quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

APELO AOS JOVENS

Jovens!

Ouvi-me…

É com entusiasmo

Que chamo por vós!

Vede que há no mundo

Mais jovens como nós!

Jovens!

(Tenho apenas 17 anos)

Sou jovem também,

Vede, olhai

Que há mais jovens

Pelo mundo além.

Jovens!

Como eu, deveis saber

Que há pelo mundo

Muitos… muitos jovens como nós,

Mas que estão a morrer!

Jovens!

Ouvi suas vozes que gritam!...

Têm fome,

Estão nus… tiritam.

Jovens!

Vamos até eles,

Aliviemos sua dor,

Estão fracos,

Famintos de amor.

Jovens!

O nosso valor

Vamos pôr a render,

Acorramos a quantos

Estão a sofrer.

Jovens!

Não ouvis como eu

Alguém gritar?

É certo que sim,

Porque unidos eu sei

Que os vamos salvar!

Somos jovens na vida e no amor,

A todos os jovens levemos vigor.

 

De: Maria La-Salete Sá (1969)

NOS DEDOS DO VENTO


 


Entrelaçando os dedos no vento,

Em danças etéreas, de magia

Num bailado de harmonia

Rodopiam fadas e silfos.

Com vestidos de cetim.

São crianças-duendes,

Meninos de invento

Em sonhos de fantasia.

Entrelaçando os dedos no vento

Os anjos brincam e dançam

Por entre a folhagem das árvores

E, de suas asas deixam penas

Que, poisando, fazem de ninho

Nos ramos mais abrigados…

E nos ramos e no ninho,

Dorme tranquilo um passarinho

Que…

Acordado é menino…

Mas o menino sonha…

Sonha que um dia sonhou…

Que nesse sonho sonhado

Fora fada, silfo, anjo, pena,

Passarinho e duende…

E sonha…

E sonha…

E sonha…

Mas sonha agora acordado,

Sonha que a vida é sonho

Sonho a ser realizado

Pois que na imaginação

Tudo pode ser criado,

Tudo pode ser idealizado…

Então,

- E porque não?!-

Colar asas na imaginação,

Ser aragem,

Brisa

Ou furacão,

Transformar-se em fada,

Dançar no vento,

Ser anjo, folha, duende,

Silfo ou sopro somente,

Tudo isso poder ser.

E voar…

E voar…

E voar…

Assim na dança do vento

Este menino acordado

Dá vida ao sonho sonhado

E, feliz,

Entrega-se à magia

De ser o herói da fantasia

No seu mundo-pensamento

Mundo mágico,

Mundo seu

Onde a vida pura e livre

Nesse dia aconteceu.

 

De Maria La-Salete Sá  (22/12/12   22h 44m)

 

GOSTAVA DE TER ASAS E VOAR


Poder sentar-me na lua,

Até às estrelas subir

Saltar e brincar nas nuvens,

Ser gota de chuva a sorrir…

 

Gostava tanto de ser

Borboleta por um dia,

Mariposa multicor

No jardim da alegria!

 

Mas o que mesmo gostava

Era de ter asas e voar

Poder ir com o pensamento

Onde ele me quiser levar.

 

E meu pensamento tem asas,

Logo, não me posso queixar,

Se eu sou o pensamento

Tenho asas para voar!

 

De Maria La-Salete Sá

 

28/10/2012

 

DEIXEM QUE...


Deixem que me reparta entre carícias e abraços,

que os distribua por inteiro 

tocando corações e almas sedentos de afeto.

Deixem que me dilua em ventos ou brisas,

que transporte sementes  de paz e de amor,

que espalhe e semeie ternuras.

Deixem que seja rio de águas dançantes,

ou mar de vagas ondulantes

salpico de sal com sabor a maresia.

Deixem que me transforme em sereia,

que salte e brinque na areia,

que seja obreira de fantasia,

que recrie e viva a magia

de ser eternamente criança...

 

Deixem que me reparta entre carícias e abraços,

que me dilua em ventos ou brisas,

que seja rio de águas dançantes,

mar de vagas ondulantes,

que me transforme em sereia...

 

Deixem que vos envolva e embale

num embalo de esperança

neste jeito de criança

sempre a sonhar,

sempre a recriar...

 

Deixem-me amar

                        e reinventar o amor!

 

De Maria La-Salete Sá

AQUELE SOLAR, AQUELE CASEBRE


Naquele solar cheio de luz

Onde velas de mil e uma cores

Enchem todos os recantos

Há alegria!

Num canto, tão rico e iluminado,

O presépio parece de sonho,

De contos de fadas... Que lindo!

 

Nesse solar cheio de luz

Onde velas de mil e uma cores

Enchem todos os recantos

Há alegria...

Mas nesse solar...ninguém vai à janela,

Ninguém vê o casebre do fundo da rua...

O Natal é só isso...Folia!

 

E quando no solar

À ceia se come do bom e do melhor

No casebre faz-se a festa

Com as poucas couves e batatas

Guardadas para esse dia...

Há ainda um naco de pão...

As crianças olham-no e pensam

Quem poderá comer o último bocado...

E o pobre pai lá o reparte

“Comam todos...não há mais”

 

Mas... enquanto nesse solar cheio de luz

Onde velas de mil e uma cores

Enchem todos os recantos

Há alegria, uma alegria efémera, fictícia

E que acabará de seguida,

 

No casebre onde o frio entra impiedoso

Há a mensagem de Paz e Amor

Que o Menino Deus traz ao mundo

Em cada Natal, em cada ano...

 

E nesse casebre

Não há luz de velas multicores,

Não há presépio rico,

Mas há a Luz Branca e Pura

No presépio vivo da família.

 

De  Maria La-Salete Sá  (29-12-72)

 

AO ENCONTRO DO AMOR


Montada na garupa do vento

vou ao teu encontro, amor,

vestida no escarlate da paixão,

em roupas leves e transparentes…

na mão levo o lírio da paz,

na boca um beijo de mel,

nos olhos um mar de desejos…

 

vou a o teu encontro, amor,

 

nos braços a leveza da espuma,

no corpo a languidez da entrega,

na alma um poço de felicidade…

 

vou ao teu encontro, amor,

 

abraçar-te forte ou de mansinho,

sentir o teu contacto quente e cálido

que embarga a voz de emoção…

 

vou ao teu encontro, amor,

montada na garupa do vento…

 

De Maria La-Salete Sá (10/10/1984)

 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

ÉBRIA



Um copo! – Que líquido turvo este!
Não gosto dele! É amargo!
Mas vou bebê-lo!
Um gole! Outro! Mais outro ainda!
Assim! Horror! Sabe tão mal!
Que licor é este? Fel?!
Talvez! É tão ruim! Não gosto dele!
Mas... mais um copo!
E, de um trago, bebi-o todo!
Mais! É mal saboroso,
Mas quero mais!
Uma garrafa será melhor!
Riam-se! Riam-se de quem chora,
De quem canta amargurada
O efeito deste álcool amargo...
Bêbeda – dirão – Sim...
Ébria...
Ébria!... Ébria?! – foi o que disse?!...
Ah! Sim, é verdade!
Bebi muito! Do tal líquido escuro
E amargo...
Bebi demais do licor de sabor a fel...
Foram copos e copos,
Garrafas e garrafas de angústia...
Não sei como arrastar-me vida fora...
Caio... Choro... Canto amargamente a minha tristeza...
Mas não liguem...
Bebi demais...
Ébria...

De Maria La-Salete Sá

(28-12-1972)