Os amigos são muito mais do que amigos,
são partículas de mim,
extensões do meu pensamento-ligação
na união, no confronto, na partilha, no amor,
na solidão.
Eles são EU em extensão...
E porque
na amizade não há barreiras,
"não há longe nem distância",
o meu EU em extensão
projeta-se neste universo imenso
tão individual, quanto dualista ou multifacial
na cimentação (ir)racional
do querer uno e universal.
Eu sou. Tu és. Eles são.
Nós somos amigos na individualidade,
energias aglomeradas na universalidade.
De Maria La-Salete Sá (in "Fragmentos de um percurso interior", reescrito agora obedecendo ao acordo ortográfico)
sexta-feira, 19 de junho de 2015
quinta-feira, 7 de maio de 2015
EM PAUSA DE INTERIORIZAÇÃO
Na força e determinação
que me norteiam,
no enfrentar do dia a dia,
descubro-me
como a mulher frágil que sou,
mas também…
como a criança que quer ressurgir,
e que se recusa a crescer.
Sou a mulher, sou a criança.
A mulher que luta,
que acredita na vida,
que procura fazer do seu dia a dia momentos de SER,
momentos de construir;
A criança que espera um afago e um miminho,
que quer um ombro,
a mão que a conduza,
o carinho...
Mas nesta dualidade
adormeço a criança e desperto a mulher,
adormeço a mulher e desperto a criança.
Na mulher crescem as responsabilidades da vida,
o trabalho,
o frutificar,
o lar...
A mulher é ativa,
assume a vida na família,
na sociedade de trabalho e de consumo,
faz-se prudente
e irreverente,
se necessário.
A mulher constrói ou destrói,
luta, faz certo ou errado,
assume e aceita as vitórias e os fracassos...,
enfrenta-se.
A criança constrói ilusões,
teme as maldades e as más ações,
é indefesa e carente.
Mas acredita na vida e tem medo da vida.
Tem medo da dor, do sofrimento,
ama e teme o amor...
Mas esta criança
ainda acredita em contos de fadas,
tem esperança nas flores,
tal borboleta esvoaçante...
Apesar do medo
não deixa fugir a ilusão,
dá vida aos sonhos,
recria mundos e universos de paz e harmonia
e sofre o silêncio e a nostalgia...
porque a vida lhe nega o direito de ser criança,
há que ser mulher...
Mulher-esperança,
mulher-mudança,
mulher-crescimento...
E... porque não MULHER-CRIANÇA?
De Maria La-Salete Sá (18/09/1996, reescrito com novas nuances, novos contornos em 07/05/2015)
INDEFINIÇÕES E ANGÚSTIAS…
Olhos
voltados para dentro,
olhos
mortiços,
num rosto
feito de indefinições,
indefinições
de muitos anos,
indefinições
de mulher idosa…
E…
da boca dessa
mulher
soltou-se um
grito de negação…
mesmo
sentindo-se mal,
mesmo afirmando
que viajava
para ir ao
hospital
essa mulher…
- que até viajava
em direção contrária…-
recusava-se a
sair…
O que haveria
por detrás desse rosto,
por detrás desse
ser sofredor,
que,
recusou ajuda
de quem se ofereceu para a acompanhar,
que recusou a
ajuda da equipe de emergência médica prontamente solicitada e que já se encontrava
junto ao cais???
Que gritos de
revolta ou de dor seriam aqueles que retrataram tanta angústia???
Que gritos
seriam os que saíram dessa boca???
O que estaria
por detrás de tal e tanta desorientação???
Foi a dor que
não senti,
foi a dor que
não vivi…, mas foi a dor que me…
doeu…
doeu…
doeu…
porque… mesmo
não sendo minha…
pertenceu-me…
De Maria
La-Salete Sá
(escrito em
07/01/2015, depois de ver a aflição, a confusão e o medo estampados no rosto de
uma velhinha que viajava no mesmo metro que eu, com dificuldade respiratória e
outros sintomas de quem estava com sérios problemas de saúde e se recusava a
sair para ser assistida.)
NUM DIA EM QUE ME ENCONTREI PERDIDA DE MIM…
Quando a alma
se sente perdida,
sem saber
como e onde se perdeu…
quando esta
alma procura um sorriso, um afago…
e encontra
barreiras e incomunicação…,
quando quer
entrar, brincando, no coração de quem ama…
e em vez do
sorriso de que está sedenta
encontra palavras
amuadas…
Ah! Pobre
alma…
que se diz e
pretende ser forte…
descobre então
que não lhe resta mais nada
a não ser
abandonar-se
na berma da
estrada em que se encontra perdida
pensando na
fórmula mágica
que lhe
indique o norte…
De Maria
La-Salete Sá (14 de Março de ....)
quarta-feira, 6 de maio de 2015
A CONTRAGOSTO…
Gosto e
desgosto
com gosto ou
a contragosto
os
pensamentos irradiam na mente,
em estado
permanente,
em formas de
formas mortas,
em formas de
formas vivas,
em formas
definidas,
em formas
indefinidas…
E… quer seja
gosto com gosto,
ou desgosto a
contragosto,
vou acabar o
escrito mais tarde…
…quando me
surgir o gosto,
o gosto pela
escrita
que agora vem
a contragosto…
porque,
para meu
desgosto,
as palavras e
as frases,
as frases ou
as ideias
que formam o
pensamento
apanharam bem
o gosto,
para meu
desgosto…
… de se
manterem caladas,
escondidas ou
acabrunhadas
que nem a
contragosto
querem ser
encontradas…
Ai…mas que
desgosto…
De Maria
La-Salete Sá
segunda-feira, 4 de maio de 2015
VIAGEM PARA CASA
(Este texto saiu de um sonho)
Por entre o
nevoeiro, lá ao longe na curva da estrada,
O autocarro
surgia…
Surgia e
seguia e nem sequer pensava
Que o fazia
E que com ele
trazia
Sonhos,
ilusões, sentimentos,
Uns de
felicidade, outros de desalento…
E,
Mais além, já
com chuva forte a fustigar,
E terras a
desabar
A estrada se
perdeu entre montes e serranias
E o autocarro
indiferente aos sentimentos que transportava
Traçou uma rota
descontrolada
Por estradas
sem estradas,
Tombando e
volteando ravina abaixo
E pelo trajeto
foi semeando
Dores e
medos, gritos e ilusões,
Mas também
sentimentos e sensações
De libertação,
de total desapego…
E nesse
cenário de destruição
Onde apenas
destroços restaram,
Muitas almas,
agora libertas, iniciaram,
A verdadeira
viagem para casa…
…para a sua família
cósmica!
De Maria
La-Salete Sá (04/05/2015)
-imagens da net-
sábado, 25 de abril de 2015
OLHA EM TI…
Não ponhas
chapéu para tapar as ideias,
põe antes
óculos escuros
para que não
se vejam esses olhos
maldosos;
masca uma
pastilha elástica
para não
proferires palavras impensadas
e olha-te bem
antes de
atirares pedras…
Também tens
telhados de vidro
e não se sabe
qual quebrará primeiro…
De Maria
La-Salete Sá (28-08-1986….00:35h)
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