sábado, 1 de janeiro de 2022

BEM VINDO 2022!

 Hoje é o último dia do ano. Do ano 2021. Um ano marcado pela turbulência da pandemia, pelas manifestações da natureza entre atividade sismológica intensa e algo anormal, cheias, secas e outras que tais… para muitos, um ano de intensa instabilidade, de dores e frustrações…

Mas eu só tenho que dar graças ao ano que hoje finda… É certo que também vivi restrições, isolamento, ausência de afetos “tocáveis”, afastamento quando a vontade era juntar, abraçar… E não deixei que essas (aparentes) contrariedades me retirassem o ânimo ou me impedissem de sorrir e de ser feliz. Mantive viva e acesa a chama da alegria, da confiança e, ao fazer uma retrospetiva analítica destes 365 dias descubro que não houve um único dia em que a negatividade, a dor ou o pessimismo fizessem de algum modo a diferença. É certo que também tive momentos sombrios, mas não foram marcantes o suficiente para se fixarem porque não sou pessoa de alimentar a tristeza nem de carpir a dor. Procuro, sim, aceitar esses momentos como meus, de minha única responsabilidade e compreendê-los. Depois simplesmente deixá-los ir e voltar à alegria que me carateriza.
Além disso foi um ano de grandes conquistas. Conquistas ao nível de alma, que, embora com pequenos passos, por vezes inseguros ou vacilantes, me ajudaram a ser mais EU, a reconhecer-me como fruto e semente de Amor, como essência divina, tal como toda e qualquer pessoa, quer esteja ou não consciente de quem realmente É. Conquistas ainda de cariz mais material (não materialista) – dois livros editados, um deles em coautoria, ambos bem conseguidos, bem divulgados e bem aceites, eventos bem sucedidos. Foi um ano em que o estar para o outro também foi muito marcante, como marcante foi e é a confiança que a vida deposita em mim, confiança esta que se manifesta nas diversas vertentes em que movimento as minhas atividades, umas de minha própria iniciativa, outras que me são sugeridas…
Além de tudo, ao estar de bem comigo, todas as atividades, todas as atitudes que partem de mim, têm a energia do amor e da sadia alegria que distribuo gratuitamente por onde passo, com quem convivo, com quem me cruzo, mesmo que nem sempre as pessoas disso se deem conta. Sou essa energia, fui essa energia em 2021 e serei essa energia em 2022. Fruto, como disse, do AMOR, fui AMOR e só desejo nunca me esquecer de quem SOU e continuar a receber e partilhar amor e sorrisos de paz, de gratidão e de fraternidade.
Amo a vida nesta plenitude e a todos desejo o mesmo que para mim: Um ano de 2022 onde estes atributos se manifestem na maior abundância!
BEM VINDO 2022!

Maria La-Salete Sá (31 de dezembro de 2021)



domingo, 19 de dezembro de 2021

ERA UMA VEZ… NO NATAL

 

Dezembro aproximava-se… e com ele, o Natal…

Violeta Maria parou um bocado suspensa nesse pensamento… Com o Natal a bailar na mente aproximou-se da janela, lançou o olhar em redor e…perdida na imensidão do horizonte, viajou no tempo… ao tempo em que a sua terra natal ainda não conhecia luz elétrica, ao tempo em que as ruas eram estradas de terra batida, caminhos estreitos e pedregosos ou carreiros pelos campos ou serranias…

Nessas alturas não havia tristeza, as crianças espalhavam risadas de alegria, as mulheres, atarefadas com a lida da casa e com os animais de capoeira, cantavam enquanto trabalhavam, os homens, aqueles a quem cabia o trabalho mais pesado assobiavam, por vezes também cantavam, como forma de esquecer o esforço ou enganar a pobreza. Sim, porque ali também vivia a pobreza…

E Violeta pensou nos seus amigos de infância. Na pureza, na simplicidade e no amor genuíno que sempre os unia, mesmo no meio das pequenas zangas. Então, na altura de Natal, iam pelos montes recolhendo musgo, pinhas, ramos de azevinho para fazerem o presépio na escola e enfeitarem a sala. Sala bonita, sala enfeitada, era linda de se ver!  E, no último dia de aulas antes das férias natalícias, junto ao presépio rezavam a Jesus, pedindo paz, saúde e ajuda para os mais necessitados, ao mesmo tempo que faziam promessa de bom comportamento.

Parou um bocado neste pensamento, neste reencontro de amigos e reviveu um Natal, aquele Natal que, mais do que um Natal foi uma grande lição de vida!

Tinha ela oito anos. Oriunda de uma família de lavradores, nunca lhe faltou comida, sempre tivera roupa e calçado e até tinha alguns brinquedos, mas… a família que vivia em frente, não sendo uma família numerosa, era muito pobre. Eram apenas três pessoas, o Nelo de oito anos, a Rosita de seis e a mãe, a Sr.ª Rosa, que ficara viúva pouco depois da Rosita nascer.

As pessoas da terra ajudavam como podiam e a Sr.ª Rosa, que tinha uma cabrinha e algumas galinhas, ia vendendo leite e ovos para poder alimentar-se e alimentar os filhos.

E nesse Natal aconteceu algo novo, algo diferente.

Uns dias antes da noite de consoada, a Violeta perguntou ao Nelo o que ia pedir ao Menino Jesus para deixar no sapatinho. Ele ficou muito intrigado, pois nunca pedira nenhum presente a Jesus, nem sabia que isso se fazia, além disso nem sequer tinha sapatos, só tinha umas botas para levar à missa e umas chancas velhas.

Quando chegou a casa contou à mãe e à Rosita o que a Violeta lhe disse.

Então, na noite de Natal, lá pôs as botas na chaminé e as soquinhas da irmã e, já na cama, antes de dormir, pediu a Jesus que lhe desse uma prendinha qualquer, só queria ter alguma coisinha dentro da bota e dentro da soquinha da Rosita.

Mal acordou foi ver se tinha algum presente e… na sua bota tinha um cartucho com alguns rebuçados e uma bola feita de meias; na soquinha da Rosita tinha outro cartucho com rebuçados e uma boneca também feita com uma meia velha e alguns trapos.

Eles ficaram tão felizes, mas tão felizes com os presentes que, depois do almoço, foram brincar com a Violeta e com ela repartiram os rebuçados, brincaram com a bola e a boneca de trapos, juntamente com os brinquedos que esta também recebeu.

E, para que este dia jamais ficasse esquecido, a Violeta ofereceu uma boneca de verdade à Rosita e pediu ao irmão que desse ao Nelo o arco e a gancheta com o carrinho de linhas.

E foi assim que estes amigos viveram um Natal na plenitude do AMOR!

                                                                                                   Maria La-Salete Sá

terça-feira, 9 de novembro de 2021

TU, MEU PORTO DE ABRIGO


Foste meu porto,

meu porto de abrigo,

minha enseada…

…ancoradouro seguro

de minha barca…

 

barca à deriva,

por ventos agitada,

abandonada,

perdida…

afundada e erguida

ao sabor das vagas

…descontroladas…

 

Foste porto,

foste marujo e timoneiro,

foste guia,

farol e faroleiro, 

…foste… quem me deu a mão

em tempos incertos,

sofridos,

perdidos

no deserto

da solidão…

 

 

… meu timoneiro,

…………. meu farol,

…………….. meu guia,

…………………meu amor…

 

De Maria La-Salete Sá (09/11/2021)

 

 

 


quinta-feira, 21 de outubro de 2021

ATERRAR NO PLANETA POESIA

Sou viajante,

mensageira de emoções…

percorri terras férteis de ilusões,

distribuí palavras

embrulhadas

em papel de ternura,

orbitei

entre a terra e a lua…

 

Mas…

a viagem perdeu o norte,

entrei em órbita incerta...

Vagueando atribulada,

minha nave ficou suspensa…

quase parada…

 

Sentindo a alma deserta,

vesti-a de esperança,

e confiante traçamos

novas rotas…,

  … rotas de mudança…

 

Fixei bem o percurso,

ativei a ignição

e a nave foguetão

reiniciou a viagem.

 

Viagem bem sucedida,

rumo à terra da magia...

E eu,

que sou viajante,

aterrei em segurança

no PLANETA DA POESIA..

 

Maria La-Salete Sá (21/10/2021)