quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

TUDO O QUE SOU

Sou uma garota irrequieta

Medrosa,

Alegre...

Chorosa...

Feliz

E desditosa...

 

Sou uma criança

Que adora a solidão...

Sou uma senhora

Que gosta do barulho

E da multidão...

 

Sou adolescente

Que vive a sonhar...

Sou adulta

Que com bonecas

Adora brincar...

 

Sou bebé risonho

Que já quer falar,

Sou mulher crescida

Querendo contar

O que tem de calar...

 

Sou eu mesmo assim

Que vivo a lutar...

Sou sopro de brisa

Com ânsia infinita

De a todos amar.

 

(Escrito em 1970, no Colégio de Nossa Senhora da Bonança, em V.N. de Gaia)

 

S.O.S.

A minha barca perdeu o leme...

Vai à deriva num mar revolto

de incertezas...

Lanço um S.O.S.,

um apelo de urgência:

"Se alguém me encontrar,

ponha-me em terra firme,

repare a minha barca...

... para que eu recobre de novo a Esperança

na viagem da vida

sem medos, sem tempestades,

mas num mar de bonança."

 

                                    (De  Maria La-Salete Sá in "O Desassossego da Vida")

 

INTEGRAÇÃO


Era o mar. Somente o mar,
Um oceano calmo e tranquilo (na aparência),
vigoroso e imponente (na realidade).
Somente o mar.

E nesse mar espraiado,
vestido de verde e dourado,
com grinaldas de brancas flores
desfolhando-se na areia,
abraçando as rochas e beijando as gentes
estava o Universo.

Era o mar. Somente o mar...

Pátio de cantigas onde brincavam nereides,
parque de sol onde se estendiam ondinas.
Somente o mar.

Um vaivém de sereias,
de musas,
de deuses...
Somente o mar...

O mar da Galileia. Sem tempo.
Cristo-criança cantava nas ondas,
Cristo-adulto andava nas águas.
E os Simões-Pedros ouviram as sereias
e sentiram o êxtase da pureza e da plenitude.
E pararam. E olharam. E amaram.
Amaram a Deus pela majestade e beleza,
pelo amor e pela grandeza,
amaram o mar pela imensidão e pela força,
amaram a terra, amaram os homens,
amaram tudo e todos...
... pelo Amor...

Era o mar. Somente o mar.

Mas esse mar - tão somente - era o Tudo,
era o Cosmos,
era Deus!

De Maria La-Salete Sá (Verão de 1992 ou 1993)

CHUVA MANSA

Chuva mansa

Canta a sua melodia

Fazendo-me recordar

E chorar

Baixinho, só para mim,

A chuva daquele dia…

 

Chuva mansa

Vai caindo nos beirais,

Vai pingando de mansinho

Faz sentir

A ausência de um alguém

Pondo-me a chorar baixinho.

 

Chuva mansa

Caindo no meu telhado

Vem bater à minha porta

E lembrar

A alma desse amor

Que há longos meses está morta.

 

Chuva mansa

Beijando as flores da varanda

E refrescando a Natureza

Dá-lhes

Um aspeto mais airoso

E com muita mais beleza.

 

Chuva mansa

Vens depositar na terra

Os teus mais belos cristais

E lembrar

Que não deverei ficar

A chorar ainda mais…

 

De Maria La-Salete Sá

(1968/69)

AUDAZ FANTASIA...

Olho-me no espelho…

Vestida a preceito no meu vestido vermelho!

Que linda que estou!

Sorrio à minha imagem e penso:

«Vou arrasar!...»

Mas logo me perco…

Já não sei onde estou…

Estou… do outro lado do espelho

Tomada pelo desejo

De te enfeitiçar…

Dispo, sedutora, meu vestido vermelho…

Fabrico fantasias,

Desenho cenários de paixão!

Percorro teu corpo,

Bebo teu néctar,

Sorvo teus beijos,

Desperto desejos, suspiros, arquejos…

Nossos corpos, agora enlaçados,

Dançam em ritmo crescente,

Sincronizados,

Até ao êxtase… ansiado…

E, de novo fora do espelho,

Trajando meu vestido vermelho,

Sorrio aos meus pensamentos

Que inventaram momentos

De paixão e poesia…

Em voos de audaz fantasia…

 

De Maria La-Salete Sá (27/02/2013)

 

APELO AOS JOVENS

Jovens!

Ouvi-me…

É com entusiasmo

Que chamo por vós!

Vede que há no mundo

Mais jovens como nós!

Jovens!

(Tenho apenas 17 anos)

Sou jovem também,

Vede, olhai

Que há mais jovens

Pelo mundo além.

Jovens!

Como eu, deveis saber

Que há pelo mundo

Muitos… muitos jovens como nós,

Mas que estão a morrer!

Jovens!

Ouvi suas vozes que gritam!...

Têm fome,

Estão nus… tiritam.

Jovens!

Vamos até eles,

Aliviemos sua dor,

Estão fracos,

Famintos de amor.

Jovens!

O nosso valor

Vamos pôr a render,

Acorramos a quantos

Estão a sofrer.

Jovens!

Não ouvis como eu

Alguém gritar?

É certo que sim,

Porque unidos eu sei

Que os vamos salvar!

Somos jovens na vida e no amor,

A todos os jovens levemos vigor.

 

De: Maria La-Salete Sá (1969)

NOS DEDOS DO VENTO


 


Entrelaçando os dedos no vento,

Em danças etéreas, de magia

Num bailado de harmonia

Rodopiam fadas e silfos.

Com vestidos de cetim.

São crianças-duendes,

Meninos de invento

Em sonhos de fantasia.

Entrelaçando os dedos no vento

Os anjos brincam e dançam

Por entre a folhagem das árvores

E, de suas asas deixam penas

Que, poisando, fazem de ninho

Nos ramos mais abrigados…

E nos ramos e no ninho,

Dorme tranquilo um passarinho

Que…

Acordado é menino…

Mas o menino sonha…

Sonha que um dia sonhou…

Que nesse sonho sonhado

Fora fada, silfo, anjo, pena,

Passarinho e duende…

E sonha…

E sonha…

E sonha…

Mas sonha agora acordado,

Sonha que a vida é sonho

Sonho a ser realizado

Pois que na imaginação

Tudo pode ser criado,

Tudo pode ser idealizado…

Então,

- E porque não?!-

Colar asas na imaginação,

Ser aragem,

Brisa

Ou furacão,

Transformar-se em fada,

Dançar no vento,

Ser anjo, folha, duende,

Silfo ou sopro somente,

Tudo isso poder ser.

E voar…

E voar…

E voar…

Assim na dança do vento

Este menino acordado

Dá vida ao sonho sonhado

E, feliz,

Entrega-se à magia

De ser o herói da fantasia

No seu mundo-pensamento

Mundo mágico,

Mundo seu

Onde a vida pura e livre

Nesse dia aconteceu.

 

De Maria La-Salete Sá  (22/12/12   22h 44m)