segunda-feira, 4 de maio de 2015

VIAGEM PARA CASA

(Este texto saiu de um sonho)

Por entre o nevoeiro, lá ao longe na curva da estrada,
O autocarro surgia…
Surgia e seguia e nem sequer pensava
Que o fazia
E que com ele trazia
Sonhos, ilusões, sentimentos,
Uns de felicidade, outros de desalento…

E,
Mais além, já com chuva forte a fustigar,
E terras a desabar
A estrada se perdeu entre montes e serranias
E o autocarro indiferente aos sentimentos que transportava
Traçou uma rota descontrolada
Por estradas sem estradas,
Tombando e volteando ravina abaixo
E pelo trajeto foi semeando
Dores e medos, gritos e ilusões,
Mas também sentimentos e sensações
De libertação, de total desapego…

E nesse cenário de destruição
Onde apenas destroços restaram,
Muitas almas, agora libertas, iniciaram,
A verdadeira viagem para casa…

…para a sua família cósmica!

De Maria La-Salete Sá (04/05/2015)



 -imagens da net-

sábado, 25 de abril de 2015

OLHA EM TI…

Não ponhas chapéu para tapar as ideias,
põe antes óculos escuros
para que não se vejam esses olhos
maldosos;
masca uma pastilha elástica
para não proferires palavras impensadas
e olha-te bem
antes de atirares pedras…

Também tens telhados de vidro
e não se sabe qual quebrará primeiro…


De Maria La-Salete Sá (28-08-1986….00:35h)

PROCURAM-SE PALAVRAS



Procuram-se palavras que calem a dor,
Procuram-se palavras que falem de amor…
É urgente encontrar palavras que digam liberdade,
Como urgente se impõe o calar da saudade…

Procuram-se palavras que falem harmonia,
Palavras que iluminem sorrisos de alegria…
Palavras que lançadas ao vento
Espalhem sementes de puros sentimentos…

… sentimentos fraternos, na paz renascidos,
Sentimentos profundos, sem fundos vazios,
Sentimentos prenhes de esperança…
Sentimentos de acalmia, de bonança…

… porque…

É urgente encontrar as palavras que digam,
Que gritem, que clamem, que afirmem
Que Paz não é uma palavra perdida,
Mas uma palavra recriada e renascida

Que vibra, que ecoa, que se propaga
Neste país onde o bom senso naufraga…
É urgente que se encontrem palavras
Que ultrapassem o mero conceito… das palavras…,

É urgente que elas se encontrem
… e que sejam palavras com vida…
mas de vida com sentido…
… e não somente palavras…


De Maria La-Salete Sá


Imagem da net

terça-feira, 7 de abril de 2015

CARÍCIA SOLAR

Mal o dia acordou,
a madrugada sorriu
e, de braços estendidos espreguiçando o despertar,
o sol raiou
.

E na madrugada que se fez dia
ele, lânguido, se estendeu,
e cresceu…fez-se à tarde, em melancolia…
sem vontade de se deitar

Agora… olhando o horizonte
Com a lua a despontar
relembro sua beleza tão singela
…e  fico-me a cogitar…

que…

havia fulgor
naquele sol poente,
que se espraiava dolente
no azul celeste, pertinho do mar…

E depois,
em melancolia,
cansado de mais um dia,
este sol, luz-amor,
mergulhou no mar
abraçou as ondas, beijou a espuma,
e sorrindo docemente… foi-se deitar…
.
Mas o seu sorriso ficou… dolente…
a doirar
as águas
deste mar…
… esperando a lua chegar…

De Maria La-Salete Sá (07/04/2015)



DESILUSÃO

A desilusão desta vida sou eu.
Eu, que me procuro e não me encontro
nos escombros desta vida em ruínas…

Quando descubro os fragmentos e quero reconstruir o puzzle,
a imagem real não se ajusta ao que de mim falta…

Sei que o resto és tu, tu que estás algures por aqui ou por aí,
mas nunca nas ruínas da minha vida…
Talvez alguém tenha encontrado primeiro o teu fragmento
e ajustado a um ser incompleto…

Julguei seres tu o complemento desta existência
repleta de futilidades e negações,
julguei seres tu a pessoa que me faltava
para abafar a saudade que quis esconder,
julguei seres tu…
…mas hoje apenas sinto em mim o vácuo
de mais um fracasso,
de mais um sonho desmoronado,
de mais uma queda abrupta para a realidade…

Perdoa-me se puderes
não me negues a tua amizade, pois…
mais do que nunca a necessito…

De Maria La-Salete Sá (07.04.1988---2oh 25m)





OPOSTOS…

Meu corpo é um rio à procura de foz,
minha alma o leito
que desce desde a fonte da nascente
e não encontra estuário onde se espraiar…

Meu corpo é um rio
que corre em sentido contrário,
teu corpo é o leito que quero beijar…

Meu corpo é um rio
que não encontra teu corpo-mar…

Nossos nortes são diferentes,
nossos mundos de nós ausentes
e meu ser uma constante
de desencontro…

Toda a vida procurarei esse mar no norte
que em ti se fez sul…

Jamais serei… Jamais seremos…

De Maria La-Salete Sá (07.04.1988---19h 55m)



REAL… OU… ILUSÓRIO?

Quem me dera saber o que quero e o que sinto,
o que tu… e tu… e tu… representas neste mundo,
o que de ti espero
e o que em ti procuro
ou o que em ti quero agarrar ou esquecer…

Não sei se te quero e necessito,
se para ti transponho o que não me pertence,
se tu és tu ou…tu,
se és o hoje, o ser novo, aquele que amo,
ou o ontem, a dor, a projeção, o sofrimento…
Se és a paixão real
ou a transferência do sonho…
ou então a anulação de tudo na entrega
deste corpo e desta alma
que pertencem a uma quimera…

Quem és tu, afinal?

O amor-anulação?,
a paixão projetada?,
o esquecimento abortado?…
… ou a pseudo-unidade
desta mulher de psíquico desintegrado,
de tal modo subdividida por labirintos
que se vê em todos e a um só tempo
sem saber qual é a luz
que tenuamente ainda brilha… por entre as trevas…?!


De Maria La-Salete Sá (1988…89…?)