Não há beco que esconda meus sonhos,
não há multidão que cale meus silêncios,
não há mar que lave meus temores,
não há universo que abarque meu amor,
não há nada onde caiba a minha angústia,
não há nada onde abafe a felicidade,
não há nada...
Só ser e não ser feliz,
só ser e não ser infeliz
numa confusão de sentimentos loucos
em contradição...
De Maria La-Salete Sá
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
OUSADIA
Pensei-te meu,
pensei-me tua,
recriei-te na imaginação
repleto de fantasias amorosas
e corei de indignação
ante o olhar dos outros
que não nos puderam ver...
Nós não éramos senão brisa de sonho
ou o meu olhar perdido no espaço vazio...
De Maria La-Salete Sá
pensei-me tua,
recriei-te na imaginação
repleto de fantasias amorosas
e corei de indignação
ante o olhar dos outros
que não nos puderam ver...
Nós não éramos senão brisa de sonho
ou o meu olhar perdido no espaço vazio...
De Maria La-Salete Sá
INDEFINIÇÕES
1
Porque se escondem meus sonhos
em labirintos de medo,
há que amordaçá-los,
se preciso, estrangulá-los,
pois não cabem no segredo...
2
Se meu coração explode de amor
e meus sentimentos anseiam por ti,
no meu pensamento surge a revolta
emaranhada
num mundo carente...
(09/05/86)
De Maria La-Salete Sá
Porque se escondem meus sonhos
em labirintos de medo,
há que amordaçá-los,
se preciso, estrangulá-los,
pois não cabem no segredo...
2
Se meu coração explode de amor
e meus sentimentos anseiam por ti,
no meu pensamento surge a revolta
emaranhada
num mundo carente...
(09/05/86)
De Maria La-Salete Sá
AMO
AMO! AMO! AMO!
A quem? O quê? - Não sei!
apenas Amo.
Tudo e todos - Um só,
a vida, o mundo, as plantas, os animais,
o bosque, o prado, o deserto, o oásis,
o rio, o mar.
Amo! O céu, a lua, as estrelas,
o sol!
AMO! Num amor feito energia,
num abraço total
imenso, infinito,
entrega Universal!
(Junho de 1991, seminário de Yoga)
A abrir "Fragmentos de um percurso interior
De Maria La-Salete Sá
A quem? O quê? - Não sei!
apenas Amo.
Tudo e todos - Um só,
a vida, o mundo, as plantas, os animais,
o bosque, o prado, o deserto, o oásis,
o rio, o mar.
Amo! O céu, a lua, as estrelas,
o sol!
AMO! Num amor feito energia,
num abraço total
imenso, infinito,
entrega Universal!
(Junho de 1991, seminário de Yoga)
A abrir "Fragmentos de um percurso interior
De Maria La-Salete Sá
INSÓLITO
Há tantos episódios bizarros na minha vida que uma sobrinha me compara, muitas vezes, ao Mr. Bean (é claro que não faço um “ar tão aparvalhado” quanto ele, penso!!!...), e o que se segue é o relato de um funeral, algo insólito. (Não vou referir nomes nem localidades para não correr o risco de poder ferir sensibilidades.)
Era o funeral do pai de uma amiga, que, por sua vez, era sobrinho de outra amiga. Partia de uma cidade para outra e, como em todos os funerais, encontramo-nos na Igreja. Como a tia do defunto não tinha carro e o funeral seguia para uma cidade a mais de 30km de distância, ela viajou comigo. Assim eu não faria a viagem sozinha e ela estava à vontade por me acompanhar, já que éramos (e somos) muito amigas.
Mas logo me deparei com dois pequenos problemas: o meu carro estava com pouco combustível e eu não sabia como ir para o cemitério onde o morto ia ser enterrado. Então, e para não haver confusões, perguntei à filha do defunto qual a rota que seguiriam, para que eu pudesse meter gasolina e apanhar o cortejo junto das bombas. Combinamos tudo certinho, eles iam pela rua da bomba BP e eu entraria lá no cortejo. Seguimos logo para as bombas, enchi o depósito e esperamos… esperamos… esperamos… E nada de cortejo fúnebre. Bem, um pouco a medo, “às escuras” quanto ao caminho, não esperamos mais e seguimos, sempre com a esperança de encontrarmos o funeral, mas nada!
Já muito perto da outra cidade, sem saber qual a estrada de entrada, resolvi virar logo na primeira placa indicativa da cidade. Logo que pude perguntei onde era o cemitério. Seguimos as indicações e, fora do cemitério, estavam dois funerais para entrar, mas nenhum parecia ser o “do nosso morto”. Um tanto ou quanto acabrunhada dirigi-me a um cavalheiro que estava junto dos portões e perguntei:
-Pode- me dizer, por favor, se veio ou se ainda vem um funeral de fora da cidade, de um senhor que foi militar?
-Não, minhas senhoras, não veio nem vem, talvez seja para o outro cemitério do outro lado da cidade.
-E fica muito longe? Terei lugar de estacionamento?
- Não é muito longe, podem ir a pé.
E lá nos indicou o caminho, só que não conseguimos orientar-nos nessa cidade. Já tínhamos andado quase meia hora e nade de cemitério. Na nossa direção vinha um grupo de estudantes e voltamos a perguntar onde era o cemitério. Uma menina muito simpática disse-nos.
- Estão a ver aquelas árvores ali? O cemitério fica no quarteirão logo a seguir.
Ufa! Que alívio, pensamos nós. E lá fomos ao dito cemitério. Quando entramos não havia ninguém a não ser o coveiro a tapar uma sepultura. Fomos ter com ele e, antes que pudéssemos dizer alguma coisa, ele levantou-se, olhou para nós e disse com um ar muito espantado:
-As senhoras outra vez aqui?!
E responde a minha amiga com um ar muito contristado:
-Pois, e o pior é que o morto era meu sobrinho!...
Com imensa paciência o senhor voltou a explicar-nos onde ficava o outro cemitério, mas lá já fomos de carro, pois o dia declinava. Escusado será dizer que, quando encontramos o cemitério, já estava fechado e as pessoas já tinham todas regressado a casa.
Embora o dia não fosse propriamente um dia de alegria, fizemos a viagem de regresso a casa sempre a rir das nossas “trocas e baldrocas”. Ainda não tínhamos chegado a filha do defunto estava a telefonar, preocupada, com receio que nos tivesse acontecido alguma coisa e acabou por nos dizer que a Agência Funerária alterara a rota por causa do tráfego, mas que julgava que nós sabíamos.
De Maria La-Salete Sá
Era o funeral do pai de uma amiga, que, por sua vez, era sobrinho de outra amiga. Partia de uma cidade para outra e, como em todos os funerais, encontramo-nos na Igreja. Como a tia do defunto não tinha carro e o funeral seguia para uma cidade a mais de 30km de distância, ela viajou comigo. Assim eu não faria a viagem sozinha e ela estava à vontade por me acompanhar, já que éramos (e somos) muito amigas.
Mas logo me deparei com dois pequenos problemas: o meu carro estava com pouco combustível e eu não sabia como ir para o cemitério onde o morto ia ser enterrado. Então, e para não haver confusões, perguntei à filha do defunto qual a rota que seguiriam, para que eu pudesse meter gasolina e apanhar o cortejo junto das bombas. Combinamos tudo certinho, eles iam pela rua da bomba BP e eu entraria lá no cortejo. Seguimos logo para as bombas, enchi o depósito e esperamos… esperamos… esperamos… E nada de cortejo fúnebre. Bem, um pouco a medo, “às escuras” quanto ao caminho, não esperamos mais e seguimos, sempre com a esperança de encontrarmos o funeral, mas nada!
Já muito perto da outra cidade, sem saber qual a estrada de entrada, resolvi virar logo na primeira placa indicativa da cidade. Logo que pude perguntei onde era o cemitério. Seguimos as indicações e, fora do cemitério, estavam dois funerais para entrar, mas nenhum parecia ser o “do nosso morto”. Um tanto ou quanto acabrunhada dirigi-me a um cavalheiro que estava junto dos portões e perguntei:
-Pode- me dizer, por favor, se veio ou se ainda vem um funeral de fora da cidade, de um senhor que foi militar?
-Não, minhas senhoras, não veio nem vem, talvez seja para o outro cemitério do outro lado da cidade.
-E fica muito longe? Terei lugar de estacionamento?
- Não é muito longe, podem ir a pé.
E lá nos indicou o caminho, só que não conseguimos orientar-nos nessa cidade. Já tínhamos andado quase meia hora e nade de cemitério. Na nossa direção vinha um grupo de estudantes e voltamos a perguntar onde era o cemitério. Uma menina muito simpática disse-nos.
- Estão a ver aquelas árvores ali? O cemitério fica no quarteirão logo a seguir.
Ufa! Que alívio, pensamos nós. E lá fomos ao dito cemitério. Quando entramos não havia ninguém a não ser o coveiro a tapar uma sepultura. Fomos ter com ele e, antes que pudéssemos dizer alguma coisa, ele levantou-se, olhou para nós e disse com um ar muito espantado:
-As senhoras outra vez aqui?!
E responde a minha amiga com um ar muito contristado:
-Pois, e o pior é que o morto era meu sobrinho!...
Com imensa paciência o senhor voltou a explicar-nos onde ficava o outro cemitério, mas lá já fomos de carro, pois o dia declinava. Escusado será dizer que, quando encontramos o cemitério, já estava fechado e as pessoas já tinham todas regressado a casa.
Embora o dia não fosse propriamente um dia de alegria, fizemos a viagem de regresso a casa sempre a rir das nossas “trocas e baldrocas”. Ainda não tínhamos chegado a filha do defunto estava a telefonar, preocupada, com receio que nos tivesse acontecido alguma coisa e acabou por nos dizer que a Agência Funerária alterara a rota por causa do tráfego, mas que julgava que nós sabíamos.
De Maria La-Salete Sá
RAZÃO DE SER
Hoje sou,
ontem fui, amanhã serei,
não o ser com razão,
mas a dona da razão
nesta existência sem limites.
Não parto à procura de nada,
mas sigo na busca de mim
e ao questionar-me porque sou assim
encontro resposta na vida.
Sou nada mais do que a semente
que fiz germinar,
o continuar
do que ficou por acabar
no meu ciclo existencial.
Sou o infinito.
O passado, o presente, o futuro,
consciência e imaginação,
sou prefácio e projeção,
sou ser
inteligente e racional,
ignorante e imortal. Sou.
E tão somente por isso,
ser assim um contra-senso,
não há espaço nem tempo
capaz de estagnar
este fluxo de Vida que me anima...
In "Fragmentos de um percurso interior"
De Maria La-Salete Sá
ontem fui, amanhã serei,
não o ser com razão,
mas a dona da razão
nesta existência sem limites.
Não parto à procura de nada,
mas sigo na busca de mim
e ao questionar-me porque sou assim
encontro resposta na vida.
Sou nada mais do que a semente
que fiz germinar,
o continuar
do que ficou por acabar
no meu ciclo existencial.
Sou o infinito.
O passado, o presente, o futuro,
consciência e imaginação,
sou prefácio e projeção,
sou ser
inteligente e racional,
ignorante e imortal. Sou.
E tão somente por isso,
ser assim um contra-senso,
não há espaço nem tempo
capaz de estagnar
este fluxo de Vida que me anima...
In "Fragmentos de um percurso interior"
De Maria La-Salete Sá
RECORDAR É VIVER
Embora, nessa altura eu não tivesse mais do que 4 ou 5 anos, recordo esta cena com muita clareza.
Era tempo de vindimas e eu estava em casa da minha avó materna. No quinteiro, junto à nora de tirar a água do poço estava uma pipa cheia de água para ser lavada, pois era altura das vindimas. (Não sei se "quinteiro" terá o mesmo significado em todo o lado, mas aqui o quinteiro é um espaço em frente da casa coberto de mato de onde depois se tira estrume para os campos). Como disse estava lá a pipa, com o orifício tapado com uma pequena rolha de madeira, a que chamavam "piche" ou "espiche".
A avó tinha acabado de levantar a mesa do almoço e eu saí para quinteiro brincar. Mas aquela pipa, cheiinha de água e num dia de calor como estava, parecia dizer-me:
"Tira o espiche, Lete, olha que a água é fresquinha, podes molhar as mãos, molhar a cara, podes brincar."
E eu ouvi a "voz da pipa", oh!, se ouvi! E vai daí, tira espiche, mete espiche, borrifa a cara, borrifa a mão, era só ver a minha alegria a tapar e a destapar a pipa!
Mas... e há sempre um "mas", a avó veio à porta, viu e ralhou:
"Pára com isso, Lete, deixa estar o espiche na pipa, senão apanhas uma sapatada."
Mal ouvi o recado, pus o espiche na pipa e fui para o jardim, mas sempre a controlar a avó, claro está.
Mal ela reentrou na cozinha, lá vai outra vez a Lete brincar com o espiche, só que desta vez a avó não ficou pela ameaça, a avó saiu da cozinha de mão em riste e a Lete levou uma palmada no traseiro.
Mais ferida na sensibilidade do que propriamente na carne fui sentar-me nas escadas a choramingar.
Ao ouvir o "meu triste lamento" a avó veio à porta da cozinha e perguntou:
"O que foi, Lete? O que tens?"
E a Lete logo respondeu, dona e senhora de toda a razão:
"A avozinha bem sabe que nas meninas pequeninas nunca se bate!"
De Maria La-Salete Sá
Era tempo de vindimas e eu estava em casa da minha avó materna. No quinteiro, junto à nora de tirar a água do poço estava uma pipa cheia de água para ser lavada, pois era altura das vindimas. (Não sei se "quinteiro" terá o mesmo significado em todo o lado, mas aqui o quinteiro é um espaço em frente da casa coberto de mato de onde depois se tira estrume para os campos). Como disse estava lá a pipa, com o orifício tapado com uma pequena rolha de madeira, a que chamavam "piche" ou "espiche".
A avó tinha acabado de levantar a mesa do almoço e eu saí para quinteiro brincar. Mas aquela pipa, cheiinha de água e num dia de calor como estava, parecia dizer-me:
"Tira o espiche, Lete, olha que a água é fresquinha, podes molhar as mãos, molhar a cara, podes brincar."
E eu ouvi a "voz da pipa", oh!, se ouvi! E vai daí, tira espiche, mete espiche, borrifa a cara, borrifa a mão, era só ver a minha alegria a tapar e a destapar a pipa!
Mas... e há sempre um "mas", a avó veio à porta, viu e ralhou:
"Pára com isso, Lete, deixa estar o espiche na pipa, senão apanhas uma sapatada."
Mal ouvi o recado, pus o espiche na pipa e fui para o jardim, mas sempre a controlar a avó, claro está.
Mal ela reentrou na cozinha, lá vai outra vez a Lete brincar com o espiche, só que desta vez a avó não ficou pela ameaça, a avó saiu da cozinha de mão em riste e a Lete levou uma palmada no traseiro.
Mais ferida na sensibilidade do que propriamente na carne fui sentar-me nas escadas a choramingar.
Ao ouvir o "meu triste lamento" a avó veio à porta da cozinha e perguntou:
"O que foi, Lete? O que tens?"
E a Lete logo respondeu, dona e senhora de toda a razão:
"A avozinha bem sabe que nas meninas pequeninas nunca se bate!"
De Maria La-Salete Sá
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