ouve! Tens que vir ao mundo das Fadas. Eu preciso da tua ajuda para entrar no teu mundo. Quando estiveres pronta chama por mim. Meu nome é...”
Mais uma vez a Joana acordava, sentava-se na cama, esfregava os olhos e dizia para consigo: “Devo estar maluca! Como pode um pedaço de papel falar assim comigo? Que sonho mais estúpido este! Se voltar a sonhar, rasgo o desenho e deito-o ao lixo.”
Só que, desta vez o sonho continuou.
“Joana! Joana! Sou eu! Fixa o meu nome, chamo-me Sara! Sara! Ouviste bem?”
Joana mexeu-se, estava quase a acordar, mas... umas mãos leves e macias pousaram sobre os seus olhos e ela continuou a dormir, permanecendo dentro do sonho.
“A Terra é um planeta cheio de vida, é um ser com alma e coração que, tal como tu, necessita de carinho e de amor para se sentir bem.”
“Mas como pode ser como eu?... Ela é apenas a Terra, nada mais.”
“Julgas que é só isso?!... Não! A Terra é um ser vivo, tem alma e coração, como te disse. Tal como tu precisa de cuidados, de carinho e de amor para sobreviver.”
“Mas não são os animais e as plantas que vivem? Não é a eles que devemos amar e respeitar?”
“Sim, mas há muitas mais coisas que precisas de saber. E para saberes é bom que possas ver e sentir. Por isso te faço este pedido: vem ter comigo ao mundo das Fadas.”
“E onde é esse mundo? Como vou lá ter? Não quero ir para a Terra do Nunca, não quero ficar longe dos meus pais...”
“Não tenhas receio, a Terra do Nunca também é a Terra do Sempre. É o mundo encantado, o mundo da fantasia onde a magia é real.”
“Então como posso ir ao teu mundo?”
“Ainda bem que perguntas. Pois bem, ouve com atenção o que te vou dizer. Quando acordares e quando quiseres pega no quadro que tens na parede, olha bem nos meus olhos e diz a frase mágica...”
“Qual? Qual?” -Joana estava tão empolgada com a possibilidade de entrar nesse mundo de magia, que quase nem deixava que a Sara falasse.
“Dizes assim: ”Sara, Sara, minha fada Azul, rainha das Fadas, mostra-me a Terra do Sempre.”
“E é só assim?” - perguntou com alguma incredulidade.
“Não, não é só assim. Antes de fazeres isso tens que dizer alto, de ti para ti: “Quero entrar no Mundo Azul”, mas dizê-lo com toda a convicção, com toda a certeza de que é mesmo isso que queres que aconteça. Então depois, e só depois é que fazes o apelo, ou seja, chamas por mim, repetindo a frase mágica. De seguida encostas o quadro ao teu coração, sentas-te e fechas os olhos.”
“E depois? E depois?” – continuou a Joana impaciente e ansiosa.
“Depois... deixa que a magia funcione. Agora dorme descansada.”
“Mas... Sara, não te vás embora, estou a gostar tanto de te ouvir falar, até parece que não estou a sonhar, parece mesmo real!”
“E é real. O sonho também é real, embora seja uma realidade diferente daquela em que os seres humanos acreditam. Continua a dormir. Eu vou sair do teu sonho, mas não sairei da tua vida.”
E Sara abandonou, de mansinho, o sonho da Joana. Esta, contudo, permaneceu nele pensando, pensando, pensando que... “no mundo das fadas não se deve falar português, talvez até nenhuma língua da Terra... Mas Sara falou e eu entendi, então não me devo preocupar se falam português, linguagem de varinha... Varinhês? Fadanês? Azu......”, talvez fosse dizer Azulês, mas perdeu-se no sono, saindo do sonho, sem resposta às suas questões.
De Maria La-Salete Sá
E continuou a olhar para o desenho, agora com outros pensamentos: “Vou pintar o teu vestido e os olhos de azul e terás cabelos pretos... vamos lá ver como ficas!”
Depois de toda pintada, com toques e retoques, Joana olhou o desenho e gostou tanto dele que pensou em emoldurá-lo para depois colocar na parede do seu quarto. E, se bem o pensou, melhor o fez! Aquele quadro, que agora mais parecia uma obra de um grande génio da pintura, fascinava-a.
À noite, antes de dormir, ficava uns momentos a olhar a fada e até parecia que ela queria falar, sobretudo quando se fixava mais no seu rosto.
E, com estes pensamentos, adormecia. Mas nem a dormir a fada deixava de estar presente. Tão presente que todas as noites tinha o mesmo sonho.
“Joana! Joana! Ouve! Tens que vir ao mundo das Fadas. Eu preciso da tua ajuda para entrar no teu mundo. Quando estiveres pronta chama por mim. Meu nome é...”
Mais uma vez a Joana acordava, sentava-se na cama, esfregava os olhos e dizia para consigo: “Devo estar maluca! Como pode um pedaço de papel falar assim comigo? Que sonho mais estúpido este! Se voltar a sonhar, rasgo o desenho e deito-o ao lixo.”
Só que, desta vez o sonho continuou.
“Joana! Joana! Sou eu! Fixa o meu nome, chamo-me Sara! Sara! Ouviste bem?”
Joana mexeu-se, estava quase a acordar, mas... umas mãos leves e macias pousaram sobre os seus olhos e ela continuou a dormir, permanecendo dentro do sonho.
“A Terra é um planeta cheio de vida, é um ser com alma e coração que, tal como tu, necessita de carinho e de amor para se sentir bem.”
“Mas como pode ser como eu?... Ela é apenas a Terra, nada mais.”
“Julgas que é só isso?!... Não! A Terra é um ser vivo, tem alma e coração, como te disse. Tal como tu precisa de cuidados, de carinho e de amor para sobreviver.”
“Mas não são os animais e as plantas que vivem? Não é a eles que devemos amar e respeitar?”
“Sim, mas há muitas mais coisas que precisas de saber. E para saberes é bom que possas ver e sentir. Por isso te faço este pedido: vem ter comigo ao mundo das Fadas.”
“E onde é esse mundo? Como vou lá ter? Não quero ir para a Terra do Nunca, não quero ficar longe dos meus pais...”
“Não tenhas receio, a Terra do Nunca também é a Terra do Sempre. É o mundo encantado, o mundo da fantasia onde a magia é real.”
“Então como posso ir ao teu mundo?”
“Ainda bem que perguntas. Pois bem, ouve com atenção o que te vou dizer. Quando acordares e quando quiseres pega no quadro que tens na parede, olha bem nos meus olhos e diz a frase mágica...”
“Qual? Qual?” -Joana estava tão empolgada com a possibilidade de entrar nesse mundo de magia, que quase nem deixava que a Sara falasse.
“Dizes assim: ”Sara, Sara, minha fada Azul, rainha das Fadas, mostra-me a Terra do Sempre.”
“E é só assim?” - perguntou com alguma incredulidade.
“Não, não é só assim. Antes de fazeres isso tens que dizer alto, de ti para ti: “Quero entrar no Mundo Azul”, mas dizê-lo com toda a convicção, com toda a certeza de que é mesmo isso que queres que aconteça. Então depois, e só depois é que fazes o apelo, ou seja, chamas por mim, repetindo a frase mágica. De seguida encostas o quadro ao teu coração, sentas-te e fechas os olhos.”
“E depois? E depois?” – continuou a Joana impaciente e ansiosa.
“Depois... deixa que a magia funcione. Agora dorme descansada.”
“Mas... Sara, não te vás embora, estou a gostar tanto de te ouvir falar, até parece que não estou a sonhar, parece mesmo real!”
“E é real. O sonho também é real, embora seja uma realidade diferente daquela em que os seres humanos acreditam. Continua a dormir. Eu vou sair do teu sonho, mas não sairei da tua vida.”
E Sara abandonou, de mansinho, o sonho da Joana. Esta, contudo, permaneceu nele pensando, pensando, pensando que... “no mundo das fadas não se deve falar português, talvez até nenhuma língua da Terra... Mas Sara falou e eu entendi, então não me devo preocupar se falam português, linguagem de varinha... Varinhês? Fadanês? Azu......”, talvez fosse dizer Azulês, mas perdeu-se no sono, saindo do sonho, sem resposta às suas questões.
De Maria La-Salete Sá
quarta-feira, 4 de abril de 2012
REFLEXÃO
"De médico e de louco, todos temos um pouco", assim diz o adágio. Mas este adágio pode ramificar-se e... "de poeta e artista, todos temos chispa...", " homem escritor é um bom ator...", enfim, um sem número de derivações que apenas nos levam a concluir que todos somos realizadores, encenadores, músicos, escritores,..., fazedores dos filmes das nossas vidas. E, assim sendo, qualquer criação, seja obra literária, plástica, cinematográfica..., mostra sempre algo da personalidade do seu criador, ou seja, em todas elas se pode descobrir facetas biográficas do criador.
Mesmo que estejamos a escrever, a pintar ,ou... o que quer que seja, estamos a deixar transparecer um pouco de nós. Se escrevemos sobre alguém, estamos a transmitir o que sabemos e conhecemos (ou julgamos saber e conhecer) desse alguém. Se inventamos, estamos a por na tela ou no papel o que a nossa imaginação nos leva a ver. Se escrevemos um conto, um romance, uma história (verdadeira ou ficcional) também deixamos o nosso cunho, tanto na forma como produzimos o desenrolar da produção até ao seu remate final, como também na forma como a nossa alma vê e comunica o que escrevemos.
Então nem sempre o que consideramos a nossa verdade é a verdade de quem acede "à nossa criação", ou seja, a cor e a beleza que os nossos olhos vêem pode adquirir nuances completamente diferentes através do olhar de outra pessoa. E esta tomada de consciência leva-me a concluir que..., embora as aparências nos pareçam mostrar uma realidade, não podemos afirmar essa realidade como verdade única, o que, por seu lado, nos conduz a outra premissa: não tecer julgamentos de valores, por muito que isso fira o nosso ego.
De Maria La-Salete Sá
segunda-feira, 2 de abril de 2012
QUEM ÉS?
Quem és tu, Ser de Luz
que me abres as portas do imaginário?
Quem és tu, Anjo Azul
que me transportas no teu voo de felicidade?
Quem és tu, Maria Estrela
que me extasias quando fixo o Céu?
Sejas tu quem fores,
teu nome pouco importa...
Para mim serás sempre o farol,
serás quem me guia,
quem odora a minha vida,
quem me dá asas...
...Que me levam onde nunca fui,
mas onde estou...
...Que me trazem de onde sou,
mas onde nem sempre vou...
De Maria La-Salete Sá
BOLA DE CRISTAL
A minha bola de cristal
adivinha o futuro
em ecos de silêncio.
Florescem sonhos,
crescem rosas sem espinhos
no oásis-miragem
e no deserto-doirado da solidão
há lírios de Paz e hinos de Amor.
Abre-se a porta da minha ânsia
e fecho os olhos para não despertar...
Ah! Minha bola de cristal!
É belo o meu futuro
enquanto silêncio...
Ensurdece-me
ou abate montanhas
para que se calem os ecos...
De Maria La-Salete Sá
SAUDADE
Pedi à saudade
que me deixasse
e se afastasse.
Riu-se de mim,
ironizante...
E nesse instante
fez-se alegria.
Foi saudade-dor,
saudade-melodia,
canção constante,
saudade-amor.
De Maria La-Salete Sá
que me deixasse
e se afastasse.
Riu-se de mim,
ironizante...
E nesse instante
fez-se alegria.
Foi saudade-dor,
saudade-melodia,
canção constante,
saudade-amor.
De Maria La-Salete Sá
MENINA TRAQUINA
Menina traquina, de laços no cabelo,
olhos de amêndoa, sonhando as casinhas,
criando o teu mundo de fantasias,
braços cruzados a idealizar a vida...
Brincavas com a Joana, boneca de cartão,
e com o João,
menino careca, também de cartão.
Grande desilusão!
Deste-lhe banho, esqueceste-a na água,
lá se foi a Joana!
Ficou feita em papas a tua boneca!,
mas sobejava-te ainda o João careca!
Que lhe fizeste, menina traquina?
Foi-se um braço, foi-se uma perna...
Ficaram os calções, os vestidos da Joana
e meio João... O resto acabou-se!
Deitou-se ao lixo o farrapo de cartão!
Ficaste sozinha, sem Joana nem João!
Mas a tua cabecinha
sempre criou mundos lindos de fantasia...
Vieram mais bonecas
de plástico, de trapos, de meias.
Eram as tuas meninas, a tua alegria...
Um dia cresceste, deixaste as bonecas,
as casinhas, as plantas, as tuas couvinhas,
esqueceste as danças de roda,
a macaca, a bola e o pião...
Já não tinhas Joana nem João,
construíste outro universo,
outro mundo de gente adulta,
onde cresceste alheada na tua imaginação.
Sonhaste-o de paz e foi guerra,
construíste-o de amor e saiu revolta...
Foste iludida na teia da tua ilusão!
Que bom seria ser sempre criança,
ter nos olhos a luz da esperança,
ser menina traquina, sempre a sonhar,
mas ter na vida a força para amar!
Hoje, a menina que foste, a mulher que és,
esta que vive uma vida parada,
tem tanta saudade de quando chorou
a crueldade da Joana afogada
e do crescimento que idealizou...
De Maria La-Salete Sá
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