quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

AQUELE ANEL




Era sombria a expressão
que revestia o meu olhar duro de tristeza,
era vagaroso o andar
que me trazia para casa...
De repente senti que sorria,
a alguém meu olhar dirigia,
como se tudo tivesse mudado...
Mas uma brisa que passou
a sua mão agitou
e então meu sorriso levou...
Oh!... sopro leve,
talvez prudente e amigo,
porque não levaste contigo
aquele anel
até então desconhecido?!...
Mas não!
Devo agradecer-te, aragem querida,
por teres vindo, assim de mansinho,
tirar-me da ilusão,
acordar-me para a realidade
de saber
não mais me pertencer
o seu coração.
E se por um ai tudo começou,
por um anel... tudo acabou...
De Maria La-Salete Sá (07/04/1971)
imagem do google

ACRÓSTICO

L..entamente o tempo vai passando,
A..gora que queria gritar:
- Corre!...Depressa!... Vai ligeiro!...,
S..aborear o doce canto,
A..migo das trevas e do meu luto...
L..entamete o tempo vai passando,
E..nquanto se vai processando
T..udo o que a ninguém desejei,
T..udo o que nunca esperei,
E o tempo lentamente vai passando...
De Maria La-Salete Sá (08/05/1972)
(a foto é mais ou menos da altura do poema)

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

ANTI-NATAL


Não vou escrever poemas de Natal,
vou viver o Natal.

Não vou falar de Amor do Natal,
vou ser Amor.

Não vou falar do brilho de Natal,
vou ser Luz.

Não vou dar presentes de Natal,
vou fazer-me presente

Não vou fazer presépio no Natal
nem vou adorar um menino de olaria,
não vou fazer uma árvore prenhe de bolas e enfeites,
não vou fazer do Natal
o Natal que se diz Natal…
…porque…
Natal não é festa de aparências,
de brilhos fictícios e efémeros,
Natal não é presépio, nem árvore, nem Pai Natal…

Natal é Amor para ser vivido,
irradiado,
repartido.

Natal é ser resplandecente
na luminescência fraternal,
é tornar-se luz e ser presente,
é Ser em Amor Incondicional
no Natal
não só no Natal do Natal,
mas no Natal
diariamente…


De Maria La-Salete Sá (15/12/2014)

Imagem do Google


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

PERDOEM-ME OS POETAS…


Hoje estou cansada de ler poemas de alcova ou…
poemas de suspiros adolescentes
poemas de ausências, de carências e de queixumes…
poemas de pseudo-poetas,
quem sabe se…de poetudos…

Mas seja como for
hoje estou cansada de lamechices,
de texto de “vira o disco e toca o mesmo”…

Ah! se eu pudesse (ou soubesse) ler,
ler e apreciar poesia por entre as palavras rebuscadas
e de rimas “arrimadas”…
Ah! se eu soubesse…

Hoje estaria bem mais feliz
pois que até os poemas de queixumes
dos grandes poetas da dor,
dos grandes poetas da tristeza e do desamor…
Hoje…
até esses me cansam…

Perdoem-me os grandes poetas,
perdoem-me os pseudo-poetas,
perdoem-me os poetudos…

Hoje… eu, que também não sou poeta,
estou cansada…
… sobretudo…
… de poesia sem poesia…

E os poetas não têm culpa do meu cansaço,
do meu desalento…

Hoje devo ter acordado do avesso.

De Maria La-Salete Sá (12/12/2014)


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

SONHANDO SAUDADE

Saudade desconhecida,
saudade do reencontro
de e com quem sonhou
no sonho…
… da saudade…

E no sonho,
no sonho da saudade
reencontrou a alegria
do reencontro…
… reencontrou as pessoas
da saudade…

E sonhou saudade.
E teve saudade,
saudade da casa,
daquela casa que esqueceu
no sonho… da saudade…

Mas a casa do sonho,
a casa da saudade,
agora esquecida na penumbra
do sonho
deixou-lhe na memória
e na saudade
o sabor do amor,
o perfume da ternura,
o embalo do afago…

Porque do sonho da saudade
ela guardou a delicadeza
dos seres com que sonhou
… e de olhos ainda cerrados
embala no coração
a doce sensação
de plenitude…
… mesmo que numa saudade
do que ou de quem…
… esqueceu, mal do sonho acordou…

De Maria La-Salete Sá (13/08/2014)


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

TRILHOS DO PENSAMENTO


Sem algemas, sem prisões
e sem correntes
voa veloz o pensamento…
corre em mundos inexistentes,
sobe montanhas descendentes,
nada em mares de terra sem sal…
e seus mundos inventados são tão reais,
que as realidades subjacentes ao quotidiano
se tornam irreais…

Pensamentos sem algemas,
sem prisões e sem correntes
fazem da anarquia e do caos
a organização sem precedentes…

… porque sem algemas,
sem prisões
e sem correntes…
… é tão livre o pensamento…
que tão só ele… sem algemas,
sem prisões,
sem correntes.

De Maria La-Salete Sá (28/11/2014)



sábado, 6 de dezembro de 2014

Boa tarde amigos!



É verdade, tenho andado preguiçosa, meio fugidia... É certo que outros afazeres me têm ocupado, me têm cansado, mas não desculpam a grande dose de "preguicite aguda" que me em atacado...
Contudo posso dizer que se trata de uma doença saudável (desculpem lá a contradição, mas... talvez porque me sinto bem a repousar desta maleita, estou seriamente tentada a aboli-la do meu dicionário de doenças).
É tão saudável que me fez recostar no sofá sem pensar em teclados, dedicar-me a desfrutar de umas boas leituras, de quando em vez trocar os livros pelas agulhas de tricotar... Pois, até já fiz a camisola para o meu príncipe (não se riam, ele é mesmo um príncipe, pois já há quem me chame rainha!!!)...
Mas espero voltar de vez em quando, sempre que a minha preguicite também queira descansar (também ela tem direito a desfrutar de um repouso, não vá ficar cansada e abandonar-me de vez! E o que seria de mim sem a minha preguicite???).

Mas... abandonar o teclado não quer dizer que abandone os amigos, eles permanecem comigo e comigo partilham do eu silêncio.

Adoro-vos amigo reais  e virtuais.

Para vós o meu abraço!