terça-feira, 27 de novembro de 2012

QUANDO QUIS VESTIR MEU POEMA…




Quando quis vestir meu poema
Com roupagens de jardim,
Parei, pensei, indaguei:
Que flor escolherei?
São tão belas todas elas,
Rosas brancas, amarelas?
Violetas ou jasmim?...
Cravos, petúnias, gerberas?…
Junquilhos ou outras que tais?…
Tantas flores sorridentes,
Coloridas, perfumadas,
Lindas e naturais…
Mas… meu poema é tão simples,
Tão humilde, tão só ele…

Então o que fazer?
Vou levá-lo ao jardim,
Pedir-lhe para escolher.

E o meu humilde poema
Depois de olhar em redor
Escolheu um lírio campestre,
Flor roxa, flor silvestre,
Lírio roxo, cor da paixão…

Com ele vesti meu poema!
E que lindo que ficou!
E o lírio roxo, desde então,
É a minha flor de eleição.

PIRRALHITO...



Pirralhito, pequenita,
Cinco tostões de gente,
Era assim minha sobrinha.
Irrequieta até mais não,
Mas criança sempre contente.
Gostava de cantar,
Adorava saltar e correr,
Mas o que mais gostava
Era mesmo de dançar!
Meu irmão tocava harmónica
E ela rodopiava,
Rodopiava,
Tal pião a rodar , a rodar…


De Maria La-Salete Sá

TOC TOC TOC NA MINHA JANELA...

Ainda cedo, manhã a despontar, ouvi um leve toque na janela do meu quarto… Acordei um tanto ou quanto estremunhada, esfreguei os olhos e fui ver quem ou o quê que batia levemente na minha vidraça… Pois nem queiram saber! Era um raio de sol que se escapulira antes que os outros irmãos e o pai acordassem!
- Que fazes aqui tão cedo? Ainda não amanhece e…
- Psiu… Fala baixinho, não despertes ainda a aurora. Eu sei que ainda é cedo, mas ouvi o teu sonho, não te lembras de me teres chamado?
-Não, não me lembro…  Mas conta lá, que te disse eu?
-Sonhavas que eu te ia abandonar, agora que o Verão está a acabar. E eu vim para te dizer que, mesmo findo o Verão, o meu pai SOL e nós, os seus filhos, jamais vos deixaremos, sempre seremos a vossa luz, o vosso calor.
- Mas é verdade que estareis mais tempo ausentes, vem aí o Outono, depois o Inverno…
- Sim, também temos que descansar para repor as energias das muitas horas em que temos estado despertos desde que chegou a Primavera, até ao pico do Verão. Vamos (e já e
stamos) dormir um pouco mais, mas, enquanto acordados, e enquanto o pai UNIVERSO deixar, estaremos a envolver-vos em calor estival. Só peço que aproveitem esta dádiva extra que o UNIVERSO vos está a conceder, aproveitem e … agradeçam, ELE ficará feliz.

De Maria La-Salete Sá

HORA DA MAGIA...



Esta é a hora da magia,
hora de brincar na floresta da fantasia,
porque o dia está a findar.
É hora de procurar o sonho
no labirinto da imaginação.
Percorro a floresta da fantasia,
em busca de seres de magia…,
em busca dos sonhos que quero sonhar
quando finalmente a noite chegar.
Surpresa!
Já vem a fada Sininho,
com ela o Grilo Falante,
Pinóquio e Peter Pan.
Tanta luz, tanto amor, tanta alegria
nesta floresta da fantasia!
Vem correndo a Cinderela,
saltitando os Três Porquinhos,
a avozinha e Capuchinho
Alice e o Chapeleiro…
a ver quem chega primeiro
para meus sonhos povoar.
E, como não sei quem escolher
abro as portas do meu sonho,
para que eles possam entrar.
E juntos aqui estamos,
na distribuição deste miminho,
de feliz noite e bom soninho!

De Maria La-Salete Sá

“UM SORRISO DA HELENA”




Fechei os olhos, mergulhei na minha alma
Para aí os abrir...
Então espraiei o olhar pelas flores que me sorriam...
Luminosas,
Belas,
Brancas, encarnadas, roxas, amarelas,
De mil cores adornadas,
De mil aromas perfumadas...
Deleitei-me nesse encanto,
Quis saber quem com tanto desvelo as tratava,
Quem assim tanto as amava!...
Ainda nisto pensava
E eis que junto de mim chegava
Com sorriso encantador,
Helena, fada-flor,
A jardineira do amor
Que neste jardim reinava!


De Maria La-Salete Sá


LOUCURA DE AMAR




Quando tuas mãos 
se perdem no meu corpo
em meandros de sedução...,
quando a tua boca me procura
ávida de paixão...
meu desejo cresce
e se renova
em cada toque...
... então
entrego-me a ti
louca de prazer!...

E é tão forte esse querer
que me absorve por inteiro,
que me tira a razão...

Fica depois, no sentimento,
a beleza do momento
feito de loucura
e emoção,
feito entrega e vivência
plena de paixão...

... e eu,
em teus braços abandonada,
quedo-me
por fim, deleitada!

De:
Maria La-Salete Sá

NÃO AMO... AMAS...




Amo.
Desta forma tão solitária,
tão grande,
tão forte e tão una.

Amo.
Um amor sem nome,
sem rosto,
sem forma nem rótulos.

Apenas amo.

Nesta solidão apetecida,
nesta forma de estar presente,
neste jeito de Ser
onde sou e tu és,
onde não sou nem ninguém é.

Mas onde...
sinto em mim o TEU olhar
a penetrar-me, a dar-me força,
onde sinto a TUA mão que me ampara
quando ando perdida...

É isso, Senhor, é isso que vivo
e por isso que Amo...
Amo? Solitária...? Não, não sou eu que amo...

És TU que amas através de mim.

E assim, lentamente, aprendo a dar-me
e a ser canal da TUA força, da TUA energia.


De Maria La-Salete Sá