sexta-feira, 31 de agosto de 2012

PSIU

Vamos morrer para o mundo
num instante...
E neste momento de prelúdio
que antecede o despertar
quais serão os nossos anseios?

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Nostálgica
é a noite que me despe.

como será o amanhecer?


De Maria La-Salete Sá

TEMPOS...

No tempo em que eu era velhinha,
vestida de veludos e brocados,
toucado bem alto,
cabelo ripado,
pensava que era bela!

No tempo em que eu era adulta,
quarentona,
matrona,
de cabelo bem frisado,
pensava que era senhora!

No tempo em que eu era jovem,
alegre e gaiteira,
mini saia
perna à mostra
pensava que era bonita!

E agora que sou criança,
idosa com sessenta
de cabelos matizados
entre castanhos e cinzentos,
sei que sou FELIZ!

De Maria La-Salete Sá

O SONHO MAIS LINDO!...

Tive um sonho lindo, talvez o sonho mais lindo de todos os sonhos lindos!
Eu era a Primavera. Primavera aberta a mil sorrisos, uma estação de encantar. E, sendo Primavera, olhava maravilhada para a beleza das flores que eu mesma fizera germinar. Mas Primavera sem Anjos, Primavera sem Fadas nem sequer se podia chamar de Primavera. Então, e ao reparar num ninho sem passarinho, mas com um ovo muito branquinho, pensei de imediato fazê-lo eclodir. E, se bem o pensei, melhor o fiz, pois que, em vez de um passarinho, fiz que dele nascesse uma fada, melhor dizendo, uma fada-anjo. Que linda que ela era! E no meu coração primaveril brotou, por esse ser tão especial e tão único, uma ternura imensa. Quedei-me a amá-lo em silêncios de alegria. E, do fundo deste silêncio começou a crescer, vinda não sei de onde, uma suave melodia. Deixei que me envolvesse e a música ia-se ampliando, ampliando, ampliando… Olhei em redor e, qual não foi o meu espanto, ao ver que, em frente ao ninho, empoleirado num ramo, estava o mais lindo pássaro que alguma fora criado. Ele era o artista, o instrumento, a orquestra que tocava essa melodia! E, no momento em que o olhei e amei como se também ele fora minha criação, toda a natureza se abriu em MIL SORRISOS e cantou a canção da Primavera!

De Maria La-Salete Sá


QUANDO O SOL SE ESCONDER

Acordei de madrugada,
Fui à rua ver a lua,
Quedei-me maravilhada
Com a sua formosura!

Não chegara ainda o dia,
Já a aurora despontava
E era tal a harmonia
Que à minha alma chegava!


Nessa paz parou o tempo,
Dancei nas ondas do mar
Saltando nas asas do vento,
Com ele voei sem parar!


Passei a manhã assim
Neste sonho de tudo ser
E só voltarei a mim
Quando o sol se esconder.

De Maria La-Salete Sá


NA CORRENTEZA DA VIDA




Na correnteza da vida vivi
Encontros e desencontros,
Encantos e desencantos,
Alegrias e tristezas…

Na correnteza da vida descobri
Que encontros e desencontros,
Encantos e desencantos,
Alegrias e tristezas
São os grãos que semeei
E os frutos que colhi.

Na correnteza da vida aprendi
Que a vida só é vida
Se houver no seu correr
Encontros e desencontros,
Encantos e desencantos,
Alegrias e tristezas…

… Para que a vida ganhe sentido,
Para que se aprenda a viver
E não apenas a passar-lhe ao lado!

De Maria La-Salete Sá

DESPERTEI DE MAU HUMOR...




Cansada, ensonada, entrei na cama,
Da cama entrei no sono,
Do sono entrei no sonho…
Sonho lindo, sonho mágico!

Era um jardim de mil encantos,
Onde seres etéreos passeavam,


Anjos e fadas brincavam,
Silfos esvoaçavam,
E velhos anões confraternizavam
Enquanto, à roda da mesa, jantavam.


Dei comigo no jardim,
Também etérea e alada,
Esvoaçava, corria, brincava…
Não tinha o meu corpo, mas era eu,
Tinha asas e era fada,
Orelhas em bico, fui duende,
Entrei no lago, fui ninfa…
Que coisa mais linda de ser!
Que coisa mais linda de sentir!
Que coisa mais linda de viver!

E nesta beleza de ser,
De sentir,
De viver…

Eis que toca o despertador…
… e acordei de mau humor…


NÃO HÁ DIREITO TIRAR UMA CRIANÇA DE DENTRO DE UM SONHO TÃO LINDO!


De Maria La-Salete Sá

terça-feira, 10 de julho de 2012

DEVANEIO

Acabo de inventar-te, amor
no perfume da madrugada
calada...
Estás ao meu lado
na plenitude - quem sabe?! -
dos teus sonhos...
Ter-me-ás inventado também?

E este invento
que tem anos de construção
parece ter nascido
só agora...

Talvez tenha querido nascer sozinho,
longe de tudo e de todos,
longe de ti mesmo...

Será que nasceu?
Não sonho?
Não é ilusão?

(14 de Maio 1984)

De Maria La-Salete Sá