terça-feira, 21 de maio de 2013

MINHA VIDA, MINHA FAMILIA



Minha vida, minha família:
1º- Meus pais, meus avós e meus irmãos, uma família feliz.
2º- Meu casamento, segunda família, uma família feliz nos primeiros tempos, mas cedo começou a ruir. Três filhos, uma menina, o primeiro rebento, (que aos dois meses nos deixou, vítima de meningite tuberculosa), dois rapazes com diferença de seis anos de idade, anos estes vividos entre descrenças e esperanças… Uma família que resistiu dezoito anos!
3º- Minha família amplamente alargada! Onze anos após o divórcio, novo casamento. Desta vez “herdei”, além do marido, duas “filhas”, dois “genros” e quatro “netos”.
E, como as crianças já não tinham avó materna eu fui de imediato aceite e tratada como avó. Os meus filhos e as filhas do meu marido tratam-se e apresentam-se como irmãos, para os netos (herdados) os meus filhos são os tios e o meu neto (de sangue) o primo mais novo.
Mas todas as minhas “famílias” continuam no meu coração. Dos meus avós, pais e irmãos jamais me afastei ou afastarei, nem mesmo na morte (já só me resta o pai e os irmãos, mas os outros estão vivos no amor), com o meu primeiro casamento, pelo desamor, fui aprendendo a valorizar as pequenas coisas da vida, a descobrir um sorriso no meio das lágrimas, a ver um arco-íris no meio das tempestades, fui aprendendo que tudo na vida tem a sua razão de ser e que apenas eu sou responsável pelo que de bom ou de menos bom me acontece.
E, além destas famílias ainda tenho a grande família composta pelos meus amigos (reais e virtuais) e ainda a família universal, pois somos todos UM.

De Maria La-Salete Sá

ASSIM NASCEU…





Foi numa tarde,
numa amena tarde de primavera
em que o sol sorriu,
que as ondinas cantaram…
E ao seu doce e belo canto
entre acordes de harpa
tocada pelos dedos do vento
as areias dançaram nas dunas
em bailado cadenciado…
O seu canto ecoou suave
tal brandura de ternura
que em leveza de alegria
envolveu minha cidade!
Bailaram areias nas dunas,
folhagens dançaram no ar,
meninos e meninas cantaram,
mulheres e homens sonharam
com um mar de provisão,
com sustento e ganha pão!
Foi então na primavera
numa tarde soalheira
que em Espinho nasceu
o homem do mar, pescador
e a nossa tão linda Vareira!

De Maria La-Salete Sá (09/05/2013)

AI QUE SAUDADES…










Que saudades do tempo em que…
Professora-menina entre meninos
Brincava ensinando
Saberes académicos
Reaprendia brincando
Saberes de infância
Ai que saudades
Das tropelias,
Até das arrelias
Do tempo em que os via crescer…
Ai que saudades
Desses tempos em que…
Fui aluna das minhas crianças!

De Maria La-Salete Sá (04/05/2013)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

ONDE VAIS PARAR PORTUGAL?





As pedras da calçada desenharam liberdade,
As areias da praia escreveram fraternidade,
A aragem do vento cantou igualdade,
O sol derramou raios de solidariedade
E o homem de coração puro sonhou…
Sonhou e acreditou na liberdade,
Sonhou e fez-se fraternidade,
Sonhou e proclamou igualdade,
Sonhou e viveu a solidariedade…
Foi um sonho lindo,
Tão lindo que o fez esquecer
Que ao lado havia outros homens,
De sorrisos enganadores
Homens sem coração,
Magnatas de corrupção,
Senhores de desmedida ambição
Mas eloquentes oradores.
Prometeram mais liberdade,
Proclamaram fraternidade,
Mal falaram de igualdade
Assim como de solidariedade…
Mas…
O homem de coração puro
Ainda acreditou…
Até que reparou
Que nas pedras da calçada
Já nada restava
Do desenho liberdade,
Que o mar já apagara
A palavra fraternidade,
Que o vento se tornou agreste,
Não cantando igualdade
E que o sol se tornou tão quente
Que seus raios nem sempre são solidariedade…

E é este o retrato do me país,
Uma história surreal
Esquecidos os ideais de Abril
É caso para perguntar:
“Onde vais parar, Portugal?”

De Maria La-Salete Sá (01/05/2013)

MÃOS (idosas)





Tantos anseios, tantos anos,
Tanta vida já vivida
Entre risos, entre lágrimas,
Entre sonhos coloridos,

Também entre desenganos…

Ah! mãos que marcais a vida,
Nessas rugas bem vincadas,
Vós que fostes guarida,
Afago, justiça, carinho
Sois o mapa do tesouro
O embalo da ternura
Do amor que ainda perdura…

E nesse cajado apoiadas
Transportais nas vossas palmas,
Amor límpido, vivido,
Amor jovem, sempre novo.
Sois as mãos curtidas da vida,
Deformadas e com nós,
Sois mãos que carregam magia
Sois as mãos dos nossos avós

De Maria La-Salete Sá


terça-feira, 16 de abril de 2013

CUSTOU, MAS… JÁ ME ENCONTREI!




Há dias em que mal me reconheço e hoje é um desses dias…
Parece que acordei do avesso, sinto-me “estrangeira” no meu corpo e no meu espaço, sinto-me “não pertencente” ao lugar e ao tempo em que estou…
Meu corpo está cansado sem que nada fizesse para me cansar, meus olhos querem fechar-se, não porque esteja com sono, mas porque querem ausentar-se e reencontrar (ou relembrar) onde e como se alterou a rota de tranquilidade em que se movimentavam meus passos, meus pensamentos, meus sentimentos, minhas emoções…
Tudo está baralhado, tudo está desencontrado…, eu estou desconexa de mim, esta que agora estou não é quem sou… e não sei onde me encontro nem onde me procurar… E esta que agora está também não se reconhece…, também não é…
Será que esta que agora está no lugar daquela que sou é o reflexo do que ainda está por realizar para que (quem sou) reentre na rota da tranquilidade – aparentemente – perdida?
E, neste questionamento, esta que agora estou começa a vislumbrar que afinal quem sou e quem estou…, são o verso e o inverso de mim, são eu na busca das “pontas perdidas” ao longo do percurso, são eu a lembrar que é necessário entrar nas catacumbas da consciência, despedir-me de memórias e conceitos ultrapassados e escravizantes, sabendo que fossem eles quais fossem, já cumpriram os seus objetivos e serviram para que chegasse até onde hoje estou e ao que hoje sou…
E já começo a sentir-me eu, neste corpo, neste espaço, neste tempo! Eu sou quem sou e quem estou!

De Maria La-Salete Sá (16/04/2013)

domingo, 24 de março de 2013

QUANDO...




Quando eu morrer
não quero que me chores
nem me leves "bouquets",
quero que me recordes com carinho
e me ofereças uma flor,
uma rosa vermelha que possa cheirar
e guardar
junto ao coração.
Assim ter-te-ei sempre presente.

De Maria La-Salete Sá