domingo, 11 de agosto de 2013

DESASSOSSEGO


Quem souber descobrir as verdades da minha mente
obscura,
confusa, contraditória,
hipócrita e verdadeira,
serena e alvoroçada,
cheia de tudo, vazia de nada,
que corra a dizer-me,
não perca tempo a despertar-me,
... porque sem essas verdades
a minha vida é um rodopio
de loucuras
e de incertezas...

De Maria La-Salete Sá

(em "O Desassossego da Vida")


CAMINHOS DE ESPERANÇA.



Caminhos abertos de esperança
São os teus braços quando me buscam,
Teus lábios quando me sorvem,
Tuas mãos quando me percorrem,
Teu corpo ávido quando me aquece…

Caminho aberto de esperança
É o mar dos teus olhos
Onde descubro horizontes…
… novos e indefiníveis…

De Maria La-Salete Sá (21/02/1988  18h 32m)


SAUDADE PLENA



Na plenitude da minha saudade
encho-me de ti,
absorvo-me de ti,
embebo-me de ti...
... e formamos uma cosmogénese perfeita.

Tu não és tu, eu não sou eu,
apenas somos...
somos o nascimento do mundo,
do nosso mundo,
do mundo que somos nós...

E neste nascimento...
não sei onde estou, não sei onde estás,
não sei quem sou, não sei quem és...
apenas sei sorver-te... sem ver-te,
sabendo que te tenho sem ter-te...

... porque tu és pleno na minha saudade...
e eu sou a saudade da tua saudade...


De Maria La-Salete Sá (26/12/1991--- 00:05h)

terça-feira, 23 de julho de 2013

SEMPRE QUE O DIA NASCE


A alvorada acordou,
despertou a madrugada.
Logo, logo vem a aurora
atrapalhada,
estremunhada...
em seu vestido de luz...

Abre-se o sol em seu esplendor,
vem fecundar a terra,
em ato de puro amor...

Vai-se então a madrugada
e já dorme a alvorada...

Pássaros esvoaçam contentes
por entre o brilho solar
e, no seu esvoaçar,
deixam nas cantigas ao vento
sementes de bem querer...

Sementes que, atiradas ao acaso,
são partículas de esperança
a germinar, a florescer...
não apenas hoje,
mas em cada dia que nascer.

De Maria La-Salete Sá (23/07/2013)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

QUIMERA

Queria que fôssemos flores agitadas pelo vento
e que de teus estames
se soltasse pólen para os meus ovários...

Então... (como que por magia)
outra flor  mais bela 

ressurgiria!

De Maria La-Salete Sá (27/01/1988  01h 00m)


terça-feira, 2 de julho de 2013

PROJETO DE VIDA...




Quando eu nasci
trouxe comigo um projeto de vida,
de grandes trajetos
então conhecidos,
hoje incertos...
A meu lado brincavam os anjos
sussurrando condutas,
orientando o caminho...
Cresci um pouco,
não mais vi os anjos,
fiquei só eu, o anjinho...
Ofuscadas as condutas,
baralhados os caminhos,
segui numa rota... de busca,
em busca da rota traçada.
Hoje, nos labirintos da vida
dentro de mim procuro o mapa,
o mapa do trajeto esquecido...
Descubro encontros e desencontros,
mapa de cartas rasgadas 
e pedaços vazios...
Mas neste labirinto de incertezas
encontro a certeza
de ter percorrido caminhos 
que me levam ao encontro...

... do CAMINHO.




De Maria La-Salete Sá (02/09/1995)

segunda-feira, 1 de julho de 2013

SERÁ QUE MARGARIDA SONHOU?...


Ontem o dia esteve quente, tão quente que, sendo primavera mais parecia verão. Talvez devido ao calor, Margarida sentiu-se mais cansada do que habitualmente, razão pela qual, depois da usual caminhada pela beira mar, feita sempre ao final da tarde, mal chegou a casa descalçou-se e foi direitinha para o terraço. Ficou uns instantes absorta a olhar o mar, sem tampouco saber em que estava a pensar. E, de repente, como que acometida de um cansaço inusitado, deixou-se cair na sua cadeira predileta, não só para descansar, mas para tentar descobrir o porquê dessa súbita nostalgia que, vinda não sabia de onde, nela se alojara com toda a intensidade.

E, mal se perguntou a que se devia tal acometimento, de imediato lhe vieram as memórias (há muito tempo quase esquecidas) da sua infância.

Margarida pensava, pois, na sua infância… 
Que saudades! Que saudades do tempo em que acreditava nas fadas, nos duendes… Que saudades do tempo em que ela brincava e conversava com eles (embora num diálogo-monólogo), que saudades do tempo em que lhes dava vida!...
E assim sentada na sua cadeira predileta, embrenhada nestes pensamentos, a protagonista desta aventura fechou os olhos e… partiu rumo ao seu mundo (aparentemente) esquecido. E que aventura, meu Deus!...
Entrou no jardim, no jardim onde, quando menina, “via” uma fada em cada flor, um duende ou outro ser minúsculo a tratar dos canteiros, “ouvia” um raio de sol a saudá-la, corria por entre as árvores tentando alcançar as borboletas (que às vezes se transformavam em lindas meninas esvoaçantes, ou em pérolas de luz colorida escondendo-se e brincando por entre as folhagens …)
Mas, para seu espanto, nesse jardim onde estava a Margarida-mulher também estava a Margarida-criança. Que feliz se sentia a Margarida correndo e brincando com a Margarida! Brincaram, brincaram, brincaram, até que a Margarida-menina, já cansada, depositou nas mãos da Margarida-mulher três flores para que jamais duvidasse que a magia está presente na vida, basta acreditar.
E Margarida sorriu. Embora já acordada mantinha os olhos fechados como que a “saborear” o delicioso sonho que tivera enquanto dormitara na sua cadeira predileta!
Só que… mal abriu os olhos… nem queria acreditar no que via! Segurava nas mãos três margaridas, as mais lindas margaridas que alguma vez já tivera oportunidade de ver! E, para completar o seu espanto, das flores saíram minúsculos seres alados que voaram até desaparecerem no horizonte!

SERÁ QUE MARGARIDA SONHOU?!...



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De Maria La-Salete Sá (29/04/2013)