terça-feira, 23 de julho de 2013

SEMPRE QUE O DIA NASCE


A alvorada acordou,
despertou a madrugada.
Logo, logo vem a aurora
atrapalhada,
estremunhada...
em seu vestido de luz...

Abre-se o sol em seu esplendor,
vem fecundar a terra,
em ato de puro amor...

Vai-se então a madrugada
e já dorme a alvorada...

Pássaros esvoaçam contentes
por entre o brilho solar
e, no seu esvoaçar,
deixam nas cantigas ao vento
sementes de bem querer...

Sementes que, atiradas ao acaso,
são partículas de esperança
a germinar, a florescer...
não apenas hoje,
mas em cada dia que nascer.

De Maria La-Salete Sá (23/07/2013)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

QUIMERA

Queria que fôssemos flores agitadas pelo vento
e que de teus estames
se soltasse pólen para os meus ovários...

Então... (como que por magia)
outra flor  mais bela 

ressurgiria!

De Maria La-Salete Sá (27/01/1988  01h 00m)


terça-feira, 2 de julho de 2013

PROJETO DE VIDA...




Quando eu nasci
trouxe comigo um projeto de vida,
de grandes trajetos
então conhecidos,
hoje incertos...
A meu lado brincavam os anjos
sussurrando condutas,
orientando o caminho...
Cresci um pouco,
não mais vi os anjos,
fiquei só eu, o anjinho...
Ofuscadas as condutas,
baralhados os caminhos,
segui numa rota... de busca,
em busca da rota traçada.
Hoje, nos labirintos da vida
dentro de mim procuro o mapa,
o mapa do trajeto esquecido...
Descubro encontros e desencontros,
mapa de cartas rasgadas 
e pedaços vazios...
Mas neste labirinto de incertezas
encontro a certeza
de ter percorrido caminhos 
que me levam ao encontro...

... do CAMINHO.




De Maria La-Salete Sá (02/09/1995)

segunda-feira, 1 de julho de 2013

SERÁ QUE MARGARIDA SONHOU?...


Ontem o dia esteve quente, tão quente que, sendo primavera mais parecia verão. Talvez devido ao calor, Margarida sentiu-se mais cansada do que habitualmente, razão pela qual, depois da usual caminhada pela beira mar, feita sempre ao final da tarde, mal chegou a casa descalçou-se e foi direitinha para o terraço. Ficou uns instantes absorta a olhar o mar, sem tampouco saber em que estava a pensar. E, de repente, como que acometida de um cansaço inusitado, deixou-se cair na sua cadeira predileta, não só para descansar, mas para tentar descobrir o porquê dessa súbita nostalgia que, vinda não sabia de onde, nela se alojara com toda a intensidade.

E, mal se perguntou a que se devia tal acometimento, de imediato lhe vieram as memórias (há muito tempo quase esquecidas) da sua infância.

Margarida pensava, pois, na sua infância… 
Que saudades! Que saudades do tempo em que acreditava nas fadas, nos duendes… Que saudades do tempo em que ela brincava e conversava com eles (embora num diálogo-monólogo), que saudades do tempo em que lhes dava vida!...
E assim sentada na sua cadeira predileta, embrenhada nestes pensamentos, a protagonista desta aventura fechou os olhos e… partiu rumo ao seu mundo (aparentemente) esquecido. E que aventura, meu Deus!...
Entrou no jardim, no jardim onde, quando menina, “via” uma fada em cada flor, um duende ou outro ser minúsculo a tratar dos canteiros, “ouvia” um raio de sol a saudá-la, corria por entre as árvores tentando alcançar as borboletas (que às vezes se transformavam em lindas meninas esvoaçantes, ou em pérolas de luz colorida escondendo-se e brincando por entre as folhagens …)
Mas, para seu espanto, nesse jardim onde estava a Margarida-mulher também estava a Margarida-criança. Que feliz se sentia a Margarida correndo e brincando com a Margarida! Brincaram, brincaram, brincaram, até que a Margarida-menina, já cansada, depositou nas mãos da Margarida-mulher três flores para que jamais duvidasse que a magia está presente na vida, basta acreditar.
E Margarida sorriu. Embora já acordada mantinha os olhos fechados como que a “saborear” o delicioso sonho que tivera enquanto dormitara na sua cadeira predileta!
Só que… mal abriu os olhos… nem queria acreditar no que via! Segurava nas mãos três margaridas, as mais lindas margaridas que alguma vez já tivera oportunidade de ver! E, para completar o seu espanto, das flores saíram minúsculos seres alados que voaram até desaparecerem no horizonte!

SERÁ QUE MARGARIDA SONHOU?!...



.

De Maria La-Salete Sá (29/04/2013)

quarta-feira, 26 de junho de 2013

(Poema escrito em Janeiro/fevereiro (?) de 1988 e copiado do original, sem alterações)



Um dia
alguém bateu às portas trancadas deste coração
e lhe deu razão... então despertou
o coração…
Despertou, bateu, pulsou e viveu…
Viveu tanto que quase sucumbiu à realidade cruel
duma existência fracassada,
dum amor anulado na saudade
duma entrega em comunhão partidária
que esse alguém espezinhou e maltratou…
Sofreu na saudade o coração.
E esta saudade magoada
trazia ao dia a dia as boas
recordações,
queria mostrar ao mundo a força do amor que não morre…
A saudade… Ai a saudade!..., bela e maltratada
procurou asilo, conforto e alento…
descobriu, viveu e sentiu bons momentos…
…quase morreu…
Quando o coração julgava tê-la afastado,
anulado e enterrado,
eis que ressurgiu… imponente, dolorosa
a trazer de regresso toda a tormenta
dum amor que não morreu…

De Maria La-Salete Sá

Foto: imagem do original

terça-feira, 18 de junho de 2013

PARABÉNS!



Queria escrever um poema 
Com palavras feitas de cor,
E letras cheirando a jasmim…
Queria escrever um poema
Que só por si fosse ternura
Que levasse em cada verso
Num sorriso de alegria
Um pedacinho de mim…

E vou escrever um poema
Com a caneta da amizade,
Vou escrever com emoção,
Com alegria e com carinho:
O que a alma me diz
E que sai do coração …

E o meu poema
De palavras feitas de cor,
Com letras a jasmim
Envolve-te em ternuras,
Deseja-te as maiores venturas
E felicidade sem fim…

PARABÉNS! PARABÉNS! PARABÉNS!


(Aos meus amigos que hoje fazem anos)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

QUEM ME DERA SABER...



Quem me dera saber, amor, o que tu és!
Quem me dera saber definir-tr e sentir-te real,
quem me dera!...

Mas ao querer conhecer-te foge-me a razão,
ao querer entender-te ensombra-se-me o pensamento...
... e não sei.
Não sei, não vivo, não sinto, não defino...
Não sou.

Quem me dera ser,
ser a dona total da razão
para dar razão a este sentimento irracional
e parar as conjecturas
que me fazem perder de mim...

Quem me dera saber...

Mas somente - e tão somente - sei que...
... cada vez menos sei de ti...
Realidade? Quimera?
Talvez! Talvez... que esse ser vital...
para ser... não é

De Maria La-Salete Sá (05/12/1087)