quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

CHUVA MANSA

Chuva mansa

Canta a sua melodia

Fazendo-me recordar

E chorar

Baixinho, só para mim,

A chuva daquele dia…

 

Chuva mansa

Vai caindo nos beirais,

Vai pingando de mansinho

Faz sentir

A ausência de um alguém

Pondo-me a chorar baixinho.

 

Chuva mansa

Caindo no meu telhado

Vem bater à minha porta

E lembrar

A alma desse amor

Que há longos meses está morta.

 

Chuva mansa

Beijando as flores da varanda

E refrescando a Natureza

Dá-lhes

Um aspeto mais airoso

E com muita mais beleza.

 

Chuva mansa

Vens depositar na terra

Os teus mais belos cristais

E lembrar

Que não deverei ficar

A chorar ainda mais…

 

De Maria La-Salete Sá

(1968/69)

AUDAZ FANTASIA...

Olho-me no espelho…

Vestida a preceito no meu vestido vermelho!

Que linda que estou!

Sorrio à minha imagem e penso:

«Vou arrasar!...»

Mas logo me perco…

Já não sei onde estou…

Estou… do outro lado do espelho

Tomada pelo desejo

De te enfeitiçar…

Dispo, sedutora, meu vestido vermelho…

Fabrico fantasias,

Desenho cenários de paixão!

Percorro teu corpo,

Bebo teu néctar,

Sorvo teus beijos,

Desperto desejos, suspiros, arquejos…

Nossos corpos, agora enlaçados,

Dançam em ritmo crescente,

Sincronizados,

Até ao êxtase… ansiado…

E, de novo fora do espelho,

Trajando meu vestido vermelho,

Sorrio aos meus pensamentos

Que inventaram momentos

De paixão e poesia…

Em voos de audaz fantasia…

 

De Maria La-Salete Sá (27/02/2013)

 

APELO AOS JOVENS

Jovens!

Ouvi-me…

É com entusiasmo

Que chamo por vós!

Vede que há no mundo

Mais jovens como nós!

Jovens!

(Tenho apenas 17 anos)

Sou jovem também,

Vede, olhai

Que há mais jovens

Pelo mundo além.

Jovens!

Como eu, deveis saber

Que há pelo mundo

Muitos… muitos jovens como nós,

Mas que estão a morrer!

Jovens!

Ouvi suas vozes que gritam!...

Têm fome,

Estão nus… tiritam.

Jovens!

Vamos até eles,

Aliviemos sua dor,

Estão fracos,

Famintos de amor.

Jovens!

O nosso valor

Vamos pôr a render,

Acorramos a quantos

Estão a sofrer.

Jovens!

Não ouvis como eu

Alguém gritar?

É certo que sim,

Porque unidos eu sei

Que os vamos salvar!

Somos jovens na vida e no amor,

A todos os jovens levemos vigor.

 

De: Maria La-Salete Sá (1969)

NOS DEDOS DO VENTO


 


Entrelaçando os dedos no vento,

Em danças etéreas, de magia

Num bailado de harmonia

Rodopiam fadas e silfos.

Com vestidos de cetim.

São crianças-duendes,

Meninos de invento

Em sonhos de fantasia.

Entrelaçando os dedos no vento

Os anjos brincam e dançam

Por entre a folhagem das árvores

E, de suas asas deixam penas

Que, poisando, fazem de ninho

Nos ramos mais abrigados…

E nos ramos e no ninho,

Dorme tranquilo um passarinho

Que…

Acordado é menino…

Mas o menino sonha…

Sonha que um dia sonhou…

Que nesse sonho sonhado

Fora fada, silfo, anjo, pena,

Passarinho e duende…

E sonha…

E sonha…

E sonha…

Mas sonha agora acordado,

Sonha que a vida é sonho

Sonho a ser realizado

Pois que na imaginação

Tudo pode ser criado,

Tudo pode ser idealizado…

Então,

- E porque não?!-

Colar asas na imaginação,

Ser aragem,

Brisa

Ou furacão,

Transformar-se em fada,

Dançar no vento,

Ser anjo, folha, duende,

Silfo ou sopro somente,

Tudo isso poder ser.

E voar…

E voar…

E voar…

Assim na dança do vento

Este menino acordado

Dá vida ao sonho sonhado

E, feliz,

Entrega-se à magia

De ser o herói da fantasia

No seu mundo-pensamento

Mundo mágico,

Mundo seu

Onde a vida pura e livre

Nesse dia aconteceu.

 

De Maria La-Salete Sá  (22/12/12   22h 44m)

 

GOSTAVA DE TER ASAS E VOAR


Poder sentar-me na lua,

Até às estrelas subir

Saltar e brincar nas nuvens,

Ser gota de chuva a sorrir…

 

Gostava tanto de ser

Borboleta por um dia,

Mariposa multicor

No jardim da alegria!

 

Mas o que mesmo gostava

Era de ter asas e voar

Poder ir com o pensamento

Onde ele me quiser levar.

 

E meu pensamento tem asas,

Logo, não me posso queixar,

Se eu sou o pensamento

Tenho asas para voar!

 

De Maria La-Salete Sá

 

28/10/2012

 

DEIXEM QUE...


Deixem que me reparta entre carícias e abraços,

que os distribua por inteiro 

tocando corações e almas sedentos de afeto.

Deixem que me dilua em ventos ou brisas,

que transporte sementes  de paz e de amor,

que espalhe e semeie ternuras.

Deixem que seja rio de águas dançantes,

ou mar de vagas ondulantes

salpico de sal com sabor a maresia.

Deixem que me transforme em sereia,

que salte e brinque na areia,

que seja obreira de fantasia,

que recrie e viva a magia

de ser eternamente criança...

 

Deixem que me reparta entre carícias e abraços,

que me dilua em ventos ou brisas,

que seja rio de águas dançantes,

mar de vagas ondulantes,

que me transforme em sereia...

 

Deixem que vos envolva e embale

num embalo de esperança

neste jeito de criança

sempre a sonhar,

sempre a recriar...

 

Deixem-me amar

                        e reinventar o amor!

 

De Maria La-Salete Sá

AQUELE SOLAR, AQUELE CASEBRE


Naquele solar cheio de luz

Onde velas de mil e uma cores

Enchem todos os recantos

Há alegria!

Num canto, tão rico e iluminado,

O presépio parece de sonho,

De contos de fadas... Que lindo!

 

Nesse solar cheio de luz

Onde velas de mil e uma cores

Enchem todos os recantos

Há alegria...

Mas nesse solar...ninguém vai à janela,

Ninguém vê o casebre do fundo da rua...

O Natal é só isso...Folia!

 

E quando no solar

À ceia se come do bom e do melhor

No casebre faz-se a festa

Com as poucas couves e batatas

Guardadas para esse dia...

Há ainda um naco de pão...

As crianças olham-no e pensam

Quem poderá comer o último bocado...

E o pobre pai lá o reparte

“Comam todos...não há mais”

 

Mas... enquanto nesse solar cheio de luz

Onde velas de mil e uma cores

Enchem todos os recantos

Há alegria, uma alegria efémera, fictícia

E que acabará de seguida,

 

No casebre onde o frio entra impiedoso

Há a mensagem de Paz e Amor

Que o Menino Deus traz ao mundo

Em cada Natal, em cada ano...

 

E nesse casebre

Não há luz de velas multicores,

Não há presépio rico,

Mas há a Luz Branca e Pura

No presépio vivo da família.

 

De  Maria La-Salete Sá  (29-12-72)