domingo, 29 de setembro de 2013

CARENTE




Penso em ti
e em ti
e em ti
e em ti... e...
Penso em vós,
penso em mim.

Estou só.

Feliz... e carente...

Feliz na amizade,
na vida,
na luta pela procura,
na fé e na esperança do Ser...

Carente
de uma forma de viver
em entrega de mulher...

Carente
de um toque de magia,
de um beijo profundo...

Penso em vós, em mim.
Abre-se a minha alma,
espreita a ansiedade,
nasce o sonho,
a ilusão,
a quimera.

Estou só. Tenho-vos a todos,
não tenho ninguém.
Quero-vos. Sou vossa.
Amo-vos. Sou de todos vós,
não sou de ninguém...

E... nesta ausência
nasce a minha carência...


De Maria La-Salete Sá (04/07/1991 – 09:55 h)



AI TEMPO QUE NÃO TEM TEMPO




Dirão que estou ausente,
desligada,
indiferente,
dirão!
Mas não, não estou!

Estou presente,
bem presente,
trazendo comigo
os amigos
na alma
e no coração...

E pode parecer até
bem real esta aparência
pode muito bem parecer,
mas não é...
Apenas partidas do tempo,
do tempo
que me rouba tempo
do tempo
que se diz tempo,
do tempo
que tempo não tem,
do tempo
que tempo não é...

Dirão que estou ausente,
desligada,
indiferente,
dirão!
Mas não, não estou!


De Maria La-Salete Sá (29/08/13 - 09:01h)

CHEGOU O OUTONO!





O outono diz que chegou,
mas o verão quer ficar…

E que bem sabe este estio
em carícia temporã,
com sorrisos de medronhos,
milho rei e vinho doce,
talvez até na praia
num merendeiro à maneira
onde não falte a romã!

Venham ventos,
venham nuvens,
venham dias a mingar,
venham vindimas,
desfolhadas,
venha tudo o que vier
que outono e verão
estarão para conviver
até quando…
um do outro se cansarem…
Ou até… quando…
… Deus quiser!


De Maria La-Salete Sá (21/09/2013)

NOSTALGIA…



Sei que estais aqui comigo, que não estou só,
mas sem uma presença palpável e visível…
hoje sinto-me vazia de esperança...
e cheia de tédio e angústia.
Sofro a solidão do desespero no desprezo,
a amargura de lutar por uma batalha perdida…
Perdoai meus amigos não palpáveis e invisíveis,
vós que muito me tendes ajudado a superar.
perdoai…
…porque hoje a nostalgia é mais forte do que eu.

De qualquer modo, perdida como estou de mim,
aguardo as vossas vozes, anseio a vossa presença.
Espero por ti, “Brend” para que me fales,
para que me ajudes e não me abandones
neste caos que se chama…
… vida terrena.

De Maria La-Salete Sá (20/04/1989)

Nota: “Brend” é o nome que eu mesma dei a uma entidade espiritual que é presença constante nos meus diálogos mais íntimos.

BUSCA DE INFINITO



 Em tempos remotos sem data nem hora
tracei o meu destino neste século revoltoso
que me atingiu com a sua revolta....
Sofri, caí no abismo, na dor, na tormenta,
olhos vendados à luz que me regia…,
não a via…, nem a sentia.
Cega fora até que fui assaltada pela avidez de novos conhecimentos,
conhecimentos que me levaram ao contra senso,
quase à loucura aos olhos normais.
Não! Não sou louca! Louca fora no mundo
dos preconceitos tradicionais.
Hoje sou eu. Eu que me procuro ainda
nesta essência que me rege,
Eu, que continuo na busca dum outro Ser,
um Ser a que chamo Deus
e que hei de encontrar.

Por agora fico-me na busca
ajudada e amparada por aqueles que não vejo
mas sinto…
Fico-me à procura de total compreensão
à outra dimensão.

De Maria La-Salete Sá (12/12/1988 00:10h)

ECO DE SILÊNCIOS



 O silêncio ecoa
nas ondas deste mar…
…revolto,
mar de maré quase cheia,
mar de amor…

E neste ecoar
de silêncios calados
meu coração brilha e rebrilha,
em efusão de paz e harmonia…

Nesta praia
quase deserta,
praia de encantos,
praia de silêncios audíveis
sentimentos e sentidos
são preenchidos
pelo entoar constante
do doce canto
das fadas do mar…

É na “Praia das Sereias”,
que nesta tarde de outono,
outono de estio mascarado
nasce a melodia,
floresce a poesia
de um verão continuado.

…e aqui…,
no marulhar das ondas
ecoa a melodia do amor…
vai-se de mansinho o estio,
e chega o outono em calor.

De Maria La-Salete Sá (24/09/2013 cerca das 17h, na praia das Sereias, sentada numa das cadeiras de espaldar pertencentes ao bar de praia “Sereias” em Espinho.

PÁSSARO-ESPERANÇA



Queria ouvir a tua voz, passarinho verde
que antes me seduzias com o teu trinar.

Porque calaste teu canto?
Porque cessaste teu voo?
Não vês que está vazio o teu lugar?
Não ouves o silêncio que te reclama?

Não ouves... e sei que estás só...,
só, triste e indeciso.

Não tenhas medo de voar,
de cantar,
de te libertar.
Sabes que em meu braço poisarás,
se assim o desejares,
em mim terás guarida
e ensinar-me-ás a cantar...

Solta-te, não temas,
quero ver-te voar,
ouvir junto a mim o teu trinar,
meu pássaro verde...

...hoje anónimo,
amanhã chamado ESPERANÇA.

De Maria La-Salete Sá (16/06/1993 01:35 h)