terça-feira, 11 de dezembro de 2012

AGUARELA




Desenho traços...
tantos traços disformes,
uns pequenos, outros enormes
num conjunto vazio...

...onde tudo é disforme
tão disforme como os traços disformes,
mas vou dar-lhes forma!
Assim:
Uma espessa pincelada,
outra mais aguada
e mais outra ainda...

Já não vejo apenas traços,
não!
São traços e um colorido
e o conjunto já não é vazio!
O que tenho diante de mim
já não é o papel em branco,
já não são traços disformes!

O papel antes branco
é agora a minha tela
de belas cores vestido,
já não é só papel,
é a minha aguarela!

De Maria La-Salete Sá (13/05/1972)

(gravura do google)


terça-feira, 27 de novembro de 2012

JOSÉ SEPÚLVEDA



Jardineiro de palavras e emoções
Onde prosas e rimas se cruzam
Sempre atento a este belo espaço
E às “postagens” dos que o usam…

Semeando alegria e humor
Espalha incentivo ou louvor,
Partilha amizade e poesia
Unicamente pelo prazer da magia
Levada aos amigos dia após dia.
Vejo-te e sinto-te assim, meu irmão…
Entrei no Solar por amor à escrita
Descobri-te amigo, reparti poemas,
Alegrias e emoções…



Já não és mais amigo virtual,
És amigo real, amigo do coração…,
Porque para se ser amigo…
…basta sê-lo!

Obrigada!


QUASE, QUASE LUA CHEIA… SÓ FALTA UM DIA!




A noite já chegou,
O céu já estrelou
E quase, quase é lua cheia,
É já amanhã, só falta um dia!
E, como que por magia,
Poisei na lua,
Colhi uma estrela,
Caí na areia,
Fui sereia…
Entrei no mar,
Num mar de amor,
Num mar sereno, cheio de paz.
Ouvi, num sussurro de Imanjá,
Que todas as estrelas do céu
E todas as estrelas do mar
Se aliaram à lua quase cheia
Para que todos os meus amigos
Tenham uma noite tranquila,
Plena de harmonia.
E do céu a lua me disse
Que quem viver esta magia,
Sempre recordará,
Às vezes com melancolia,
Outras com total alegria
A noite em que…
Alguém pousou na lua,
Colheu uma estrela,
Caiu na areia
E foi sereia…

(… ainda que só por vontade
de desafiar a realidade
e imaginar… imaginar… imaginar
que tudo foi verdade.!!!...)

De Maria La-Salete Sá   (27/11/12  01H 05M)





MINHA CANETA




Zangou-se comigo a minha caneta,
Ela que sabia ser a minha caneta
Predileta…
Ela, a minha caneta

Cor de violeta,
A caneta da minha cor predileta
Estava zangada comigo!…
Tão zangada que nem escrevia.
Não escrevia nada…
Nem sequer uma letra,
Nem um rabisco…
Nada, mesmo nada!
E, intrigada,
Perguntei-lhe a razão.
Também triste pela situação…
Algo sentida respondeu:
“Se estou triste e sinto dor…
A culpa é tua e do computador…
Deixaste-me abandonada
E minha tinta secou.”
“Então
Que posso eu fazer
Para voltares a escrever?”
“Só preciso de tinta,
Um pouco mais de carinho
E algum respeito…”
E um pouco sem jeito,
Fiz-lhe um miminho
E fizemos as pazes.
Não abandonei o computador,
Mas a caneta está presente,
Sempre aqui ao meu lado.
Às vezes até dá “dicas”
Para as minhas escritas.
Se a inspiração se esconde
A caneta escreve ou risca
O que me servirá de pista
Para escrever no computador.
Assim,
Computador e caneta,
Caneta e computador,
Trocam ideias, são amigos
Nenhum está em desfavor,
Nem em desamor.

“Ah!, minha tão linda caneta,
Não te zangues mais comigo
Caneta cor de violeta,
Minha tão linda caneta!”

De Maria La-Salete Sá (26/11/12)


ACRÓSTICO (recente)







Mente irrequieta, desvendando mistérios,

Alimento de luz e amor, assim sou eu

Renovação constante de ser e mais ser…

Integrada já estou na vida que vivo,

Amo e partilho o que a vida me deu.


Levo na alma uma centelha de luz,

Abro meu coração ao amor.

- Mesmo quando me sufoca a dor.-

Sou eu mesmo assim, que vivo a sonhar,

A Salete, menina e criança - uma só,

Livre para brincar e fabricar magia…

Eternamente criança, mas também avó

Transformo meu mundo a cada momento

E ao meu redor espalho alegria.


Fabricante de histórias de encantar,

Remexo e remexo… no baú da fantasia…

Anjos, fadas, bruxas e animais falantes,

Nemos, Gullivers, Merlins e Morganas,

Capitães, navios piratas em alto mar

Improvisam as cenas, baralham as deixas…

São meus heróis nesta coisa de inventar.

Correm e brincam em perfeita harmonia

Aqui, neste meu mundo de fantasia…


Dispo-me de mulher, visto-me de criança,

Entro no sonho, volto à infância…


Sou garota cheia de ilusões, sou traquina

Alimento meus sonhos, sou a menina!

FILHO DO MAR




Nas areias brancas da praia

Brincando ao faz de conta,

O menino sonhava.


Sonhava que era gaivota,

Gaivota livre, a voar,

Gaivota, filha do mar…


E o menino sonhava,

Sonhava…


E no sonho ganhou asas,

Ganhou penas,

Ganhou bico,

No sonho…

Foi filho do mar…


Entrou nas águas,

Mergulhou,

E no mergulho acordou…

Mas voltou a sonhar.


Sonhou que era peixe,

Logo depois uma alga,

Uma anémona,

Uma rocha…


Como era bom ser filho do mar!


O mar visitou seus sonhos

E, feliz, beijou-lhe os pés,

O menino deitado na areia,

Logo, logo foi sereia.

Sereia cheia de encantos,

Sereia de amor e magia

Foi canto, foi alegria,

Nesse sonho fantasia…


E quando a mãe chamou

Para que fosse ao mar,

O menino acordou…

Já não era sereia,

Nem rocha,

Nem anémona,

Nem sequer alga ou gaivota,

Mas era um menino feliz,

Sentindo-se filho do mar!



De Maria La-Salete Sá

FILHO DO MAR 2




Nas areias brancas da praia

O menino, brincando ao faz de conta,

Sonhava…

Sonhava que era gaivota,

Gaivota livre que voa,

Gaivota filha do mar.


E no sonho ganhou asas,

Ganhou bico,

Ganhou penas,

Foi gaivota, filha do mar.


A gaivota mergulhou,

No mergulho acordou

Para voltar a sonhar…


Logo, logo foi peixe,

Depois alga,

Anémona,

Rocha!


Agora, deitado na areia,

Não era menino, era sereia!

Sereia de encanto e magia,

Ser de luz e de amor!


E quando a mãe o chamou,

Quando o menino acordou

Desse sonho-fantasia

Já não era gaivota

Não era peixe,

Não era alga,

Nem anémona,

Nem rocha sequer.


Mas trazia o encantamento

Da sereia,

E a magia

De ter sido por momentos

Muito mais do que um menino…


Sentindo-se eternamente

Um filho do mar…



De Maria La-Salete Sá