quinta-feira, 1 de maio de 2014

NA MADRUGADA DO SILÊNCIO...


Nesta madrugada a cheirar a Primavera,
mês de maio, das rosas e do perfume,
eu estou só... na nostalgia da interiorização...
Penso-me, interrogo-me, grito que estou...
E o meu silêncio ecoa de tal modo forte
que não sei se é a nostalgia da música que me abala
ou se é o silêncio que me abana
e me diz que acorde, que desperte,
que a vida precisa de ter sentido, mesmo insentida,
que eu Sou, mesmo não sendo...

... Ou será a música que me abala/embala
numa saudade inexistente?

De Maria La-Salete Sá (1 de maio de 1987,  03:30h)
(reparei agora que este poema faz hoje 27 anos, eheheh!)

sexta-feira, 25 de abril de 2014

ABAIXO ABRIL


 Ai que saudades de Abril,
do Abril dos cravos
perfumados,
de cravos
com brilho de liberdade
a gritar a Paz,
a cantar fraternidade...

Ai que saudades!
Ai que saudades!

Está moribundo este Abril,
mal se sente respirar,
o povo, esse,
 já não sabe...
...o que esperar
deste governo
a desgovernar...

Ai que saudades!
Ai que saudades!

saudades que agora gritam:
abaixo Abril
Abril de cravos murchos,
Abril de cravos sem cor...
Abaixo Abril
do meu país perdido,
do meu país esquecido
de que... um dia...
foi...
... país... de Abril...

... de ABRIL-LIBERDADE.


De Maria La-Salete Sá (25/abril/2014)


quinta-feira, 24 de abril de 2014

SABES MEU AMOR...


Sabes, meu amor
que te espero na saudade,
toda feita ansiedade
nesta hora-solidão?
Sabes, meu amor,
que bate forte o coração
ao pensar na emoção
do amanhã que vai chegar?
E então, meu amor,
serei paixão, serei ternura,
serei fogo, serei candura,
serás meu, eu serei tua,
nesta doce loucura
de te querer, de te amar...
porque...
dar-me a ti por inteiro
é o primeiro desejo
que grita a minha saudade...

De Maria La-Salete Sá


Imagem de Gabriela Sá


terça-feira, 22 de abril de 2014

FOGO FÁTUO...

Renasceu na tua voz a esperança
que logo morreu ante o silêncio...
Foi de tal modo efémera
que nem sei se renasceu
ou se apenas sonhei ou vivi
um prefácio da sua natalidade
um prelúdio de pré natal esperançoso...


De Maria La-Salete Sá  (23/06/1986)

OBRIGADA


Bastou um sorriso tímido,
uma palavra a brincar
para que de novo revivesse...
Obrigada, muito obrigada meu amigo
por teres aceite a minha dádiva
confusa, real, inconstante...
Obrigada amigo,
assim já posso sorrir,
assim já sei sorrir,
já acredito na amizade,
nesta amizade a reconstruir.

   De Maria La-Salete Sá  (21/06/1986)



NÃO ME VOU DEIXAR AMARFANHAR...


Não me vou deixar amarfanhar
pela puta desta vida
que não dá nada de positivo nem de concreto.
Não me vou deixar amarfanhar.
Vou viver
mesmo contra a vontade do querer,
contra a racionalidade da razão,
contra o sentir do coração,
contra tudo e contra todos.
Não me vou deixar amarfanhar,
vou viver
e amar!

De Maria La-Salete Sá  (29/01/1987)

COMO O FUMO DO CIGARRO...

O fumo que se esvai do meu cigarro
é ténue...
e sobe... sobe..., assim como eu  desejara subir
livre, ao sabor do vento...
O fumo que se esvai do meu cigarro
leva o sabor da minha amargura,
da minha inquietação...,
leva parte dos meus nervos
e ajuda-me nesta espera...
O fumo que se esvai do meu cigarro
é o único companheiro que tenho...
... e me foge...

O fumo do meu cigarro sobe...
sobe e... logo desaparece...
O fumo do meu cigarro é livre...
Assim quisera eu ser... livre...
livre...
e voar ao sabor do vento...
E, se o vento estivesse de feição
levar-me-ia ao teu encontro, amor...

Mas... eu sei que virás,
sei que não tardarás...

Estou acorrentada ao tempo e ao espaço
deste compasso de espera, mas...
afinal sou livre,
tão livre como o fumo do meu cigarro...
tão livre que meu coração já voou,
já está contigo, feliz!

E a espera já não é dor,
já me vou, subindo e voando...
como o fumo do meu cigarro...
ao teu encontro...

Breve me terás contigo,
breve...

De Maria La-Salete Sá (01/03/1976)