terça-feira, 18 de agosto de 2015

NOSTÁLGICA RECORDAÇÃO


Por caminhos e carreiros,
Por entre montes e ribeiros
Se faziam os percursos
De Guirela às cercanias…
De chancas ou de socos,
De chinelos ou de sapatos,
Ou até de pés descalços
Não havia perna manca
Em dias de romarias!

Em grupos de deslocavam,
Alegres e prazenteiros
E alegremente cantavam
Não pensando sequer
Na lonjura da jornada…
Já que em dias de festa,
Havia alegria e mais nada!

E fora das romarias
Esses carreiros de terra,
Tinham gente a caminhar
E nem o pó e nem as pedras,
Nem as cobras no verão
Eram impedimento no andar.

Esses caminhos por pinhais,
Por vales e por ribeiros,
Que pena que hoje tenho
De os saber quase perdidos…
Já não me levam a Lázaro,
Nem a Almançor ou a Balaído,
Porque quase todos…escondidos
Ou camuflados por matagais…

Ai que saudades da altura
Em que os percorria,
Eram pérolas de infância,
Vivem na minha lembrança,
Evocando a nostalgia
De hoje serem lonjura…

De Maria La-Salete Sá


sábado, 4 de julho de 2015

A MINHA PADARIA DA RUA 26


Na minha padaria
Há pão e simpatia,
Há café, doces, bebidas,
Serviços de mesa
Em sorrisos de simpatia.

Na minha padaria
Respira-se alegria,
provam-se sabores,
Fala-se da vida,
fala-se de amores,
amores adultos,
amores crianças,
amores de infância,
amores…

Na minha padaria
Há alegria
Há pão fresco, fresquinho,
Doces, bebidas,
Ou um cafezinho.
Na minha padaria
Há padinhas, há pão vida,
E vontade acrescida
De um pequeno almoço
Revigorante…
Para começar o dia
Com energia!

E digam o que quiserem,
Pensem o que pensarem
Como esta padaria
Outra não há igual
Ou não seja a minha
Uma padaria AIPAL



De Maria La-Salete Sá (28/06/15)

NO RUMOR DA CIDADE…



Há carros que passam apressados
na rua movimentada da cidade,
há ilusões, há sonhos,
há alegrias e há tristezas
em seu interior transportados

E no rumor da cidade
- borburinho sem parar-
gentes cruzam-se com gentes,
gentes isoladas, indiferentes,
como se a vida ao lado passasse.

Mas…
nesta rua movimentada
onde carros e gentes se apressam
há vida a pedir vida,
há olhares perdidos
esperando alguém que os encontre,
há sorrisos adormecidos
sonhando “um olá” que os desperte,
há gentes em estado de dormência
ansiando um abraço que as acorde…

… nesta rua movimentada da cidade

E… no rebuliço da cidade…
… vai-se a vida desenrolando
em esquecimento
… de VIDA…

De Maria La-Salete Sá (04/07/2015)

imagem da net


 

sexta-feira, 19 de junho de 2015

OS AMIGOS

Os amigos são muito mais do que amigos,
são partículas de mim,
extensões do meu pensamento-ligação
na união, no confronto, na partilha, no amor,
na solidão.
Eles são EU em extensão...

E porque
na amizade não há barreiras,
"não há longe nem distância",

o meu EU em extensão
projeta-se neste universo imenso
tão individual, quanto dualista ou multifacial

na cimentação (ir)racional
do querer uno e universal.

Eu sou. Tu és. Eles são.
Nós somos amigos na individualidade,
energias aglomeradas na universalidade.

De Maria La-Salete Sá​ (in "Fragmentos de um percurso interior", reescrito agora obedecendo ao acordo ortográfico)

quinta-feira, 7 de maio de 2015

EM PAUSA DE INTERIORIZAÇÃO

Na força e determinação
que me norteiam,
no enfrentar do dia a dia,
descubro-me
como a mulher frágil que sou,
mas também…
como a criança que quer ressurgir,
e que se recusa a crescer.

Sou a mulher, sou a criança.

A mulher que luta,
que acredita na vida,
que procura fazer do seu dia a dia momentos de SER,
momentos de construir;

A criança que espera um afago e um miminho,
que quer um ombro,
a mão que a conduza,
o carinho...

Mas nesta dualidade
adormeço a criança e desperto a mulher,
adormeço a mulher e desperto a criança.

Na mulher crescem as responsabilidades da vida,
o trabalho,
o frutificar,
o lar...

A mulher é ativa,
assume a vida na família,
na sociedade de trabalho e de consumo,
faz-se prudente
e irreverente,
se necessário.
A mulher constrói ou destrói,
luta, faz certo ou errado,
assume e aceita as vitórias e os fracassos...,
enfrenta-se.

A criança constrói ilusões,
teme as maldades e as más ações,
é indefesa e carente.
Mas acredita na vida e tem medo da vida.
Tem medo da dor, do sofrimento,
ama e teme o amor...
Mas esta criança
ainda acredita em contos de fadas,
tem esperança nas flores,
tal borboleta esvoaçante...
Apesar do medo
não deixa fugir a ilusão,
dá vida aos sonhos,
recria mundos e universos de paz e harmonia
e sofre o silêncio e a nostalgia...
porque a vida lhe nega o direito de ser criança,
há que ser mulher...

Mulher-esperança,
mulher-mudança,
mulher-crescimento...

E... porque não MULHER-CRIANÇA?



De Maria La-Salete Sá (18/09/1996, reescrito com novas nuances, novos contornos em 07/05/2015)


INDEFINIÇÕES E ANGÚSTIAS…


Olhos voltados para dentro,
olhos mortiços,
num rosto feito de indefinições,
indefinições de muitos anos,
indefinições de mulher idosa…

E…
da boca dessa mulher
soltou-se um grito de negação…

mesmo sentindo-se mal,
mesmo afirmando que viajava
para ir ao hospital
essa mulher…
- que até viajava em direção contrária…-
recusava-se a sair…

O que haveria por detrás desse rosto,
por detrás desse ser sofredor,
que,
recusou ajuda de quem se ofereceu para a acompanhar,
que recusou a ajuda da equipe de emergência médica prontamente solicitada e que já se encontrava junto ao cais???
Que gritos de revolta ou de dor seriam aqueles que retrataram tanta angústia???
Que gritos seriam os que saíram dessa boca???
O que estaria por detrás de tal e tanta desorientação???

Foi a dor que não senti,
foi a dor que não vivi…, mas foi a dor que me…

doeu…
doeu…
doeu…

porque… mesmo não sendo minha…
pertenceu-me…

De Maria La-Salete Sá


(escrito em 07/01/2015, depois de ver a aflição, a confusão e o medo estampados no rosto de uma velhinha que viajava no mesmo metro que eu, com dificuldade respiratória e outros sintomas de quem estava com sérios problemas de saúde e se recusava a sair para ser assistida.)

NUM DIA EM QUE ME ENCONTREI PERDIDA DE MIM…


Quando a alma se sente perdida,
sem saber como e onde se perdeu…
quando esta alma procura um sorriso, um afago…
e encontra barreiras e incomunicação…,
quando quer entrar, brincando, no coração de quem ama…
e em vez do sorriso de que está sedenta
encontra palavras amuadas…

Ah! Pobre alma…
que se diz e pretende ser forte…
descobre então que não lhe resta mais nada
a não ser abandonar-se
na berma da estrada em que se encontra perdida
pensando na fórmula mágica
que lhe indique o norte…



De Maria La-Salete Sá (14 de Março de ....)