sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

PERDOEM-ME OS POETAS…


Hoje estou cansada de ler poemas de alcova ou…
poemas de suspiros adolescentes
poemas de ausências, de carências e de queixumes…
poemas de pseudo-poetas,
quem sabe se…de poetudos…

Mas seja como for
hoje estou cansada de lamechices,
de texto de “vira o disco e toca o mesmo”…

Ah! se eu pudesse (ou soubesse) ler,
ler e apreciar poesia por entre as palavras rebuscadas
e de rimas “arrimadas”…
Ah! se eu soubesse…

Hoje estaria bem mais feliz
pois que até os poemas de queixumes
dos grandes poetas da dor,
dos grandes poetas da tristeza e do desamor…
Hoje…
até esses me cansam…

Perdoem-me os grandes poetas,
perdoem-me os pseudo-poetas,
perdoem-me os poetudos…

Hoje… eu, que também não sou poeta,
estou cansada…
… sobretudo…
… de poesia sem poesia…

E os poetas não têm culpa do meu cansaço,
do meu desalento…

Hoje devo ter acordado do avesso.

De Maria La-Salete Sá (12/12/2014)


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

SONHANDO SAUDADE

Saudade desconhecida,
saudade do reencontro
de e com quem sonhou
no sonho…
… da saudade…

E no sonho,
no sonho da saudade
reencontrou a alegria
do reencontro…
… reencontrou as pessoas
da saudade…

E sonhou saudade.
E teve saudade,
saudade da casa,
daquela casa que esqueceu
no sonho… da saudade…

Mas a casa do sonho,
a casa da saudade,
agora esquecida na penumbra
do sonho
deixou-lhe na memória
e na saudade
o sabor do amor,
o perfume da ternura,
o embalo do afago…

Porque do sonho da saudade
ela guardou a delicadeza
dos seres com que sonhou
… e de olhos ainda cerrados
embala no coração
a doce sensação
de plenitude…
… mesmo que numa saudade
do que ou de quem…
… esqueceu, mal do sonho acordou…

De Maria La-Salete Sá (13/08/2014)


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

TRILHOS DO PENSAMENTO


Sem algemas, sem prisões
e sem correntes
voa veloz o pensamento…
corre em mundos inexistentes,
sobe montanhas descendentes,
nada em mares de terra sem sal…
e seus mundos inventados são tão reais,
que as realidades subjacentes ao quotidiano
se tornam irreais…

Pensamentos sem algemas,
sem prisões e sem correntes
fazem da anarquia e do caos
a organização sem precedentes…

… porque sem algemas,
sem prisões
e sem correntes…
… é tão livre o pensamento…
que tão só ele… sem algemas,
sem prisões,
sem correntes.

De Maria La-Salete Sá (28/11/2014)



sábado, 6 de dezembro de 2014

Boa tarde amigos!



É verdade, tenho andado preguiçosa, meio fugidia... É certo que outros afazeres me têm ocupado, me têm cansado, mas não desculpam a grande dose de "preguicite aguda" que me em atacado...
Contudo posso dizer que se trata de uma doença saudável (desculpem lá a contradição, mas... talvez porque me sinto bem a repousar desta maleita, estou seriamente tentada a aboli-la do meu dicionário de doenças).
É tão saudável que me fez recostar no sofá sem pensar em teclados, dedicar-me a desfrutar de umas boas leituras, de quando em vez trocar os livros pelas agulhas de tricotar... Pois, até já fiz a camisola para o meu príncipe (não se riam, ele é mesmo um príncipe, pois já há quem me chame rainha!!!)...
Mas espero voltar de vez em quando, sempre que a minha preguicite também queira descansar (também ela tem direito a desfrutar de um repouso, não vá ficar cansada e abandonar-me de vez! E o que seria de mim sem a minha preguicite???).

Mas... abandonar o teclado não quer dizer que abandone os amigos, eles permanecem comigo e comigo partilham do eu silêncio.

Adoro-vos amigo reais  e virtuais.

Para vós o meu abraço!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

ANTECÂMARA


Enclausurados em seus castelos fantasmas
vivem nos sonhos moribundos...
A realidade refugia-se no sonho,
sonho fantasmagórico de noite/dia,
tempo sem tempo...
... neste tempo...
também ele perdido...
enclausurado
no mesmo castelo fantasma
onde a vida apenas se esfuma
e passa ao lado.... sem vida...
Vida amorfa,
perdida nas brumas
onde apenas vagueiam
afagados pelas mãos carinhosas
de gente que é gente,
de gente que se entrega sem limites,
de gente que procura manter colados
os pedaços das vidas fragmentadas,
pedaços que palpitam no coração
de cada cavaleiro andante,
de cada donzela...
ainda enamorada
dos seus sonhos de menina...
mesmo que enclausurados
nos seus castelos fantasmas...

De Maria La-Salete Sá (15/05/2014)

 (foto retirada da net)



Escrevi este texto depois de ter estado de visita a um amigo num lar de idosos. E vi, como descrevo, homens e mulheres "enclausurados em seus sonhos, em seus castelos fantasmas", mas vi também muito amor e muita dedicação nas pessoas que lá trabalham. Mesmo perdidos da realidade (não todos, muitos estão bem lúcidos) há sempre alguém que lhes dá carinho, que lhes dá um afago, que os ama.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A COM…PASSO

Correm apressados
os passos
que, com pressa,
se afastam
tão depressa
que, na pressa,
se esquecem
que vão com pressa.

E nesta pressa,
assim apressada,
às vezes a compasso,
outras a descompasso
vai a vida,
passo a passo…

E, devagar ou apressada,
ao ritmo de cada passo,
ao embalo do compasso
ela se desenrola
na cadência
do seu passo…

De Maria La-Salete Sá




O QUINTO ELEMENTO

Oiço o canto alegre do mar,
Sinto o abraço envolvente do vento,
Desperto no calor amigo do sol ,
Danço sobre a areia da praia…

Sou feliz na envolvência
Dos quatro elementos!

E sorrio ao mar,
Abraço o vento,
Com os pés acaricio a areia da praia
E aqueço corpo e alma neste sol de fim de tarde…

… Sou, neste enquadramento,
O quinto elemento…

E nesta união,
Conjunção elemental,
Podendo ou não ser elementar,
SOU FELIZ!


De Maria La-Salete Sá (24/05/2013-18,45h-Foz do Arelho)