AMO! AMO! AMO!
A quem? O quê? - Não sei!
apenas Amo.
Tudo e todos - Um só,
a vida, o mundo, as plantas, os animais,
o bosque, o prado, o deserto, o oásis,
o rio, o mar.
Amo! O céu, a lua, as estrelas,
o sol!
AMO! Num amor feito energia,
num abraço total
imenso, infinito,
entrega Universal!
(Junho de 1991, seminário de Yoga)
A abrir "Fragmentos de um percurso interior
De Maria La-Salete Sá
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
INSÓLITO
Há tantos episódios bizarros na minha vida que uma sobrinha me compara, muitas vezes, ao Mr. Bean (é claro que não faço um “ar tão aparvalhado” quanto ele, penso!!!...), e o que se segue é o relato de um funeral, algo insólito. (Não vou referir nomes nem localidades para não correr o risco de poder ferir sensibilidades.)
Era o funeral do pai de uma amiga, que, por sua vez, era sobrinho de outra amiga. Partia de uma cidade para outra e, como em todos os funerais, encontramo-nos na Igreja. Como a tia do defunto não tinha carro e o funeral seguia para uma cidade a mais de 30km de distância, ela viajou comigo. Assim eu não faria a viagem sozinha e ela estava à vontade por me acompanhar, já que éramos (e somos) muito amigas.
Mas logo me deparei com dois pequenos problemas: o meu carro estava com pouco combustível e eu não sabia como ir para o cemitério onde o morto ia ser enterrado. Então, e para não haver confusões, perguntei à filha do defunto qual a rota que seguiriam, para que eu pudesse meter gasolina e apanhar o cortejo junto das bombas. Combinamos tudo certinho, eles iam pela rua da bomba BP e eu entraria lá no cortejo. Seguimos logo para as bombas, enchi o depósito e esperamos… esperamos… esperamos… E nada de cortejo fúnebre. Bem, um pouco a medo, “às escuras” quanto ao caminho, não esperamos mais e seguimos, sempre com a esperança de encontrarmos o funeral, mas nada!
Já muito perto da outra cidade, sem saber qual a estrada de entrada, resolvi virar logo na primeira placa indicativa da cidade. Logo que pude perguntei onde era o cemitério. Seguimos as indicações e, fora do cemitério, estavam dois funerais para entrar, mas nenhum parecia ser o “do nosso morto”. Um tanto ou quanto acabrunhada dirigi-me a um cavalheiro que estava junto dos portões e perguntei:
-Pode- me dizer, por favor, se veio ou se ainda vem um funeral de fora da cidade, de um senhor que foi militar?
-Não, minhas senhoras, não veio nem vem, talvez seja para o outro cemitério do outro lado da cidade.
-E fica muito longe? Terei lugar de estacionamento?
- Não é muito longe, podem ir a pé.
E lá nos indicou o caminho, só que não conseguimos orientar-nos nessa cidade. Já tínhamos andado quase meia hora e nade de cemitério. Na nossa direção vinha um grupo de estudantes e voltamos a perguntar onde era o cemitério. Uma menina muito simpática disse-nos.
- Estão a ver aquelas árvores ali? O cemitério fica no quarteirão logo a seguir.
Ufa! Que alívio, pensamos nós. E lá fomos ao dito cemitério. Quando entramos não havia ninguém a não ser o coveiro a tapar uma sepultura. Fomos ter com ele e, antes que pudéssemos dizer alguma coisa, ele levantou-se, olhou para nós e disse com um ar muito espantado:
-As senhoras outra vez aqui?!
E responde a minha amiga com um ar muito contristado:
-Pois, e o pior é que o morto era meu sobrinho!...
Com imensa paciência o senhor voltou a explicar-nos onde ficava o outro cemitério, mas lá já fomos de carro, pois o dia declinava. Escusado será dizer que, quando encontramos o cemitério, já estava fechado e as pessoas já tinham todas regressado a casa.
Embora o dia não fosse propriamente um dia de alegria, fizemos a viagem de regresso a casa sempre a rir das nossas “trocas e baldrocas”. Ainda não tínhamos chegado a filha do defunto estava a telefonar, preocupada, com receio que nos tivesse acontecido alguma coisa e acabou por nos dizer que a Agência Funerária alterara a rota por causa do tráfego, mas que julgava que nós sabíamos.
De Maria La-Salete Sá
Era o funeral do pai de uma amiga, que, por sua vez, era sobrinho de outra amiga. Partia de uma cidade para outra e, como em todos os funerais, encontramo-nos na Igreja. Como a tia do defunto não tinha carro e o funeral seguia para uma cidade a mais de 30km de distância, ela viajou comigo. Assim eu não faria a viagem sozinha e ela estava à vontade por me acompanhar, já que éramos (e somos) muito amigas.
Mas logo me deparei com dois pequenos problemas: o meu carro estava com pouco combustível e eu não sabia como ir para o cemitério onde o morto ia ser enterrado. Então, e para não haver confusões, perguntei à filha do defunto qual a rota que seguiriam, para que eu pudesse meter gasolina e apanhar o cortejo junto das bombas. Combinamos tudo certinho, eles iam pela rua da bomba BP e eu entraria lá no cortejo. Seguimos logo para as bombas, enchi o depósito e esperamos… esperamos… esperamos… E nada de cortejo fúnebre. Bem, um pouco a medo, “às escuras” quanto ao caminho, não esperamos mais e seguimos, sempre com a esperança de encontrarmos o funeral, mas nada!
Já muito perto da outra cidade, sem saber qual a estrada de entrada, resolvi virar logo na primeira placa indicativa da cidade. Logo que pude perguntei onde era o cemitério. Seguimos as indicações e, fora do cemitério, estavam dois funerais para entrar, mas nenhum parecia ser o “do nosso morto”. Um tanto ou quanto acabrunhada dirigi-me a um cavalheiro que estava junto dos portões e perguntei:
-Pode- me dizer, por favor, se veio ou se ainda vem um funeral de fora da cidade, de um senhor que foi militar?
-Não, minhas senhoras, não veio nem vem, talvez seja para o outro cemitério do outro lado da cidade.
-E fica muito longe? Terei lugar de estacionamento?
- Não é muito longe, podem ir a pé.
E lá nos indicou o caminho, só que não conseguimos orientar-nos nessa cidade. Já tínhamos andado quase meia hora e nade de cemitério. Na nossa direção vinha um grupo de estudantes e voltamos a perguntar onde era o cemitério. Uma menina muito simpática disse-nos.
- Estão a ver aquelas árvores ali? O cemitério fica no quarteirão logo a seguir.
Ufa! Que alívio, pensamos nós. E lá fomos ao dito cemitério. Quando entramos não havia ninguém a não ser o coveiro a tapar uma sepultura. Fomos ter com ele e, antes que pudéssemos dizer alguma coisa, ele levantou-se, olhou para nós e disse com um ar muito espantado:
-As senhoras outra vez aqui?!
E responde a minha amiga com um ar muito contristado:
-Pois, e o pior é que o morto era meu sobrinho!...
Com imensa paciência o senhor voltou a explicar-nos onde ficava o outro cemitério, mas lá já fomos de carro, pois o dia declinava. Escusado será dizer que, quando encontramos o cemitério, já estava fechado e as pessoas já tinham todas regressado a casa.
Embora o dia não fosse propriamente um dia de alegria, fizemos a viagem de regresso a casa sempre a rir das nossas “trocas e baldrocas”. Ainda não tínhamos chegado a filha do defunto estava a telefonar, preocupada, com receio que nos tivesse acontecido alguma coisa e acabou por nos dizer que a Agência Funerária alterara a rota por causa do tráfego, mas que julgava que nós sabíamos.
De Maria La-Salete Sá
RAZÃO DE SER
Hoje sou,
ontem fui, amanhã serei,
não o ser com razão,
mas a dona da razão
nesta existência sem limites.
Não parto à procura de nada,
mas sigo na busca de mim
e ao questionar-me porque sou assim
encontro resposta na vida.
Sou nada mais do que a semente
que fiz germinar,
o continuar
do que ficou por acabar
no meu ciclo existencial.
Sou o infinito.
O passado, o presente, o futuro,
consciência e imaginação,
sou prefácio e projeção,
sou ser
inteligente e racional,
ignorante e imortal. Sou.
E tão somente por isso,
ser assim um contra-senso,
não há espaço nem tempo
capaz de estagnar
este fluxo de Vida que me anima...
In "Fragmentos de um percurso interior"
De Maria La-Salete Sá
ontem fui, amanhã serei,
não o ser com razão,
mas a dona da razão
nesta existência sem limites.
Não parto à procura de nada,
mas sigo na busca de mim
e ao questionar-me porque sou assim
encontro resposta na vida.
Sou nada mais do que a semente
que fiz germinar,
o continuar
do que ficou por acabar
no meu ciclo existencial.
Sou o infinito.
O passado, o presente, o futuro,
consciência e imaginação,
sou prefácio e projeção,
sou ser
inteligente e racional,
ignorante e imortal. Sou.
E tão somente por isso,
ser assim um contra-senso,
não há espaço nem tempo
capaz de estagnar
este fluxo de Vida que me anima...
In "Fragmentos de um percurso interior"
De Maria La-Salete Sá
RECORDAR É VIVER
Embora, nessa altura eu não tivesse mais do que 4 ou 5 anos, recordo esta cena com muita clareza.
Era tempo de vindimas e eu estava em casa da minha avó materna. No quinteiro, junto à nora de tirar a água do poço estava uma pipa cheia de água para ser lavada, pois era altura das vindimas. (Não sei se "quinteiro" terá o mesmo significado em todo o lado, mas aqui o quinteiro é um espaço em frente da casa coberto de mato de onde depois se tira estrume para os campos). Como disse estava lá a pipa, com o orifício tapado com uma pequena rolha de madeira, a que chamavam "piche" ou "espiche".
A avó tinha acabado de levantar a mesa do almoço e eu saí para quinteiro brincar. Mas aquela pipa, cheiinha de água e num dia de calor como estava, parecia dizer-me:
"Tira o espiche, Lete, olha que a água é fresquinha, podes molhar as mãos, molhar a cara, podes brincar."
E eu ouvi a "voz da pipa", oh!, se ouvi! E vai daí, tira espiche, mete espiche, borrifa a cara, borrifa a mão, era só ver a minha alegria a tapar e a destapar a pipa!
Mas... e há sempre um "mas", a avó veio à porta, viu e ralhou:
"Pára com isso, Lete, deixa estar o espiche na pipa, senão apanhas uma sapatada."
Mal ouvi o recado, pus o espiche na pipa e fui para o jardim, mas sempre a controlar a avó, claro está.
Mal ela reentrou na cozinha, lá vai outra vez a Lete brincar com o espiche, só que desta vez a avó não ficou pela ameaça, a avó saiu da cozinha de mão em riste e a Lete levou uma palmada no traseiro.
Mais ferida na sensibilidade do que propriamente na carne fui sentar-me nas escadas a choramingar.
Ao ouvir o "meu triste lamento" a avó veio à porta da cozinha e perguntou:
"O que foi, Lete? O que tens?"
E a Lete logo respondeu, dona e senhora de toda a razão:
"A avozinha bem sabe que nas meninas pequeninas nunca se bate!"
De Maria La-Salete Sá
Era tempo de vindimas e eu estava em casa da minha avó materna. No quinteiro, junto à nora de tirar a água do poço estava uma pipa cheia de água para ser lavada, pois era altura das vindimas. (Não sei se "quinteiro" terá o mesmo significado em todo o lado, mas aqui o quinteiro é um espaço em frente da casa coberto de mato de onde depois se tira estrume para os campos). Como disse estava lá a pipa, com o orifício tapado com uma pequena rolha de madeira, a que chamavam "piche" ou "espiche".
A avó tinha acabado de levantar a mesa do almoço e eu saí para quinteiro brincar. Mas aquela pipa, cheiinha de água e num dia de calor como estava, parecia dizer-me:
"Tira o espiche, Lete, olha que a água é fresquinha, podes molhar as mãos, molhar a cara, podes brincar."
E eu ouvi a "voz da pipa", oh!, se ouvi! E vai daí, tira espiche, mete espiche, borrifa a cara, borrifa a mão, era só ver a minha alegria a tapar e a destapar a pipa!
Mas... e há sempre um "mas", a avó veio à porta, viu e ralhou:
"Pára com isso, Lete, deixa estar o espiche na pipa, senão apanhas uma sapatada."
Mal ouvi o recado, pus o espiche na pipa e fui para o jardim, mas sempre a controlar a avó, claro está.
Mal ela reentrou na cozinha, lá vai outra vez a Lete brincar com o espiche, só que desta vez a avó não ficou pela ameaça, a avó saiu da cozinha de mão em riste e a Lete levou uma palmada no traseiro.
Mais ferida na sensibilidade do que propriamente na carne fui sentar-me nas escadas a choramingar.
Ao ouvir o "meu triste lamento" a avó veio à porta da cozinha e perguntou:
"O que foi, Lete? O que tens?"
E a Lete logo respondeu, dona e senhora de toda a razão:
"A avozinha bem sabe que nas meninas pequeninas nunca se bate!"
De Maria La-Salete Sá
PSIU
Vamos morrer para o mundo
num instante...
E neste momento de prelúdio
que antecede o despertar
quais serão os nossos anseios?
««««
Nostálgica
é a noite que me despe.
como será o amanhecer?
De Maria La-Salete Sá
num instante...
E neste momento de prelúdio
que antecede o despertar
quais serão os nossos anseios?
««««
Nostálgica
é a noite que me despe.
como será o amanhecer?
De Maria La-Salete Sá
TEMPOS...
No tempo em que eu era velhinha,
vestida de veludos e brocados,
toucado bem alto,
cabelo ripado,
pensava que era bela!
No tempo em que eu era adulta,
quarentona,
matrona,
de cabelo bem frisado,
pensava que era senhora!
No tempo em que eu era jovem,
alegre e gaiteira,
mini saia
perna à mostra
pensava que era bonita!
E agora que sou criança,
idosa com sessenta
de cabelos matizados
entre castanhos e cinzentos,
sei que sou FELIZ!
De Maria La-Salete Sá
vestida de veludos e brocados,
toucado bem alto,
cabelo ripado,
pensava que era bela!
No tempo em que eu era adulta,
quarentona,
matrona,
de cabelo bem frisado,
pensava que era senhora!
No tempo em que eu era jovem,
alegre e gaiteira,
mini saia
perna à mostra
pensava que era bonita!
E agora que sou criança,
idosa com sessenta
de cabelos matizados
entre castanhos e cinzentos,
sei que sou FELIZ!
De Maria La-Salete Sá
O SONHO MAIS LINDO!...
Tive um sonho lindo, talvez o sonho mais lindo de todos os sonhos lindos!
Eu era a Primavera. Primavera aberta a mil sorrisos, uma estação de encantar. E, sendo Primavera, olhava maravilhada para a beleza das flores que eu mesma fizera germinar. Mas Primavera sem Anjos, Primavera sem Fadas nem sequer se podia chamar de Primavera. Então, e ao reparar num ninho sem passarinho, mas com um ovo muito branquinho, pensei de imediato fazê-lo eclodir. E, se bem o pensei, melhor o fiz, pois que, em vez de um passarinho, fiz que dele nascesse uma fada, melhor dizendo, uma fada-anjo. Que linda que ela era! E no meu coração primaveril brotou, por esse ser tão especial e tão único, uma ternura imensa. Quedei-me a amá-lo em silêncios de alegria. E, do fundo deste silêncio começou a crescer, vinda não sei de onde, uma suave melodia. Deixei que me envolvesse e a música ia-se ampliando, ampliando, ampliando… Olhei em redor e, qual não foi o meu espanto, ao ver que, em frente ao ninho, empoleirado num ramo, estava o mais lindo pássaro que alguma fora criado. Ele era o artista, o instrumento, a orquestra que tocava essa melodia! E, no momento em que o olhei e amei como se também ele fora minha criação, toda a natureza se abriu em MIL SORRISOS e cantou a canção da Primavera!
De Maria La-Salete Sá
Eu era a Primavera. Primavera aberta a mil sorrisos, uma estação de encantar. E, sendo Primavera, olhava maravilhada para a beleza das flores que eu mesma fizera germinar. Mas Primavera sem Anjos, Primavera sem Fadas nem sequer se podia chamar de Primavera. Então, e ao reparar num ninho sem passarinho, mas com um ovo muito branquinho, pensei de imediato fazê-lo eclodir. E, se bem o pensei, melhor o fiz, pois que, em vez de um passarinho, fiz que dele nascesse uma fada, melhor dizendo, uma fada-anjo. Que linda que ela era! E no meu coração primaveril brotou, por esse ser tão especial e tão único, uma ternura imensa. Quedei-me a amá-lo em silêncios de alegria. E, do fundo deste silêncio começou a crescer, vinda não sei de onde, uma suave melodia. Deixei que me envolvesse e a música ia-se ampliando, ampliando, ampliando… Olhei em redor e, qual não foi o meu espanto, ao ver que, em frente ao ninho, empoleirado num ramo, estava o mais lindo pássaro que alguma fora criado. Ele era o artista, o instrumento, a orquestra que tocava essa melodia! E, no momento em que o olhei e amei como se também ele fora minha criação, toda a natureza se abriu em MIL SORRISOS e cantou a canção da Primavera!
De Maria La-Salete Sá
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