domingo, 8 de fevereiro de 2015

CAMUFLAGEM…

Hoje eu estou triste,
um tanto ou quanto triste.
E tristeza não é infelicidade, não!

Eu sou feliz!

Feliz por ser quem sou,
feliz por ser como sou,
mesmo que… por vezes…
seja um pouco desajeitada,
algo inconsciente,
um tanto ou quanto despistada,
chegando a parecer ausente…

Mesmo sendo assim sou feliz!

- Então porquê esta aparente tristeza???
Porquê? – pergunto-me.
E ao perguntar respondo-me:

- Triste…,
um tanto ou quanto triste
porque…
o texto,
o poema,
as palavras
que quero escrever,
as ideias
que quero transmitir
não as encontro…

Elas andam perdidas,
fugidias…
tão perdidas e tão esquivas
que não as oiço
nem as sinto…

E sem ideias,
sem palavras para dizer…
não  há poema
para escrever…

E embora …
um tanto ou quanto triste…

Eu sou e estou

FELIZ!

De Maria La-Salete Sá (04/02/2015)



IDEIA MORIBUNDA…

Espero…
Enquanto espero escrevo.
Mas escrevo o quê?

Quero escrever o que me sai do pensamento,
o que me grita esta ideia que…
parada…
quase acorrentada…
quer e teima em sair…

Mas que ideia?!

Que ideia é essa
que nem ela mesma se conhece?
Que ideia???  Que…
mesmo ao querer pensá-la
e criá-la
ela se perde ou se recusa
germinar…
Ela se recusa a nascer,
talvez por medo de poder crescer
e tornar-se real…

E assim se perde a ideia
de ter uma ideia para escrever,
um tema a desenvolver,
porque… a ideia…
de tão parada e acorrentada
recusando-se a nascer…
…simplesmente…
… morreu…

De Maria La-Salete Sá (04/02/2015)

imagem retirada do google



sábado, 20 de dezembro de 2014

SE A VARANDA PUDESSE FALAR…

Ah! se eu fora um Camões ou um Bocage,
um Pessoa ou um Sardinha,
haveria de cantar-te eternamente,
com  um poema tão eloquente
as maravilhas que tens e me transmites…
Tivera eu o talento de um Garrett
com que pudesse liricamente descrever
tuas belezas fugidias e revoltas…
Fora eu um Eça realista
e, prosaicamente, narraria
aquilo que não posso definir..,
aquilo que só posso sentir
e resumo nestas frases soltas…

Quantos sonhos, quantos devaneios,
quantos segredos, quantos anseios
terás escutado, varanda inofensiva…
Quantos olhares, quantos sorrisos,
quantos pensamentos loucos e indecisos
te têm sido dirigidos?…

A quanta tolice, a quanta amargura,
a quanta esperança ou a quanto desespero
terás tu assistido…
assim na quietude de uma tarde calma,
ou no nervosismo de um dia tempestuoso
ou sei lá…?

Quantas ideias ridículas não inspiraste,
quantos sorrisos não provocaste,
quantos rubores em tantas faces não causaste
só porque… dás abrigo e apoio
a alguém a quem nada inspiraste?...

Não terás tu sido infeliz na escolha?!...

Não achas que seria melhor inverter os papéis
e esperar o resultado?!...
Ah! Então, sim!...
Eu queria rir! Ah! Rir com vontade,
assim como quem aprecia uma comédia
da qual já sabe o fim…

Gostara de te ver provocar sorrisos,
rubores, ideias ridículas
e ver-te inspirar arte e beleza
a esse alguém que não te sabe notar.

Mas não!
Não me julgues pretensiosa
Porque cá por dentro até eu rio!...,
Julga-me antes assim teimosa
como quem teima para vencer
quando algo quer fazer…

Seria asneira?!

Não, talvez não seja…

Mas só gostaria de ver
uns dedos trémulos e nervosos
escurecidos por cigarros em demasia
a ler tudo o que escrevi…
E não posso deixar de rir
ao saber que consegui
com que o “tal do bigodinho”
se voltasse um pouco para si…

E assim,
sem o mérito dos grandes artistas,
sem a arte de um poeta talentoso
consegui transcrever num momento
tudo o que o meu pensamento me ditou
de modo harmonioso…

E aqui fico imaginando uma expressão
de indignação, de raiva, de sei lá o quê,
marcando o semblante
a que uns olhos esverdeados dão vida,
e fico-me então sorrindo, bem divertida
desenhando na minha mente
este quadro idealizado:

Tu, ele e o papel onde este poema está passado!


De Maria La-Salete Sá (23/05/1972)


imagem do google

POEMA DE DEUS POETA


O poema que escrevi
não fui eu que o fiz...
O poema que escrevi
assim Deus mo ditou,
foi assim que Deus o quis.
Não me chamem talentosa,
não me vejam excepcional...
Deus deu-me alma de poeta
e eu só peguei na caneta
com que transcrevi tal e qual
o poema de Deus poeta.

(Colégio de Nossa Senhora da Bonança, 25 de Abril de 1972)


De Maria La-Salete Sá

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

ILUSÃO

Devagar...
Vem calma e mansamente
com um sorriso eloquente,
de braços estendidos, feliz.
Mais depressa,
Mais ânimo ao chegar,
quase se sente sufocar,
mas já me estendeu a mão!...
Corre!
Vem depressa... e de repente...
Foi-se...
Era a ilusão!...

(Escrito no Colégio de Nossa Senhora da Bonança em 22 de Abril de 1972)


De Maria La-Salete Sá

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O SILÊNCIO QUE ME FALOU


Era noite!
Lá fora ainda o sol sorria,
lá fora talvez ele sentisse
em suas mãos aquelas que buscava...
Lá fora tudo era movimento e alegria,
lá fora até ele seria
feliz... tão feliz como ansiava...
Mas aqui, não!
Aqui era noite!
Uma noite triste, escura e silenciosa,
uma noite de chuva invernosa,
onde apenas um fantasma existia...
Era eu!
Aquele "eu" que me fugia,
aquele "eu" que me escondia
nesse amor terno que ele dissimulava...
Mas agora não pude fugir,
ao meu encontro tive que vir
e ouvir o silêncio falar...
Era eu que nele estava,
era eu que me escutava,
e era a mim que torturava...
Disse-me que não fosse tonta,
que não cresse em fantasias,
porque seu amor não seria
mais do que pura imaginação
para manter bem seguro
meu pobre e apaixonado coração...
Ou... então, que olhasse a sua mão!...
E assim, comigo, meu ser triste se encontrou
depois que aquele silêncio me falou...
De Maria La-Salete Sá (07/04/1971)
imagem do google

AQUELE ANEL




Era sombria a expressão
que revestia o meu olhar duro de tristeza,
era vagaroso o andar
que me trazia para casa...
De repente senti que sorria,
a alguém meu olhar dirigia,
como se tudo tivesse mudado...
Mas uma brisa que passou
a sua mão agitou
e então meu sorriso levou...
Oh!... sopro leve,
talvez prudente e amigo,
porque não levaste contigo
aquele anel
até então desconhecido?!...
Mas não!
Devo agradecer-te, aragem querida,
por teres vindo, assim de mansinho,
tirar-me da ilusão,
acordar-me para a realidade
de saber
não mais me pertencer
o seu coração.
E se por um ai tudo começou,
por um anel... tudo acabou...
De Maria La-Salete Sá (07/04/1971)
imagem do google