quinta-feira, 11 de outubro de 2012

PARAGEM... 2

Fechei os olhos e olhei-me...
Pensei e questionei-me...
Quis saber tudo de mim
e quedei-me ausente, assim,
em busca de respostas.
Nesta quietude de alma
vi, na mulher que sou,
a criança presente...
Em sonhos e ilusões,
sorriso constante,
doces vibrações...
Na esperança,
na paz calma,
na fantasia...
E, do sonho à realidade,
é magia.

E o tudo de mim
que pude saber
resume-se assim:

Sou mulher, sou criança,
vida-esperança
a acontecer.

De Maria La-Salete Sá (08/11/1996 15,55h)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

EU SOU...





Eu sou uma fábrica de sonhos
onde se inventa a Paz,
onde se realiza a transformação alquímica do Amor.
Eu sou uma fábrica de sonhos,
de voos e mundos ilusórios,
tão ilusórios quanto reais
neste espaço que é só meu.
Possuo a máquina do tempo,
os paradigmas do invento.
Com eles me projeto
em renascimento constante
à procura da Paz e da Harmonia,
recriando e inventando a ilusão.
A vida toma outra dimensão,
ganha mais encanto e emoção
até que venha a solidão, a dor...

E quando chegar,
quando do sonho acordar,
novos inventos irei recriar
usando como matéria prima
o Amor...

De Maria La-Salete Sá (10/05/1996)

DEIXA QUE ME PERCA

Deixa que me perca na exploração de ti,
                          da tua alma, do teu corpo...
Deixa que me perca no labirinto
                          da tua mente, dos teus sentidos...
Deixa que me perca
                          e me encontre depois...

Quem sabe não descobrirei
                         novas facetas de mim...

De Maria La-Salete Sá (03/05/1996)

ESTOU AQUI... E...

Estou aqui...

Quando a solidão te pesar,
estou aqui.
Quando sentires falta de um sorriso,
estou aqui.
Quando as palavras não tiverem ouvintes,
estou aqui.
Quando o silêncio te oprimir, estou aqui.

E quando te lembrares
que poderá haver alguém que te queira...

...ESTOU AQUI.


                                           E.....

De noite ou de dia,
a dormir ou acordado,
pensa em mim, procura-me.
Quero ancorar no teu porto
ou ser o teu porto.
Quero ser-te presente
e ter-te presente,
quero que a todo o momento
penses em mim...

... como eu penso em ti.

De Maria La-Salete Sá ( 1996)




CONTO OS DIAS...

Pensa em mim.
E, mesmo que o pensamento seja fugaz ou fugidio,
tenta agarrá-lo o mais que puderes.

Então delineia o  meu rosto,
procura recordar as minhas feições,
o meu aspecto,
o meu olhar.

Que vês? Que sentes?

Repara agora no meu sorriso.
Imagina um sorriso feliz e transparente.
Quero contagiar-te com ele.
Fecha os olhos. Para um bocadinho.

Que imagem ficou na retina desses olhos d'alma?

Tenta observar a minha saudade
e a minha nostalgia...

És capaz de sentir esta ansiedade
na contagem dos dias que faltam para o teu regresso?

Não. Com certeza não és capaz.
Nem tampouco de recordar o meu olhar,
o meu sorriso,
a minha saudade.

Que pena!

Pena, porque agarro todos os pensamentos
que me levam a ti,
procuro imaginar o que farás,
como o farás, como estarás...
Retenho o teu olhar azul e intenso
nesse sorriso profundo e brincalhão,
a forma como os teus olhos procuram penetrar dentro de mim,
o toque das tuas mãos,
os beijos fugidios e ao de leve no meu rosto...

E continuo a contar os dias...

Quanta saudade!
Quanta ansiedade!

De Maria La-Salete Sá  (09/04/1996  18h 37m)


É VERDADE

É verdade que te penso,
que recordo o azul profundo desse olhar,
que te busco no afã, no lazer, na solidão...

É verdade que te penso
no carinho, na amizade, na doação...

É bem verdade que te penso.

Só não sei definir o pensamento
e/ou o sentimento...

Somente amizade? Carinho? Doação?

Quem me dera saber...
... o que está por detrás deste empolgamento
que te lembra, que te reclama,
que diz sentir saudades na tua ausência,
que procura reminiscências
na noite,
no dia,
no eterno,
no momento...

Será só empolgamento
ou o despertar de outro sentimento?
Ou não será apenas a vontade de te abraçar
e de repartir a nossa solidão?

Pois também é grande verdade
que somos dois seres solitários
nesta imensidão...

(01/06/1996  17h 35m)

De Maria La-Salete Sá



COGITAÇÕES

Às vezes parece que a vida corre tão apressada que temos dificuldade em acompanhar-lhe os passos. E, ao pensar nisso, interrogo-me se será a vida que corre demasiado depressa ou se será a minha/nossa indolência que nos impede de a seguir e de a viver em plena consciência, no "aqui e agora", no eterno presente. Ao constatar este facto dou-me conta de como andamos tanto tempo adormecidos, perdidos em cogitações sobre o futuro e/ou em recordações do passado, como se, saltitando entre estas duas vertentes tivéssemos a segurança e a certeza de estarmos a viver em pleno...
Pois é, pelo menos eu assim penso, de tão metidos com os nossos problemas, com a nossa realidade quotidiana - essa ilusão a que chamamos realidade - julgamos que a vida nos foge, quando somos nós que dela fugimos, quando somos nós que nos esquecemos que aqui estamos por escolha e decisão próprias.
E, porque disso me estou a dar conta (mais uma vez!), só me resta parar. E parar não é sinónimo de ficar na inércia, parar é ouvir a minha alma que me diz:
" VIVE O MOMENTO, vive intensamente cada segundo do tempo que aqui vais passando..."
E eu continuo na exploração da mensagem e... digo-me que não só devo viver cada momento, mas também devo viver e agradece porque cada instante é uma eternidade, é uma morte e um renascimento, é a (re)construção do SER que habita neste corpo que, muitas vezes digo meu e que tantas outras digo que sou eu.

Hoje estou introspectiva, hoje sei que preciso de ouvir o silêncio da minha alma...

De Maria La-Salete Sá