domingo, 29 de setembro de 2013

PÁSSARO-ESPERANÇA



Queria ouvir a tua voz, passarinho verde
que antes me seduzias com o teu trinar.

Porque calaste teu canto?
Porque cessaste teu voo?
Não vês que está vazio o teu lugar?
Não ouves o silêncio que te reclama?

Não ouves... e sei que estás só...,
só, triste e indeciso.

Não tenhas medo de voar,
de cantar,
de te libertar.
Sabes que em meu braço poisarás,
se assim o desejares,
em mim terás guarida
e ensinar-me-ás a cantar...

Solta-te, não temas,
quero ver-te voar,
ouvir junto a mim o teu trinar,
meu pássaro verde...

...hoje anónimo,
amanhã chamado ESPERANÇA.

De Maria La-Salete Sá (16/06/1993 01:35 h)

terça-feira, 20 de agosto de 2013

VEM DAÍ, INSPIRAÇÃO...

 Não sei que voltas dei no caminho
que da inspiração me perdi,
chamo palavras, grito rimas,
desenho letras,
esboço sentires...
... e tudo de mim se ri...

Será que perdi a poesia?...
Ou ela perdeu-se de mim?...
Será?!...

Talvez...
talvez esteja de férias...

Mas...
a inspiração não pode ter férias,
ai não pode, não!!!
Pois, se ela é a voz do coração,
deste coração que pulsa e vive!...

Ai, ai, ai,
venha daí então,
minha fugidia inspiração!
Eu não quero mais
palavras de silêncios,
rimas mudas e caladas,
quero emoções coloridas,
sentimentos emoldurados
que façam lembrar quadros...
... de poesia pintados.

De Maria La-Salete Sá (20/08/2013  17:22h)

domingo, 11 de agosto de 2013

DIA DE DILEMA



Hoje é dia de dilema,
dia de ser e não ser,
dia de não definir sentimentos.

Hoje é dia de confusão...

Não consigo perceber o que me vai na alma.
Será que quero?
Será que amo?
E o que quero e a quem amo?

Hoje é dia de indefinição...
...Ou não será o dia da loucura?

Talvez seja isso, talvez eu seja louca,
ou então uma das poucas pessoas
completamente saudáveis
no manicómio da vida...

Se houver alguém mais louco do que eu
pode dar o seu parecer...

Os loucos entendem-se bem
e a loucura é sã demência!

(1987)?


De Maria La-Salete Sá

DESASSOSSEGO


Quem souber descobrir as verdades da minha mente
obscura,
confusa, contraditória,
hipócrita e verdadeira,
serena e alvoroçada,
cheia de tudo, vazia de nada,
que corra a dizer-me,
não perca tempo a despertar-me,
... porque sem essas verdades
a minha vida é um rodopio
de loucuras
e de incertezas...

De Maria La-Salete Sá

(em "O Desassossego da Vida")


CAMINHOS DE ESPERANÇA.



Caminhos abertos de esperança
São os teus braços quando me buscam,
Teus lábios quando me sorvem,
Tuas mãos quando me percorrem,
Teu corpo ávido quando me aquece…

Caminho aberto de esperança
É o mar dos teus olhos
Onde descubro horizontes…
… novos e indefiníveis…

De Maria La-Salete Sá (21/02/1988  18h 32m)


SAUDADE PLENA



Na plenitude da minha saudade
encho-me de ti,
absorvo-me de ti,
embebo-me de ti...
... e formamos uma cosmogénese perfeita.

Tu não és tu, eu não sou eu,
apenas somos...
somos o nascimento do mundo,
do nosso mundo,
do mundo que somos nós...

E neste nascimento...
não sei onde estou, não sei onde estás,
não sei quem sou, não sei quem és...
apenas sei sorver-te... sem ver-te,
sabendo que te tenho sem ter-te...

... porque tu és pleno na minha saudade...
e eu sou a saudade da tua saudade...


De Maria La-Salete Sá (26/12/1991--- 00:05h)

terça-feira, 23 de julho de 2013

SEMPRE QUE O DIA NASCE


A alvorada acordou,
despertou a madrugada.
Logo, logo vem a aurora
atrapalhada,
estremunhada...
em seu vestido de luz...

Abre-se o sol em seu esplendor,
vem fecundar a terra,
em ato de puro amor...

Vai-se então a madrugada
e já dorme a alvorada...

Pássaros esvoaçam contentes
por entre o brilho solar
e, no seu esvoaçar,
deixam nas cantigas ao vento
sementes de bem querer...

Sementes que, atiradas ao acaso,
são partículas de esperança
a germinar, a florescer...
não apenas hoje,
mas em cada dia que nascer.

De Maria La-Salete Sá (23/07/2013)