quarta-feira, 10 de outubro de 2012

ESTOU AQUI... E...

Estou aqui...

Quando a solidão te pesar,
estou aqui.
Quando sentires falta de um sorriso,
estou aqui.
Quando as palavras não tiverem ouvintes,
estou aqui.
Quando o silêncio te oprimir, estou aqui.

E quando te lembrares
que poderá haver alguém que te queira...

...ESTOU AQUI.


                                           E.....

De noite ou de dia,
a dormir ou acordado,
pensa em mim, procura-me.
Quero ancorar no teu porto
ou ser o teu porto.
Quero ser-te presente
e ter-te presente,
quero que a todo o momento
penses em mim...

... como eu penso em ti.

De Maria La-Salete Sá ( 1996)




CONTO OS DIAS...

Pensa em mim.
E, mesmo que o pensamento seja fugaz ou fugidio,
tenta agarrá-lo o mais que puderes.

Então delineia o  meu rosto,
procura recordar as minhas feições,
o meu aspecto,
o meu olhar.

Que vês? Que sentes?

Repara agora no meu sorriso.
Imagina um sorriso feliz e transparente.
Quero contagiar-te com ele.
Fecha os olhos. Para um bocadinho.

Que imagem ficou na retina desses olhos d'alma?

Tenta observar a minha saudade
e a minha nostalgia...

És capaz de sentir esta ansiedade
na contagem dos dias que faltam para o teu regresso?

Não. Com certeza não és capaz.
Nem tampouco de recordar o meu olhar,
o meu sorriso,
a minha saudade.

Que pena!

Pena, porque agarro todos os pensamentos
que me levam a ti,
procuro imaginar o que farás,
como o farás, como estarás...
Retenho o teu olhar azul e intenso
nesse sorriso profundo e brincalhão,
a forma como os teus olhos procuram penetrar dentro de mim,
o toque das tuas mãos,
os beijos fugidios e ao de leve no meu rosto...

E continuo a contar os dias...

Quanta saudade!
Quanta ansiedade!

De Maria La-Salete Sá  (09/04/1996  18h 37m)


É VERDADE

É verdade que te penso,
que recordo o azul profundo desse olhar,
que te busco no afã, no lazer, na solidão...

É verdade que te penso
no carinho, na amizade, na doação...

É bem verdade que te penso.

Só não sei definir o pensamento
e/ou o sentimento...

Somente amizade? Carinho? Doação?

Quem me dera saber...
... o que está por detrás deste empolgamento
que te lembra, que te reclama,
que diz sentir saudades na tua ausência,
que procura reminiscências
na noite,
no dia,
no eterno,
no momento...

Será só empolgamento
ou o despertar de outro sentimento?
Ou não será apenas a vontade de te abraçar
e de repartir a nossa solidão?

Pois também é grande verdade
que somos dois seres solitários
nesta imensidão...

(01/06/1996  17h 35m)

De Maria La-Salete Sá



COGITAÇÕES

Às vezes parece que a vida corre tão apressada que temos dificuldade em acompanhar-lhe os passos. E, ao pensar nisso, interrogo-me se será a vida que corre demasiado depressa ou se será a minha/nossa indolência que nos impede de a seguir e de a viver em plena consciência, no "aqui e agora", no eterno presente. Ao constatar este facto dou-me conta de como andamos tanto tempo adormecidos, perdidos em cogitações sobre o futuro e/ou em recordações do passado, como se, saltitando entre estas duas vertentes tivéssemos a segurança e a certeza de estarmos a viver em pleno...
Pois é, pelo menos eu assim penso, de tão metidos com os nossos problemas, com a nossa realidade quotidiana - essa ilusão a que chamamos realidade - julgamos que a vida nos foge, quando somos nós que dela fugimos, quando somos nós que nos esquecemos que aqui estamos por escolha e decisão próprias.
E, porque disso me estou a dar conta (mais uma vez!), só me resta parar. E parar não é sinónimo de ficar na inércia, parar é ouvir a minha alma que me diz:
" VIVE O MOMENTO, vive intensamente cada segundo do tempo que aqui vais passando..."
E eu continuo na exploração da mensagem e... digo-me que não só devo viver cada momento, mas também devo viver e agradece porque cada instante é uma eternidade, é uma morte e um renascimento, é a (re)construção do SER que habita neste corpo que, muitas vezes digo meu e que tantas outras digo que sou eu.

Hoje estou introspectiva, hoje sei que preciso de ouvir o silêncio da minha alma...

De Maria La-Salete Sá

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

REALIDADE OU FICÇÃO?

Quando se vive um amor
porque outro se acabou...
será realidade essa afeição?
Quando se pensa que findou
o amor que a gente tinha
seria ele verdadeiro ou não?

E nós, que queremos amor,
por sem amor não sabermos viver,
ao recriá-lo e ao senti-lo,
nós... seremos nós, ou invenção?

Terei sido eu que amei perdidamente,
ou apenas o meu querer amar
que transformou amor em ilusão?
Foi amor ou desamor
a dor sofrida que senti?
Foi ficção ou realidade
a vida intensa que vivi?

Nesta ausência da verdade,
haverá amor e saudade
na ficção da nossa vida?
Ou apenas a realidade
a contrariar a vontade
que, de tão real, é mentida?

De Maria La-Salete Sá

(05/04/1986)

domingo, 16 de setembro de 2012

" NUMA PRADARIA ENCONTRAM-SE DOIS CAVALOS"



O cavalo Roberto e a égua Carlota formavam um lindo casal. Desde a infância se tornaram amigos inseparáveis. Saltavam, brincavam e relinchavam no prado, faziam tropelias, brincavam com as margaridas do rancho Margarida, mas sempre com muito respeito por essas flores que nasciam e cresciam espontaneamente no prado. As suas brincadeiras com as flores resumiam-se a ver quem conseguia trotar ou galopar à volta do local onde elas despontavam sem as pisar, sem as magoar, sem as estragar. E não é que as flores entendiam a linguagem dos cavalos? Assim, sempre que um deles se aproximava mais perigosamente, elas abriam-se mais em luz e cor, como que a dizer-lhes «Cuidado! Nós estamos aqui!...». e, se por algum descuido, uma delas se despencava do caule, logo o Roberto a colhia com mil cuidados, a acariciava e oferecia, como prova de  amor e dedicação, à sua amiga Carlota (isto, porque ele sabia que a Carlota já não era apenas a potra amiga, mas algo mais, era a potra por quem se sentia apaixonado e sabia também, mesmo que ela ainda não o tivesse dito, que era correspondido nessa paixão.) Quando, como disse, a colhia para oferecer a Carlota, a doce margarida ficava feliz, até se esquecia da dor de ter sido cortada, pois sabia que iria mergulhar na água pura e enfeitar uma linda jarra na estrebaria, junto à cama da Carlota.
Passaram uns dois ou três anos nestas brincadeiras/namoro, até que resolveram casar. E, desse casamento, nasceram mais dois belos potros que agora, pequeninos, corriam e relinchavam alegres por esse prado onde os seus pais tanto namoraram, tanto se amaram e tanto se amam ainda. E é uma alegria ver com que doçura, todos os dias esses pais cavalos olham embebecidos os seus rebentos, Rebeca e Rocinante, sabendo que um dia as suas crias queridas serão cavalos importantes!

Nota: Nem Carlota, nem Roberto sabem que já viveram noutros tempos, nem sabem tampouco que o tempo pode ser parado e mudado, senão já sabiam que o seu potro Rocinante já foi um cavalo muito importante, já sabiam que este foi o cavalo de D. Quixote (aquele que dizem ter sido um lunático maluco, só que não foi… quem diz não sabe que ele foi um cavaleiro fabricante de sonhos e de magia!!!...). e, tal como o seu dono e ilustre cavaleiro, Rocinante também foi um cavalo que sonhou e desenhou poesia por onde passou!

E, nas brincadeiras pelo prado, Rocinante faz versos às flores,  desafia Rebeca com rimas… não será que teremos de volta o Rocinante poeta?

De Maria La-Salete Sá

sábado, 1 de setembro de 2012

LUA (soneto)


Oh! Que a lua estava maravilhosa
Ontem à noite quando fui dormir,
Enviava os seus raios a sorrir
Ficando assim muito mais amorosa.

Eis que vinha uma nuvem brincalhona
Intrometendo-se na sua frente,
Fazendo zangar tanta, tanta gente,
Mas logo aparecia, espertalhona.

E eu fui correr a minha cortina
Deixando que a luz me desse no rosto
parecendo ficar mais pequenina...

Sendo ainda maio, parecia agosto,
Tão romântico que estava o luar
Que refletia alegria em meu rosto!

De Maria La-Salete Sá

Escrito no Colégio de Nossa Senhora da Bonança, em finais da década de 60, início da de 70