domingo, 22 de maio de 2016

SE SE PUDESSE...

Ah! Se se pudesse agarrar este sopro de vida
que nos dá ânsias de mais e mais...
Se se pudesse correr através das barreiras sociais
e ultrapassar as fictícias restrições a que nos submetemos..
Se se pudesse viver só o presente sem a sombra do passado
e sem medo do futuro....
com serenidade, responsabilidade e amor,
com aquele amor que é vida
e que vida nos dá
(mesmo através da escuridão da morte
que sinistramente sorri por entre as estrelas...)
Se se pudesse dar eternamente amor ao mundo
sem que o mundo o pensasse erradamente...,
assim a vida seria VIDA
e a morte jamais viveria...
Mas... no mundo dos preconceitos,
no mundo das mentiras,
no mundo de ma sociedade desfeita
apenas a MORTE é o único ser totalmente vivo...


Maria La-Salete Sá (05/09/1979)


REALIDADE IRREAL

Já pensei vezes sem conta esquecer-te
Ontem, hoje, amanhã e para sempre,
Atrever-me a pensar-te sem amor,
Olhar-te como um amigo somente…

Contudo a realidade é bem diferente,
Apenas eu me sinto ausente,
Refugiada em pensamentos errantes,
Logrando um desengano constante,
Omitindo de tudo e de todos
Sentimentos puros e ofuscantes…

Puros e ofuscantes porque proibidos,
Interrogações por demais dolorosas,
Néctar que deixou de adoçar,
Tempestade que não vai mais acabar,
Orvalho frio que me irá regelar…

Desabafo por fim este tormento
E vou sonhando em pensamento…

Cansada, enfim, de tanto lutar,
Angustiada pelo que há de chegar
Rogo a Deus piedade, mas em vão…
Violenta é a realidade, e é tão dura
A sensação do dever e do sentir… insegura…
Lucidamente vejo-me na irrealização
Hesitando em abafar na tristeza o sentir
Ou dar alento ao grito a alma e do coração…


Maria La-Salete Sá (31/10/1979)

PENSA...

Quando te lembrares duma longa história,
quando te lembrares dum drama
que quase só tu e eu conhecemos,
lembra-te de mim…
lembra-te de mim e pensa
no que foi a minha vida,
no que foi o meu olhar…
Pensa…
no mundo de sonhos desfeitos
que te mostrei,
nos erros que cometi
e na fuga em que andei
e no abismo em que caí…
Pensa…
no caminho que me apontaste
e no apoio que me mostraste…
Pensa… sobretudo…
no beijo que pediste e que te dei
e no infindo mar de sonhos que não realizei,
mas que te dei…
Que te dei
nesse beijo tímido e furtivo,
nessa Páscoa dolorosa e triste…

Nele foi todo o meu sentir, 
nele ficou todo o meu ser…
                                             …desfeito…


Maria La-Salete Sá (20/10/1979)

ENCRUZILHADA


Esta vida sem sentido
colocou-me na encruzilhada,
mas não me apontou o caminho…
Não, não é um labirinto,
apenas duas vias de rumos diferentes:
-- a luta pelo nada, ou a vereda do sem fim –
E eu só terei que optar.
De que me vale lutar?
Que futuro tenho diante de mim?
Apenas a desolação e o encarceramento
de uma existência de frustrações…
Não! Não tenho opção possível.
Parei na encruzilhada
à espera eu o vento me indique o rumo.
Mas isso é um contrassenso!
Esperar por mais sofrimento?!.,..
Já sei! Seguirei a vereda do sem fim,
cujo fim não sei se será,
nem onde,
nem como será…
Mas então, provavelmente angustiada (ou talvez até liberta),
entrarei nesse mundo infinito…
onde infinita de tão finita se torna vida…

E só de pensar que já tenho rumo…
sinto diluir-se a minha angústia
e o esvair da minha opressão…


Maria La-Salete Sá (09/10/1979) COM ALGUMAS ALTERAÇÕES

sexta-feira, 6 de maio de 2016

I HAD A DREAM

I awoke up with this on my mind (25/04/2016)



The sweet thought awoke soon
And always smiling
It spread all around its joy…
The world fills itself in a big smile
Touching all the people
And making everybody
Reborn in true love!

The earth is sick no more,
Flocks of birds play and sing through the sky,
The green places are coming
And a fairy-crowd flies from flower to flower
In a beautiful and multicolor ballet!

Now we are John Lennon’s dream come true…

Maria La-Salete Sá


sexta-feira, 18 de março de 2016

Um poema/comentário ao meu "DIVAGAÇÕES SOBRE A LOUCURA"

Na tua loucura,
Se encontra muita ternura,
Não sei a imensidão da tua realidade,
São coisas da idade!...
Nasci e pensei,
Algumas coisas encontrei, e, desencontrei...
D'os Amigos a loucura,  
D'os Poetas a ternura,  
D'Amizade encontrar!...
Cara Amiga, um abraço te vou dar,  
Boa Poesia, é esse o meu desejar.

Para a La-Salete com toda a minha Amizade e muito respeito.

Carlos Varela

NA CIDADE DO FAZ-DE-CONTA

Na cidade do faz-de-conta havia um jardim encantado, cheio de lindas flores, um lago com muitos peixinhos coloridos, árvores com ninhos e pássaros que brincavam em bandos. Mas, logo a seguir ao jardim também havia uma floresta onde morava o gigante e ninguém lá podia entrar.
Numa casinha dessa cidade vivia o Roberto, um menino muito educado e que nunca fazia asneiras. E na casa ao lado morava a Filipa, amiga do Roberto.
Numa tarde quentinha de primavera foram brincar para o jardim encantado. A mãe do Roberto e a mãe da Filipa disseram-lhes que não entrassem na floresta porque era muito perigoso.
Quando chegaram ao jardim correram atrás das borboletas que os desafiavam para a brincadeira. Depois de muita brincadeira, já cansados, sentaram-se na beira do lago a apreciar os peixinhos coloridos que saltitavam na água, até que um peixe vermelho, um peixe mau e maior do que os outros, disse:
- Vão à floresta! Lá tem flores e pássaros ainda mais bonitos do que aqui!
O Roberto respondeu logo que não ia, porque a mãe dissera que era perigoso, mas a Filipa, que nem sempre fazia o que os pais mandavam correu para a floresta.
O Roberto bem lhe gritava: «Não vás, não vás, é perigoso», mas ela nem quis ouvir e… mal entrou ouviu um UUUUUUUUUUU, em som rouco e muito forte que a assustou. Era a voz do gigante que logo apareceu e a apanhou, levando-a pendurada na sua mão.
Mal se sentiu presa naquela mão tão grande e forte gritou:
- Socorro! Roberto! Ajuda-me, ajuda-me a sair daqui! O gigante apanhou-me!
Roberto ouvindo os seus gritos foi ao lago falar com o peixe vermelho:
-Porque fizeste isso? Porque querias que fôssemos para a floresta? Sabes dizer-me pelo menos como posso tirar a Filipa das mãos desse gigante e trazê-la de volta?
- Desculpa, eu não era um peixe mau, nem sequer era um peixe, eu era um menino como tu, amigo doutro menino . Mas um dia a bruxa do bosque (que não gosta de crianças) viu-nos aqui a brincar, fez um feitiço e transformou-me neste peixe e ao meu amigo no gigante. E nós não somos maus, só estamos um bocado zangados pelas maldades que a bruxa nos fez.
- Mas como posso ou como podemos ajudar a Filipa a sair da floresta?- perguntou  Roberto.
- Vais à entrada da floresta e chamas a Fada do Bosque, só ela te pode ajudar.
Então o Roberto lá foi e ao chegar ouviu um UUUU, vindo lá da floresta, mas sem medo chamou:
- Fada do Bosque! Fada do Bosque! Vem! Preciso da tua ajuda para trazer a Filipa que entrou na floresta!
E logo apareceu a Fada, uma fada muito bonita, com asas de borboleta e uns lindos olhos azuis. Não trazia uma varinha, em seu lugar trazia uma flor muito linda! Deu a mão ao Roberto e voaram juntos para dentro da floresta. Quando viram o gigante com a Filipa pendurada na mão, a fada abanou a flor e começaram a cair por cima do gigante pós mágicos muito lindos, dourados e de muito mais cores.
E sabem o que aconteceu??? Cada vez que os pós mágicos caíam o gigante ia ficando cada vez mais pequeno até que ficou do tamanho da Filipa!
Quando olhou para ele e para a menina ficou tão contente que nem queria acreditar!
- Ah! Obrigada Fada do Bosque! O feitiço acabou! Eu sou o Filipe que a bruxa transformou em gigante! Já não sou o monstro, já sou o menino!
E, em grande alegria, saiu da floresta acompanhado da Filipa, do Roberto e da Fada.
Chegados ao jardim foram ao lago agradecer ao peixe e… nem queiram saber o que viram! Sentado na beira do lago estava um menino muito contente, porque a fada, ao ajudar a Filipa e o Filipe tirou a força da bruxa e todos os feitiços dela acabaram!
Ficaram todos muito felizes e a Filipa nunca mais desobedeceu aos pais!


De Maria La-Salete Sá