terça-feira, 16 de abril de 2013

CUSTOU, MAS… JÁ ME ENCONTREI!




Há dias em que mal me reconheço e hoje é um desses dias…
Parece que acordei do avesso, sinto-me “estrangeira” no meu corpo e no meu espaço, sinto-me “não pertencente” ao lugar e ao tempo em que estou…
Meu corpo está cansado sem que nada fizesse para me cansar, meus olhos querem fechar-se, não porque esteja com sono, mas porque querem ausentar-se e reencontrar (ou relembrar) onde e como se alterou a rota de tranquilidade em que se movimentavam meus passos, meus pensamentos, meus sentimentos, minhas emoções…
Tudo está baralhado, tudo está desencontrado…, eu estou desconexa de mim, esta que agora estou não é quem sou… e não sei onde me encontro nem onde me procurar… E esta que agora está também não se reconhece…, também não é…
Será que esta que agora está no lugar daquela que sou é o reflexo do que ainda está por realizar para que (quem sou) reentre na rota da tranquilidade – aparentemente – perdida?
E, neste questionamento, esta que agora estou começa a vislumbrar que afinal quem sou e quem estou…, são o verso e o inverso de mim, são eu na busca das “pontas perdidas” ao longo do percurso, são eu a lembrar que é necessário entrar nas catacumbas da consciência, despedir-me de memórias e conceitos ultrapassados e escravizantes, sabendo que fossem eles quais fossem, já cumpriram os seus objetivos e serviram para que chegasse até onde hoje estou e ao que hoje sou…
E já começo a sentir-me eu, neste corpo, neste espaço, neste tempo! Eu sou quem sou e quem estou!

De Maria La-Salete Sá (16/04/2013)

domingo, 24 de março de 2013

QUANDO...




Quando eu morrer
não quero que me chores
nem me leves "bouquets",
quero que me recordes com carinho
e me ofereças uma flor,
uma rosa vermelha que possa cheirar
e guardar
junto ao coração.
Assim ter-te-ei sempre presente.

De Maria La-Salete Sá

segunda-feira, 11 de março de 2013

LIVRO




Nos tempos em que ainda não havia tempo,
Naquele tempo antes ainda de eu nascer,
Naquele tempo… Deus deu-me um livro.
Era um livro pequenino,
Pequenino que nem eu.
Deus deu-me um livro.
Um livro para abrir em cada dia da minha vida,
da minha vida depois de nascer.
Era um livro pequenino,
nem sequer tinha páginas nem folhas.
Também não tinha idade,
mas hoje…
Hoje é um livro com sessenta anos,
com tantas folhas que não consigo contar.
Tem folhas com histórias felizes,
folhas esborratadas com lágrimas,
algumas amarrotadas…
Mas é o meu livro,
aquele que Deus me deu
e onde a vida escreveu...
…. e continuará a escrever
até quando Deus quiser!

De Maria La-Salete Sá (05/03/2013)
(imagem do google)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

DIVAGANDO...

Hoje estou adoentada, melhor dizendo, estou com gripe, um pouco febril, mas tudo passará.
E, porque estou adoentada, apetece-me divagar..., escrever, divagando... Mas, para escrever, ou para divagar, preciso de um tema, de uma ideia, de uma palavra... E... nada me ocorre! Bolas! vou divagar sobre... o quê?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

TRÊS FLORES, UMA AVENTURA



Era inverno, um desses dias de inverno em que o sol também desponta, como a querer anunciar que, logo que ele se vá embora, chegará a primavera. E nesse dia de inverno, apesar do sol que se abria em sorrisos contagiantes, o frio também se fazia sentir. Era só ver como as pessoas andavam tão vestidas, mas tão vestidas, que delas só se lhes via o rosto! Eram casacões, eram botas, eram gorros, eram lenços, eram luvas, sei lá mais o que as pessoas usavam para esquecerem o frio.
E quem assim observava e assim cogitava era o Lírio Roxo que, mesmo neste frio resolvera sair para o jardim onde, até então, descansara como broto no rizoma debaixo da terra. Tinha tido um sonho (ele nem sabe bem se foi um sonho) que lhe dizia para acordar, para sair da terra. E, como este era um Lírio aventureiro, fez a vontade ao sonho (não, que ele fosse um “lírio mandado”, não , ele fez a vontade ao sonho, porque quis descobrir como seria acordar antes do tempo dos lírios acordarem no jardim!)
 Estava nestes pensamentos quando sentiu um toque, uma espécie de carícia no rosto, de alguém que lhe sussurrava:
- Bom dia, amigo! O dia está lindo, o sol convida à alegria, à Vida, não é verdade? Foi por isso que resolveste aparecer? É que tu não costumas estar por aqui nesta época do ano, já não te via há muito tempo!
- Olá, Rosa Amarela! Também já acordaste?! – e, sorrindo, continuou -É verdade, tive um sonho engraçado, penso que foi um sonho, mas nem sei...! estava eu bem deitadinho na minha cama-rizoma quando ouvi a voz do sol:  «Acorda, olha que eu vou iluminar o jardim, e desafio as flores mais corajosas a sairem... tens coragem para sair e desfrutar das maravilhas da natureza fora do teu tempo? »  Eu não respondi, mas pensei: «Claro que tenho!”» e, mal pensei, logo me levantei, espreguicei e... aqui estou!
- Pois – continuou a Rosa Amarela – também eu ouvi o chamamento, ainda estava botão muito apertadinho, mas ao ouvir tal desafio, logo me espreguicei e abri!
- Psiu, psiu! – murmurou uma vozinha mesmo ali junto ao solo.
Intrigados, o Lírio e a Rosa logo desviaram o olhar para ver quem seria desta vez. E não é que era o Amor-Perfeito que também saíra fora do seu tempo!
Agora, e já com ânimo triplicado (eram três flores aventureiras!), mal cabendo em si de contentes, olhavam admiradas umas para as outras, até que o Lírio sugeriu:
- Ora, já que é dia de aventura, que seja uma aventura! E se fôssemos até à praia?
- Mas como é que vamos, se estamos presas pelos caules, a não ser que alguém nos colha e nos leve daqui - disse o Amor-Perfeito
E, no instante em que o Amor-Perfeito acabou de falar, um jovem rapaz que por ali passava com a sua namorada, baixou-se,  colheu o amor-perfeito e ofereceu-o à jovem.
-Que lindo!- disse a menina – E olha aquela rosa, tão bonita, tão viçosa, radiante como o sol! Vou levá-la também, ficará linda na minha jarra!
- E este lírio? Não vamos deixá-lo aqui sozinho, sozinho fica triste. Tu ficas com a rosa e o amor-perfeito, eu fico com o lírio...
- Não, não vamos separá-los, ficam juntinhos, arranjarei maneira de não os separar. Agora vamos..., aonde vamos?
- E se fôssemos até à praia, andar um bocadinho na areia, ouvir o mar, que te parece, António?
- Acho uma boa ideia! Vamos então até à beira-mar!- respondeu António.
(Eu penso que  a Marlene – assim se chamava a namorada do jovem António - entende a linguagem das flores, ela deve ter ouvido a sugestão do amor-perfeito, não acham?)
E lá foram abraçadinhos (não se sabe se por causa do frio, se magnetizados pelo amor) até à praia. Aí chegados tiraram botas e meias, arregaçaram as calças e preparavam-se para uma corrida na areia.
- Não podemos correr com as flores, temos que as proteger da deslocação do ar enquanto corrermos. Vou deixá-las aqui junto do nosso calçado – sugeriu  Marlene.
E, enquanto António olhava e pensava para que lado correriam, se para norte, se para sul, Marlene desenhou um grande coração na areia e deixou dentro dele as três flores. Esta seria a maneira mais original e mais pura de lhes dizer o quanto delas gostava. Mas não foi só isso, ela sentiu-se Rosa Amarela, e achou que o António podia ser o Amor-Perfeito. Ainda pensava, embebecida, na ternura de ser Rosa e do seu António ser Amor-Perfeito quando ouviu o lírio que, numa vozinha quase sumida perguntou: «E eu? Também quero ser alguém, mais do que uma simples flor..., ou será que não mereço?»
Então Marlene abriu ainda mais o coração e segredou:« Não fiques triste, meu Lírio Roxo, tu ficas mesmo bem como “sendo a minha irmã Maria”. Olha, até lhe vou telefonar e convidá-la a vir ter connosco e, se não te importares, ofereço-te a ela, pois sei que, no mundo das flores, és a sua favorita.»
E, ainda não tinha acabado de formular o pensamento já Maria estava no areal. Não precisou sequer de telefonar. Talvez os seus pensamentos se cruzassem, não sei bem, mas sei que entre Maria e as flores, bastava o pensamento para que comunicassem. Até é bem possível que entre Marlene e Maria também tenha acontecido assim!
Ora já estava tudo preparado, já podiam andar ou correr na areia, mas Maria preferiu ficar ali sentada absorvendo a maresia, deixando os nossos pombinhos desfrutar de uma corrida pela praia.
Ali sentada olhava enternecida as três flores, feliz por saber que aquele Lírio Roxo iria com ela. Pensando nesta suave e doce alegria, parou o seu olhar bem no centro do coração. Havia qualquer coisa de diferente ali, que chamou a sua atenção. As flores pareciam luminosas, luminosas ou iluminadas, ela nem sabia bem definir o que via... Então, muito atentamente, fixou o centro desse coração, sentindo-se mergulhar nele, sentindo-se também envolta pela mesma luz que agora brilhava ainda mais intensamente. Já não era só ela e as flores, nesse coração de luz estavam todas as flores, todas as pessoas, todas... tudo! E desse “tudo”, emanava o amor, a beleza, a sabedoria, a paz... «Que coisa linda!», pensou Maria.
- Eh! Maria, acorda! Não se deve dormir na praia, por acaso não é verão, não está calor, caso contrário bem podias apanhar um escaldão!
- Sabes mana? Parece que viajei até ao coração do Universo! Parece, não! Mesmo que tenha sido a sonhar, eu estive lá, estive eu e estiveram vocês. E  vi com quanto amor, quanta beleza, quante sabedoria, quanta paz ele nos abraça diariamente! E soube que tu e o António não estão juntos por acaso, vocês são complemento um do outro.

Agora estas três flores, além de flores, são a essência das três pessoas a quem estão tão intimamente ligadas.
E o jardim, mesmo sem elas, está prestes a desabrochar com mais surpresas para fazer as delícias dos namorados ( e não só), uma vez que o tempo já vai a caminho da Primavera.

De Maria La-Salete Sá



terça-feira, 29 de janeiro de 2013

LUZIA MARIA




Luzia Maria
Tinha a mania
Que tudo sabia.
Que sabia ler,
Que sabia escrever
Que até sabia
Inventar
História de encantar.

E, se o dizia,
Assim fazia
(ou pensava que fazia…)

Até que um dia…
Um dia de grande invernia,
A Luzia Maria
Descobriu
Que nem tudo sabia…
Era tanta a chuva,
Era tanto o vento,
Que o seu guarda-chuva
Virou vira-vento…
E Luzia Maria
Era marionete
Ao sabor do tempo…
Gira para aqui,
Rodopia para ali,
Nem guarda-chuva,
Nem chapéu, nem lenço
Ela soube segurar,
Tudo o vento levou,
Tudo foi pelo ar…

… E Luzia Maria
Aquela que pensava
Que tudo sabia,
Nesse dia
De grande invernia
Descobriu
Que ter a mania
Até parecia
Uma tirania,
Uma vaidade
Sem serventia.


De Maria La-Salete Sá (23/01/2013)


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

CONTIGO



Contigo
a minha vida
ganhou outro sentido...

Fez de mim
a mulher amante
e de ti
o amante amigo.

Colocou no meu sorriso
mais beleza
e mais cor,
fez-se encanto...

E o encanto
é a magia
que escreve a sinfonia
com as notas do amor.

De Maria La-Salete Sá