sexta-feira, 5 de maio de 2017

EM VÃO...




A chuva impertinente que cai lá fora
turva-me a vista e os sentidos,
a ausência de carinho que tenho cá dentro
enche a minha saudade de ti...

E tão cinzento como o céu que me cerca,
triste e sombrio
está o meu coração angustiado...
... de tanto amar...
...em vão...

De Maria La-Salete Sá (10/12/1987  15:35h)

(imagem da net)

REPERCUSSÃO


Em consciência
pergunto ao meu ego
o que sou, o que penso, o que quero
e apenas os ecos do inconsciente
repercutem em mim
que o meu querer 
e o meu pensar
são de todo opostos à minha razão consciente...

De Maria La-Salete Sá (25/07/1987)

Não quero sufocar-te,


Não quero sufocar-te,
só quero o teu amor,
a tua presença...
Sem ti fico perdida,
incapaz de penetrar
na corrente do meu pensamento...
Porque... pensamento inconstante,
tal viajante louco,
sem rumo,
inquieto e inquietante
no deambular...

Não quero sufocar-te,
apenas quero amar-te
assim como sou,
assim como sei amar...

De Maria La-Salete Sá (20/02/1988 21:50h)

AMO-TE E QUERO-TE

Amo-te e quero-te
neste desespero imenso de nunca te ter,
nesta angústia constante de ter que calar,
neste tormento infinito de ter que olhar o mundo
e saber...
... que tenho de aceitar o desprezo e o desamor
de quem quero ajudar...

Amo-te e quero-te
sem poder falar,
sem poder pensar no teu olhar,
sem poder ser livre e acordar
para o mundo que me cerca...

Amo-te e quero-te
com este sexo quente que te deseja,
com este coração ardente que te busca,
com este sentimento impertinente
que me arrasa e amachuca...

Amo-te e quero-te
fechada nas paredes do meu silêncio,
sonho teu corpo no meu a cada momento,
acaricio teu peito, abraço-te e beijo-te
em pensamento...
... e desfaleço de desejo e amor
encurralada no tempo,
sem tempo nem jeito
de te querer, de te ver,
de me dar, de te ter...

Amo-te e quero-te
no sofrimento atroz
de saber que esta vida se fechou
para mim..., para nós,
de não ter vida para viver,
de esperar
- enferma de alma -
a hora de morrer...

Mas... afinal já morri...
para o mudo,
para ti...

De Maria La-Salete Sá (19/01/1988  22:55h)



MEMÓRIAS DE UM SONHO (30/11/14)



Esta noite tive um sonho que me deixou a pensar…  e deixou-me a pensar por dois motivos:
- Primeiro, porque me lembrei nitidamente de parte dele bastante depois de acordar, quando, se não escrevo mal acorde, pelo menos alguns tópicos, logo ele fica esquecido. E o que aconteceu foi precisamente o contrário, quando acordei nem me lembrei do sonho, nem sequer pensei se teria ou não sonhado. A sua memória veio já eu estava acordada há, pelo menos, uns dez minutos!
- Segundo, a memória chegou com tamanha precisão, toda ela, menos a pessoa de quem estava à procura no sonho…
- Por último  (afinal ainda há um terceiro motivo), se por um lado me deixa apreensiva e preocupada, razão porque tenho necessidade de o escrever, por outo lado, a par com esta preocupação e apreensão, há uma sensação de paz e de tranquilidade que me envolve e que não consigo “enquadrar” no contexto do sonho… ou talvez até consiga! Esta tranquilidade e paz esteve presente no sonho.

E agora aqui fica o sonho:

Estava em S. Pedro  (Paraíso, Castelo de Paiva), na estrada junto à igreja. Eu ia para a igreja, talvez à missa, mas muitas pessoas subiam a rampa em direção ao cemitério todas com ramos de flores, tendo-me chamado a atenção um ramo de coroas de rei cor de fogo que uma senhora levava (agora ao escrever parece que identifico esta senhora com a Otília), ou seja, em vez de descerem os degraus que dão para o adro da igreja, subiam, em direção contrária, para o cemitério. E era já a hora do ofício religioso (talvez a missa). Embora intrigada pelo facto de tanta gente ir ao cemitério em vez de ir à igreja, segui o meu caminho com o intuito de  verificar se (e onde, dentro da igreja) estava alguém (um familiar, que agora não consigo nem consegui) saber quem… Verifiquei, entrando na porta lateral esquerda ( em relação ao frontespício da igreja), mas não estava. Fui então á entrada, também não estava, na outra entrada lateral, também não…

Não me lembro de mais nada, sei apenas que fiquei apreensiva, mas não preocupada pelo facto de não ver a pessoa que procurava. E agora, como que um flash de memória, veio à minha mente o meu pai. Seria ele de quem eu andava à procura?
Qual a relação de não o encontrar com o cemitério?

Talvez a sensação de tranquilidade se deva ao facto de saber que, mesmo camufladamente, a certeza de que o meu pai (ou a pessoa que procurava) se encontrva bem e livre de qualquer perigo...


Texto publicado muito depois do acontecimento onírico, embora escrito na altura.

Maria La-Salete Sá

SOU TÃO FELIZ


Sou tão feliz!

As dificuldades da vida
ajudam-me a viver!
E como vivo!
Vivo!
E já não tenho medo
de andar…

Sou tão feliz!

Que mais posso desejar
além da realização do meu sonho?
Serei professora!
Mestra de crianças pequenas e inocentes,
amiga das sombras do que fui,
apaixonada pelas flores que farei desabrochar!

Sou tão feliz!

Feliz no rumo que estou a seguir,
feliz na vida que estou a viver,
feliz no futuro que me espera…

Sou tão feliz!
Mas como sou FELIZ!


De Maria La-Salete Sá (01/10/1972)


sexta-feira, 21 de abril de 2017

SUSSURRO QUENTE DA NOITE


No sussurro quente da noite, languidamente o sono boceja…
Sono cansado de tantos caminhos em sonhos perdido…,
Em sonhos achado…
Perdido na bruma do devaneio
Entre nevoeiros de solidão… a lembrar abril,
Achado no sonho onde a quimera se faz real…

No sussurro quente da noite…
Deixemos que cada sonho se sonhe,
Que os nevoeiros da solidão se dissipem
E que os sonhos se tornem quietudes
Que sejam abraços,
Que sejam sorrisos, afetos, afagos…

Deixemos que o sussurro quente da noite
Adormeça a solidão
E que o sonho se torne abril
No despertar da manhã clara.


De Maria La-Salete Sá

(imagem da net)