terça-feira, 21 de maio de 2013

AI QUE SAUDADES…










Que saudades do tempo em que…
Professora-menina entre meninos
Brincava ensinando
Saberes académicos
Reaprendia brincando
Saberes de infância
Ai que saudades
Das tropelias,
Até das arrelias
Do tempo em que os via crescer…
Ai que saudades
Desses tempos em que…
Fui aluna das minhas crianças!

De Maria La-Salete Sá (04/05/2013)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

ONDE VAIS PARAR PORTUGAL?





As pedras da calçada desenharam liberdade,
As areias da praia escreveram fraternidade,
A aragem do vento cantou igualdade,
O sol derramou raios de solidariedade
E o homem de coração puro sonhou…
Sonhou e acreditou na liberdade,
Sonhou e fez-se fraternidade,
Sonhou e proclamou igualdade,
Sonhou e viveu a solidariedade…
Foi um sonho lindo,
Tão lindo que o fez esquecer
Que ao lado havia outros homens,
De sorrisos enganadores
Homens sem coração,
Magnatas de corrupção,
Senhores de desmedida ambição
Mas eloquentes oradores.
Prometeram mais liberdade,
Proclamaram fraternidade,
Mal falaram de igualdade
Assim como de solidariedade…
Mas…
O homem de coração puro
Ainda acreditou…
Até que reparou
Que nas pedras da calçada
Já nada restava
Do desenho liberdade,
Que o mar já apagara
A palavra fraternidade,
Que o vento se tornou agreste,
Não cantando igualdade
E que o sol se tornou tão quente
Que seus raios nem sempre são solidariedade…

E é este o retrato do me país,
Uma história surreal
Esquecidos os ideais de Abril
É caso para perguntar:
“Onde vais parar, Portugal?”

De Maria La-Salete Sá (01/05/2013)

MÃOS (idosas)





Tantos anseios, tantos anos,
Tanta vida já vivida
Entre risos, entre lágrimas,
Entre sonhos coloridos,

Também entre desenganos…

Ah! mãos que marcais a vida,
Nessas rugas bem vincadas,
Vós que fostes guarida,
Afago, justiça, carinho
Sois o mapa do tesouro
O embalo da ternura
Do amor que ainda perdura…

E nesse cajado apoiadas
Transportais nas vossas palmas,
Amor límpido, vivido,
Amor jovem, sempre novo.
Sois as mãos curtidas da vida,
Deformadas e com nós,
Sois mãos que carregam magia
Sois as mãos dos nossos avós

De Maria La-Salete Sá


terça-feira, 16 de abril de 2013

CUSTOU, MAS… JÁ ME ENCONTREI!




Há dias em que mal me reconheço e hoje é um desses dias…
Parece que acordei do avesso, sinto-me “estrangeira” no meu corpo e no meu espaço, sinto-me “não pertencente” ao lugar e ao tempo em que estou…
Meu corpo está cansado sem que nada fizesse para me cansar, meus olhos querem fechar-se, não porque esteja com sono, mas porque querem ausentar-se e reencontrar (ou relembrar) onde e como se alterou a rota de tranquilidade em que se movimentavam meus passos, meus pensamentos, meus sentimentos, minhas emoções…
Tudo está baralhado, tudo está desencontrado…, eu estou desconexa de mim, esta que agora estou não é quem sou… e não sei onde me encontro nem onde me procurar… E esta que agora está também não se reconhece…, também não é…
Será que esta que agora está no lugar daquela que sou é o reflexo do que ainda está por realizar para que (quem sou) reentre na rota da tranquilidade – aparentemente – perdida?
E, neste questionamento, esta que agora estou começa a vislumbrar que afinal quem sou e quem estou…, são o verso e o inverso de mim, são eu na busca das “pontas perdidas” ao longo do percurso, são eu a lembrar que é necessário entrar nas catacumbas da consciência, despedir-me de memórias e conceitos ultrapassados e escravizantes, sabendo que fossem eles quais fossem, já cumpriram os seus objetivos e serviram para que chegasse até onde hoje estou e ao que hoje sou…
E já começo a sentir-me eu, neste corpo, neste espaço, neste tempo! Eu sou quem sou e quem estou!

De Maria La-Salete Sá (16/04/2013)

domingo, 24 de março de 2013

QUANDO...




Quando eu morrer
não quero que me chores
nem me leves "bouquets",
quero que me recordes com carinho
e me ofereças uma flor,
uma rosa vermelha que possa cheirar
e guardar
junto ao coração.
Assim ter-te-ei sempre presente.

De Maria La-Salete Sá

segunda-feira, 11 de março de 2013

LIVRO




Nos tempos em que ainda não havia tempo,
Naquele tempo antes ainda de eu nascer,
Naquele tempo… Deus deu-me um livro.
Era um livro pequenino,
Pequenino que nem eu.
Deus deu-me um livro.
Um livro para abrir em cada dia da minha vida,
da minha vida depois de nascer.
Era um livro pequenino,
nem sequer tinha páginas nem folhas.
Também não tinha idade,
mas hoje…
Hoje é um livro com sessenta anos,
com tantas folhas que não consigo contar.
Tem folhas com histórias felizes,
folhas esborratadas com lágrimas,
algumas amarrotadas…
Mas é o meu livro,
aquele que Deus me deu
e onde a vida escreveu...
…. e continuará a escrever
até quando Deus quiser!

De Maria La-Salete Sá (05/03/2013)
(imagem do google)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

DIVAGANDO...

Hoje estou adoentada, melhor dizendo, estou com gripe, um pouco febril, mas tudo passará.
E, porque estou adoentada, apetece-me divagar..., escrever, divagando... Mas, para escrever, ou para divagar, preciso de um tema, de uma ideia, de uma palavra... E... nada me ocorre! Bolas! vou divagar sobre... o quê?