Como eras boa avozinha!
Tenho no pensamento a tua imagem,
Essa bendita miragem
Que julgava ser só minha!
Deus pediu-te, tu aceitaste
O caminho que te estava traçado...
Como eu queria que tivesses ficado,
Mas sempre comigo ficaste.
Partiste, é certo... Acredito que sim,
Mas não posso deixar de te lembrar,
Embora tenhas ido, continuo a amar
Alguém que já fez parte de mim.
Oh! Se fosse hoje, como seria diferente...
De maneira alguma te arreliaria,
Beijar-te.ia e sempre diria
O que só agora minha alma compreende.
Como eras paciente, avozinha!
Quanto carinho tinha a tua voz!
Tenho a certeza de que não há avós
Mais carinhosas do que a minha!
Agora, lá no Céu, reza por nós,
Pede a Deus pela humanidade,
Que hoje tem tanta falsidade
E que haja, como tu, mais avós.
Lembro-me das tuas historinhas,
Das de fadas, que gostava de ouvir,
De todas que ouvia a sorrir
E pedia: "Só mais uma, avozinha..."
Oh! Não calculava o bem que eras
E só agora posso compreender,
Hoje... que não te posso ter,
Me lembro quão boa tu eras!
Com saudade eu peço perdão
A esse alguém que já partiu,
Alguém que nunca mais se viu,
Mas que ficou no meu coração.
(A minha avó paterna deixou-nos em Abril de 1974, quando eu tinha 11 anos, escrevi o poema em 1976.)
De Maria La-Salete Sá
sábado, 1 de setembro de 2012
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
RAZÃO IRRACIONAL
Não perguntes ao coração
a razão
de amar tão loucamente...
Não procures justificação
nem senão,
aceita tão somente
esta irracionalidade
premente
que se chama querer
sem tão pouco saber o porquê...
Pois quem ama
sabe e sente apenas
que chorar por amor,
sorrir por amor
é um contra senso inebriante
que nos projeta a cada instante
para uma felicidade sem fim
ou para uma dor assim
que faz de um momento uma eternidade,
ou da vida um momento...
O amor é, em suma, uma razão irracional
de viver e de querer.
De Maria La-Salete Sá
HOJE
Estou perdida de mim.
Perdida do Ser que Sou,
Ausente de quem não sou.
Neste espaço e neste tempo
Não consigo encontrar-me nem definir-me...
Não sei quem sou,
Não sei o que sou...
Apenas sei que estou perdida na bruma
Sem saber onde procurar o rumo.
Quero ir para Casa!
Quero descobrir o meu Lar!
Tenho saudades da minha família cósmica,
Uma família que apenas reconheço
Em vislumbres de memórias muito remotas
E escondidas da minha razão consciente.
Sei que este não é o meu lugar,
Mas é neste lugar e neste tempo
Que se cumpre o meu contrato.
Mas que contrato? - Pergunto-me.
Se eu soubesse!
Ah! Se eu soubesse ou pudesse ler todas as suas cláusulas
Porventura sentir-me-ia mais confiante,
Menos perdida....
Mas o que sei é que não sei...
Não sei mesmo nada de mim...
Bloqueou-se a porta do saber,
Os meus irmãos cósmicos silenciaram-se
E deixaram-me abandonada neste espaço ao qual não pertenço...
À noite olho o firmamento
Na esperança de encontrar o rumo
E todas as estrelas me sorriem, mas nenhuma me orienta.
E o Universo sabe que ainda não sei caminhar sozinha.
Não há nem um sinal de conflito,
O que também é intrigante,
Pois se houvesse então teria algo a que me agarrar,
Poderia assim orientar algum tipo de acção,
Poderia encontrar um carreiro nesta bruma...
Mas não... estou completamente só e perdida
Do que sou,
De quem sou,
De onde sou
E para o que sou e estou...
De Maria La-Salete Sá
SENHORA DAS ÁGUAS
Ah!, Senhora das Águas, deusa minha ,
sereia deste mar que é nosso!
Vou à praia, fico a olhar,
A olhar, a olhar… e a sonhar
Que me abraças e me embalas…
Sou ondina, sou ninfa
Canto e danço sem parar.
E tu, minha rainha,
Minha mãe, senhora minha
Olhas-me com tanto amor
E do meu bouqué de rosas brancas
Vou lançando flor a flor,
Singela homenagem do meu amor.
De Maria La-Salete Sá
sereia deste mar que é nosso!
Vou à praia, fico a olhar,
A olhar, a olhar… e a sonhar
Que me abraças e me embalas…
Sou ondina, sou ninfa
Canto e danço sem parar.
E tu, minha rainha,
Minha mãe, senhora minha
Olhas-me com tanto amor
E do meu bouqué de rosas brancas
Vou lançando flor a flor,
Singela homenagem do meu amor.
De Maria La-Salete Sá
MINHA ILUSÃO...
Ah! Minha ilusão!
Miragem do meu silêncio...
Procura escombros,
matagais,
oceanos profundos,
horizontes inatingíveis,
esconde-te...
Hoje só quero a realidade.
(aí por finais de 80, início de 90)
De Maria La-Salete Sá
ANGÚSTIAS
Porque me atormentam angústias
que fazem tremer de descontentamento?
Porque não me respondem as expectativas do silêncio?
Porque busco algo ou alguém
se não sei o que quero
e se me procuro?
Porque me sinto um caos
se não dei conta da derrocada?
Onde estou?
O que procuro?
Ah! Angústia que me matas,
se te afastasses
ou me reencontrasses...,
que bom seria viver de novo.
De Maria La-Salete Sá
que fazem tremer de descontentamento?
Porque não me respondem as expectativas do silêncio?
Porque busco algo ou alguém
se não sei o que quero
e se me procuro?
Porque me sinto um caos
se não dei conta da derrocada?
Onde estou?
O que procuro?
Ah! Angústia que me matas,
se te afastasses
ou me reencontrasses...,
que bom seria viver de novo.
De Maria La-Salete Sá
TUDO O QUE SOU
Sou uma garota irrequieta
Medrosa,
Alegre...
Chorosa...
Feliz
E desditosa...
Sou uma criança
Que adora a solidão...
Sou uma senhora
Que gosta do barulho
E da multidão...
Sou adolescente
Que vive a sonhar...
Sou adulta
Que com bonecas
Adora brincar...
Sou bebé risonho
Que já quer falar,
Sou mulher crescida
Querendo contar
O que tem de calar...
Sou eu mesmo assim
Que vivo a lutar...
Sou sopro de brisa
Com ânsia infinita
De a todos amar.
De Maria La-Salete Sá
(Escrito em 1970, no Colégio de Nossa Senhora da Bonança, em V.N. de Gaia)
Na foto, eu com 10 anos, 1º BI
Medrosa,
Alegre...
Chorosa...
Feliz
E desditosa...
Sou uma criança
Que adora a solidão...
Sou uma senhora
Que gosta do barulho
E da multidão...
Sou adolescente
Que vive a sonhar...
Sou adulta
Que com bonecas
Adora brincar...
Sou bebé risonho
Que já quer falar,
Sou mulher crescida
Querendo contar
O que tem de calar...
Sou eu mesmo assim
Que vivo a lutar...
Sou sopro de brisa
Com ânsia infinita
De a todos amar.
De Maria La-Salete Sá
(Escrito em 1970, no Colégio de Nossa Senhora da Bonança, em V.N. de Gaia)
Na foto, eu com 10 anos, 1º BI
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