quarta-feira, 6 de maio de 2015

A CONTRAGOSTO…


Gosto e desgosto
com gosto ou a contragosto
os pensamentos irradiam na mente,
em estado permanente,
em formas de formas mortas,
em formas de formas vivas,
em formas definidas,
em formas indefinidas…

E… quer seja gosto com gosto,
ou desgosto a contragosto,
vou acabar o escrito mais tarde…
…quando me surgir o gosto,
o gosto pela escrita
que agora vem a contragosto…
porque,
para meu desgosto,
as palavras e as frases,
as frases ou as ideias
que formam o pensamento
apanharam bem o gosto,
para meu desgosto…
… de se manterem caladas,
escondidas ou acabrunhadas
que nem a contragosto
querem ser encontradas…

Ai…mas que desgosto…


De Maria La-Salete Sá

segunda-feira, 4 de maio de 2015

VIAGEM PARA CASA

(Este texto saiu de um sonho)

Por entre o nevoeiro, lá ao longe na curva da estrada,
O autocarro surgia…
Surgia e seguia e nem sequer pensava
Que o fazia
E que com ele trazia
Sonhos, ilusões, sentimentos,
Uns de felicidade, outros de desalento…

E,
Mais além, já com chuva forte a fustigar,
E terras a desabar
A estrada se perdeu entre montes e serranias
E o autocarro indiferente aos sentimentos que transportava
Traçou uma rota descontrolada
Por estradas sem estradas,
Tombando e volteando ravina abaixo
E pelo trajeto foi semeando
Dores e medos, gritos e ilusões,
Mas também sentimentos e sensações
De libertação, de total desapego…

E nesse cenário de destruição
Onde apenas destroços restaram,
Muitas almas, agora libertas, iniciaram,
A verdadeira viagem para casa…

…para a sua família cósmica!

De Maria La-Salete Sá (04/05/2015)



 -imagens da net-

sábado, 25 de abril de 2015

OLHA EM TI…

Não ponhas chapéu para tapar as ideias,
põe antes óculos escuros
para que não se vejam esses olhos
maldosos;
masca uma pastilha elástica
para não proferires palavras impensadas
e olha-te bem
antes de atirares pedras…

Também tens telhados de vidro
e não se sabe qual quebrará primeiro…


De Maria La-Salete Sá (28-08-1986….00:35h)

PROCURAM-SE PALAVRAS



Procuram-se palavras que calem a dor,
Procuram-se palavras que falem de amor…
É urgente encontrar palavras que digam liberdade,
Como urgente se impõe o calar da saudade…

Procuram-se palavras que falem harmonia,
Palavras que iluminem sorrisos de alegria…
Palavras que lançadas ao vento
Espalhem sementes de puros sentimentos…

… sentimentos fraternos, na paz renascidos,
Sentimentos profundos, sem fundos vazios,
Sentimentos prenhes de esperança…
Sentimentos de acalmia, de bonança…

… porque…

É urgente encontrar as palavras que digam,
Que gritem, que clamem, que afirmem
Que Paz não é uma palavra perdida,
Mas uma palavra recriada e renascida

Que vibra, que ecoa, que se propaga
Neste país onde o bom senso naufraga…
É urgente que se encontrem palavras
Que ultrapassem o mero conceito… das palavras…,

É urgente que elas se encontrem
… e que sejam palavras com vida…
mas de vida com sentido…
… e não somente palavras…


De Maria La-Salete Sá


Imagem da net

terça-feira, 7 de abril de 2015

CARÍCIA SOLAR

Mal o dia acordou,
a madrugada sorriu
e, de braços estendidos espreguiçando o despertar,
o sol raiou
.

E na madrugada que se fez dia
ele, lânguido, se estendeu,
e cresceu…fez-se à tarde, em melancolia…
sem vontade de se deitar

Agora… olhando o horizonte
Com a lua a despontar
relembro sua beleza tão singela
…e  fico-me a cogitar…

que…

havia fulgor
naquele sol poente,
que se espraiava dolente
no azul celeste, pertinho do mar…

E depois,
em melancolia,
cansado de mais um dia,
este sol, luz-amor,
mergulhou no mar
abraçou as ondas, beijou a espuma,
e sorrindo docemente… foi-se deitar…
.
Mas o seu sorriso ficou… dolente…
a doirar
as águas
deste mar…
… esperando a lua chegar…

De Maria La-Salete Sá (07/04/2015)



DESILUSÃO

A desilusão desta vida sou eu.
Eu, que me procuro e não me encontro
nos escombros desta vida em ruínas…

Quando descubro os fragmentos e quero reconstruir o puzzle,
a imagem real não se ajusta ao que de mim falta…

Sei que o resto és tu, tu que estás algures por aqui ou por aí,
mas nunca nas ruínas da minha vida…
Talvez alguém tenha encontrado primeiro o teu fragmento
e ajustado a um ser incompleto…

Julguei seres tu o complemento desta existência
repleta de futilidades e negações,
julguei seres tu a pessoa que me faltava
para abafar a saudade que quis esconder,
julguei seres tu…
…mas hoje apenas sinto em mim o vácuo
de mais um fracasso,
de mais um sonho desmoronado,
de mais uma queda abrupta para a realidade…

Perdoa-me se puderes
não me negues a tua amizade, pois…
mais do que nunca a necessito…

De Maria La-Salete Sá (07.04.1988---2oh 25m)





OPOSTOS…

Meu corpo é um rio à procura de foz,
minha alma o leito
que desce desde a fonte da nascente
e não encontra estuário onde se espraiar…

Meu corpo é um rio
que corre em sentido contrário,
teu corpo é o leito que quero beijar…

Meu corpo é um rio
que não encontra teu corpo-mar…

Nossos nortes são diferentes,
nossos mundos de nós ausentes
e meu ser uma constante
de desencontro…

Toda a vida procurarei esse mar no norte
que em ti se fez sul…

Jamais serei… Jamais seremos…

De Maria La-Salete Sá (07.04.1988---19h 55m)