domingo, 29 de setembro de 2013

PSICOGRAFADO?! NÃO SEI…



Quero-te.
Não só te desejo, mas amo-te.
E sei que é impossível este amor, este querer
quero, sobretudo, retomar a tua amizade

Continua amargurada a minha vida,
oprimido e instável,
desventurado pelo destino,
perdido na vida…

Gostava de falar contigo
como nos velhos tempos.

De Maria La-Salete Sá

(Não tem data este poema, no pedaço de papel onde o escrevi apenas havia a seguinte nota: Mensagem telepática? telecaneta?

Mas lembro-me de o ter escrito, de o ter sentido como que “a sair do nada”, como se uma força desconhecida me impulsionasse a escrevê-lo, sem que saiba “quem mo ditou”) 

TEIMOSA LETARGIA…




Está obscurecido o dia
E um letargo teimoso se encostou a mim…
Sonolenta me debato
entre o reagir
ou cair na letargia.
O aqui e o agora reclamam que devo reagir,
que há tarefas a cumprir,
o atemporal sussurra baixinho
que devo dormir, deixar o corpo e fluir
à procura do que o infinito
tem para me dar a conhecer,
a procurar…
Mas hoje não posso.
É o hoje. O aqui e o agora.
o terreno, a vida visível,
as tarefas, o tempo, o espaço…

Sei que me perco. Mas é urgente que desperte.
Outros dias virão,
outros letargos surgirão…
E é com pena e um laivo de tristeza que dispo
e me despeço
destas asas que me queriam levar a voar…

De Maria La-Salete Sá (07/10/1990  16:20h)



GRITOS DE SILÊNCIO




As palavras deste silêncio que me sufoca
gritam dores, espasmam tormentas
fechadas como estão no parar do tempo…
As palavras deste silêncio
encerradas numa boca de lábios selados
atropelam-se e maltratam-se
no ímpeto de largar em desfilada
tal corcel fogoso e bravio
à procura do prado universal
onde se espraiar.
As palavras gritantes deste silêncio
martelam meu cérebro dormente
prestes a explodir
à força da sua voz
tão silenciada de tão contida…

De Maria La-Salete Sá (20/04/1990   23:00h)


CONVULSIVA EXPLOSÃO



Explode meu ser num frémito imenso
que não consigo reter
as convulsões deste sentimento…
Minhas entranhas rebentam
na ânsia convulsionada deste sufoco
feita de revolta, de dor…
Não é tédio nem desamor,
é o ser eu sem que o possa ser,
é o reter bem no fundo deste poço que sou eu
toda a fúria de querer viver
sem o poder.
É o calar sem o querer,
é o morrer sem pestanejar,
é a guerra do meu íntimo
a querer explodir
sem me deixar calar…

Explode meu íntimo no frémito imenso
deste constante calar do pensamento.

De Maria La-Salete Sá (22/04/1989   00:11h)



PERCURSOS…



Eu fui obra traçada do destino
e sou a linha constante da vida.
Fui escrava, algures, em tempo indeterminado,
açoitada pelas mãos e ordens do senhor poderoso.
Fui homem vil, duma tirania incontestável,
talvez lutando em prol da fé na Guerra Santa.
Combati homens como se foram feras,
tiranizei e reduzi a répteis
pessoas de bom coração.
Fui leal servidor, fui justiça e tirania,
fui homem e mulher
em tempos e locais ilimitados e inexplícitos.
Hoje sou mulher sem medo de fantasmas nem de dragões
a cumprir este carma atribulado
a que me impus.

De  Maria La-Salete Sá (12/12/1988)



FUGA DE MIM




Hoje o meu  espírito tem necessidade de evasão,
de procurar refúgio noutras galáxias,
noutros povos, noutros seres,
noutras civilizações.
Hoje quero progredir para o além mundo
ou para o prefácio desta existência.
Hoje quero fugir deste corpo,
deambular apenas presa pelo perispírito
e entrar no Cosmos,
no povoamento de seres informes
mas reais,
daqueles que são mais do que mais,
que são os próprios, os Eus,
como em espírito eu também sou Eu.
Quero deixar a Terra,
esvair-me de mim mesma,
deste ser material que sou,
deixar de ser matéria
e ser o nada,
porque este nada é o tudo.
Hoje quero ir além, ultrapassar limites e fronteiras,
fluir entre barreiras
e encontrar-te e contigo poder falar…

… contigo que és Eu.


De Maria La-Salete Sá (21/04/1989  00:01h)






Porque vives eternamente camuflado
de bem casado
e bom cidadão?
Porque te temes mais do que temes o que julgas temer?
Porque te consideras superpotente,
se essa superpotência
não passa de uma alienação de ti mesmo?
Porquê tanto pavor em enfrentares a tua realidade?
Não vês que estás a fragmentar a tua personalidade?
É altura de te cimentares,
de criares as tuas próprias estruturas
e os teus alicerces,
é hora de te olhares e de te reconheceres,
de te interrogares para saber
e compreender que já é tempo de crescer.

Se olhares bem – e de olhar bem atento –
para dentro de ti,
para a tua essência, para a tua alma,
poderás descobrir em quantos fragmentos te tornaste,
descobrir que o teu embrião não cresceu por igual.

Vê o “tu” que está adulto e o “tu” que se recusa a crescer,
Vê!


De Maria La-Salete Sá ( setembro de 1988)